Ministra Damares copia projeto que nasceu em MS sem dar crédito

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Campanha “Salve Uma Mulher” lançado pela ministra é semelhante a projeto “Mãos EmPENHAdas Contra a Violência” criado em 2017 pela juíza Jacqueline Machado

Por Danielle Valentim, no Campo Grande News

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, lançou durante acordo de cooperação técnica para combater a violência doméstica no Brasil, nesta sexta-feira, dia 08 de março, a campanha “Salve Uma Mulher”. O problema é que a gestora passou a ser acusada de copiar o programa “Mãos EmPENHAdas Contra a Violência”, criado em 2017 pela juíza Jacqueline Machado, Titular da 3ª Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, de Mato Grosso do Sul.

Ao Campo Grande News, a juíza disse que foi pega de surpresa com o anúncio da campanha. Segundo ela, a equipe da ministra chegou a entrar em contato por telefone pedindo uma cópia do projeto. Eles foram orientados a enviar uma solicitação formal, mas a ação nunca foi feita. “Orientei que fosse feito um pedido formal, até porque, ele já faz parte da coordenadoria do Tribunal de Justiça. Além disso, se fosse copiado teria de usar o mesmo nome e mesma logo”, disse.

A juíza não quis polemizar e se mostra incansável quando o assunto é o rompimento do ciclo de violência. “O que importa é que o assunto seja multiplicado mesmo. Ainda não sei do que a campanha se trata, e é complicado falar em plágio, porque o projeto “Mãos Empenhadas Contra Violência” é diferenciado, complexo e completo. Não se trata apenas de identificar o crime, há capacitação que engloba toda uma rede, também damos encaminhamento para as vítimas”, frisou.

(Foto: reprodução)

(Foto: reprodução)

Mas outros magistrados se posicionaram e defendem a situação como plágio. No início da tarde desta sexta-feira (08), o juiz José Henrique Kaster Franco, usou seu perfil no Facebook para acusar a gestora.

“Processa que é plágio. Impeachment na plagiadora! Plágio descarado. Este programa se chama ‘Mãos EmPENHAdas Contra a Violência’ e é obra de minha colega Jacqueline Machado, que o implantou, há anos, no Mato Grosso do Sul. “A ‘nacionalização’ do programa, mudando para esse nome ridículo, não só inventa um parto de quem já está na infância, mas cheira muito falso, vindo de quem não entende patavinas, tampouco acredita, no que faz”, finalizou o juiz em seu desabafo.

Imagem: Reprodução Facebook

Campanha nacional

Conforme a Agência Brasil, a ministra lançou a campanha “Salve uma Mulher”, voltada para profissionais como cabeleireiros, manicures, maquiadores e outros capazes de identificar sinais de violência contra a mulher.

A ideia, segundo ela, é enfrentar a violência contra o público feminino por meio de ações que visem conscientizar para a responsabilidade de todos – em especial, profissionais que lidem com as mulheres todos os dias, como no campo da beleza.

“Eles poderão orientar suas clientes, considerando essa relação que, muitas vezes, é de confiança. Todos os casos de agressões devem ser denunciados”, concluiu Damares.

Projeto “Mãos Empenhadas”

Foi criado no Mato Grosso do Sul, pela juíza Jacqueline Machado, Titular da 3ª Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, em Campo Grande – a primeira Vara de Medidas Protetivas no Brasil.

A juíza implantou uma proposta inovadora e ousada em 2017: capacitar profissionais da área da beleza para torná-los agentes multiplicadores de informação no combate à violência, capazes de identificar e orientar clientes, com base na Lei nº 11.340/06, conhecida como Lei Maria da Penha.

Na primeira fase do projeto, dezenas de salões da Capital encamparam a proposta e permitiram que seus colaboradores fossem treinados para identificar os tipos de violência e orientar as mulheres. O projeto já foi reproduzido em outros estados.

O projeto funciona como ação preventiva, ampliando e fortalecendo a rede de enfrentamento à violência doméstica contra a mulher, dando visibilidade sobre as questões de gênero e aos inúmeros tipos de violência existentes.

Ministra das Mulheres, Família e Direitos Humanos, Damares Alves. Foto: Sergio Lima /AFP

Enviada para Combate Racismo Ambiental por Isabel Carmi Trajber

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