Bolívia: o golpe visto em profundidade

Quem compõe as hordas que atacam forças populares. Como oposição fragmentada se articulou contra Evo. O papel da OEA no golpe. Por que governo se descolou das bases. Quais as perspectivas após o “acordo” para novas eleições

por Aldo Duran Gil, em Outras Palavras

Introdução

As violentas jornadas da direita com traços fascistas de outubro e novembro de 2019 tinham como objetivo provocar a renúncia de Evo Morales à presidência da Bolívia. Morales foi praticamente obrigado a deixar o cargo para que a oposição parasse de incendiar prédios públicos, violentar e torturar militantes, funcionários públicos integrantes do partido de governo Movimento ao Socialismo (MAS) com conivência da polícia e do exército. Esse golpe e a situação política boliviana atual, cheias de incerteza sobre o desenlace imediato e de médio prazo, merecem uma reflexão crítica sobre o caráter do golpe e que serve como introdução para uma análise mais aprofundada acerca da natureza das reformas e transformações socioeconômicas realizadas pelo governo Morales no país desde 2006.

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Bolívia: e os indígenas resistem ao golpe…

Dez dias (e 23 mortes) passaram-se, mas ultradireita não foi capaz de silenciá-los. Exilado, o vice-presidente descreve a caça às cholas, a ação das milícias, a traição dos generais. E a covardia da classe média, tropa de choque do racismo colonial

Por Álvaro García Linera* | Tradução: Simone Paz, em Outras Palavras

Feito densa neblina noturna, o ódio percorre ferozmente os tradicionais bairros de classe média urbana da Bolívia. Seus olhos transbordam de ira. Não gritam, cospem; não reclamam, impõem. Seus clamores não são pela esperança nem pela irmandade, são de desprezo e de discriminação contra os índios. Montam suas motos, sobem em suas caminhonetes, agrupam-se em suas confrarias e faculdades privadas e saem à caça dos índios atrevidos que tiveram a coragem de arrebatar-lhes o poder.

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Indígenas e camponeses marcham em La Paz contra golpe na Bolívia

Manifestantes carregavam a bandeira whiphala, símbolo dos povos originários e do Estado Plurinacional boliviano, fundado pelo ex-presidente Evo Morales

Do Opera Mundi / MST

Milhares de indígenas e camponeses de várias províncias marcharam na cidade de La Paz nesta sexta-feira (15/11) contra o golpe de Estado e o governo interino da senadora de direita Jeanine Áñez na Bolívia.

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Žižek: Bolívia, anatomia de um golpe

É precisamente por terem sido bem-sucedidos que Evo Morales, Garcia Linera e seus seguidores representavam um incômodo tão grande ao establishment liberal.

Por Slavoj Žižek, no Blog da Boitempo

Embora eu seja por mais de uma década um firme apoiador de Evo Morales, devo admitir que, depois de ter lido sobre a confusão que se seguiu a controversa vitória eleitoral de Morales, fiquei mergulhado em dúvidas… Teria ele também sucumbido à tentação autoritária, como ocorreu com muitos esquerdistas radicais no poder? Contudo, depois de um ou dois dias, as coisas logo ficaram claras.

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Bolívia: não despreze a resistência

Surgem as primeiras marchas contra golpe de Estado — duramente reprimidas. Legisladores, impedidos de entrar no Parlamento, denunciam assassinatos e Constituição rasgada. População já prepara resposta a ultradireita

Por Sebastián Ochoa*, em Lavaca | Tradução: Rôney Rodrigues, em Outras Palavras

A três dias da renúncia forçada de Evo Morales à presidência da Bolívia, a máscara democrática dos golpistas começam a cair. Na terça-feira (12/11), os legisladores do Movimiento Al Socialismo (MAS) tentaram ingressar na Assembleia Legislativa Plurinacional para rechaçarem o autoproclamamento da senadora Jeanine Áñez como nova Presidenta. O plano era rechaçar a carta de renúncia de Evo Morales e exigir seu volta ao país para retomar suas funções. A polícia tentou impedir que eles ingressassem na Praça Murillo. No dia anterior, era Áñez quem lhes rogava que fossem ao Parlamento dar quórum às votações. Enquanto isso, as mortes de bolivianos em enfrentamento às Forças Armadas e à Polícia continuam aumentando.

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Juiz boicota STF ao soltar condenado a 29 anos! E Mazloum salva o dia! Por Lenio Luiz Streck

No Conjur

Da série Neste País Ninguém Morre de Tédio, vem de Cascavel (PR) a mais nova pérola da Justiça, não por seu equívoco, mas pelo que representa, no plano simbólico, como perigo para a institucionalidade de uma decisão do Supremo Tribunal. A matéria é de Fernando Martines, aqui da ConJur, que descreve magnificamente o imbróglio. Assim se faz jornalismo: mostra um fato e compara com outro, da mesma natureza e desvela a contradição.

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Na Bolívia, direita religiosa entrou nos protestos de forma oportunista, diz pesquisadora

Para Sue Iamamoto, governo Morales foi questionado por autoritarismo e se afastar da pauta indígena, mas oposição representada por Camacho é radical e ameaça direitos fundamentais

Por Bruno Fonseca, Rute Pina, Agência Pública

Neste final de 2019, a América Latina parece determinada a colocar à prova quaisquer certezas sobre os ciclos políticos nas democracias da região. Primeiro vieram os protestos que pararam o Equador, liderados por movimentos sociais, especialmente os indígenas, em um levante que obrigou o governo a sentar-se à mesa e negociar com as populações tradicionais do país. Em seguida foi o Chile, modelo de estabilidade para alguns, de desigualdade para outros, que explodiu em protestos de rua liderados por jovens que estão incendiando a Constituição herdada da ditadura de Pinochet. Agora é a Bolívia, onde em apenas três semanas uma escalada de eventos fez a reeleição do presidente Evo Morales ir dos questionamentos a uma renúncia forçada, ao exílio e à incerteza de quem governará o país a longo prazo.

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Mais um golpe… em nome de Deus

CONIC

Deus acima de tudo” é usado por extremistas ao longo da história para a implantação de regimes econômicos e políticos autoritários e violentos. Os nazistas usaram, durante anos, o nome de Deus e elementos da fé cristã para justificar a sua ideologia e os seus crimes. No manifesto do partido nazista, Hitler chega a pedir que Deus abençoasse as armas alemãs[1].   

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NOTA CLOC – Mais um golpe de Estado na Agenda Imperialista: O neofascismo se impôs na Bolívia

O presidente da Bolívia, Evo Morales, denunciou no último sábado (9) uma tentativa de golpe de Estado em curso no país, operada por grupos de extrema-direita. Morales denunciou um motim da Unidade Tática de Operações Policiais (UTOP) de Cochabamba e de ações organizadas por grupos de provocadores na mesma região. Com a pressão e as ameaças contra ele e sua família, o presidente renunciou, nesse domingo (10) ao cargo ao qual foi eleito em primeiro turno. A Coordenadoria Latinoamericana de Organizações Camponesas (CLOC) divulgou Nota denunciando o golpe concretizado na Bolívia e manteve seu apoio ao presidente Evo Morales e ao povo boliviano. Confira:

tradução: Cristiane Passos / CPT Nacional

Mais um golpe de Estado na Agenda Imperialista: O neofascismo se impôs na Bolívia

A Coordenadoria Latino-Americano de Organizações Camponesas (CLOC), membros da Via Campesina, envia seu mais enérgico apelo ao mundo e aos povos da América Latina e do Caribe para condenar o golpe de estado que a extrema-direita racista e neo-fascista acaba de realizar na Bolívia .

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Para Stedile, golpe contra Evo na Bolívia é “aplicação prática das guerras híbridas”

Dirigente do MST afirma que os EUA estão por trás da violência que levou o presidente boliviano a renunciar

Por Daniel Giovanaz, em Brasil de Fato / MST

O golpe civil-militar contra Evo Morales na Bolívia, no último domingo (10), foi um dos temas debatidos no seminário “Brics dos Povos” nesta segunda (11). O evento é organizado por movimentos populares de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF).

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