Eu Maria, luto por Marielle!

Hoje, dia 14, um ano depois do assassinato da vereadora e de seu motorista Anderson Gomes, atos e mobilizações que exigem justiça para o caso, acontecem em diversas cidades do país e do mundo

Por Maura Silva, na Página do MST
 

O dia ainda nascia quando parte das 1100 famílias do acampamento ‘Marielle Vive!’, na Estrada dos Jequitibás, no município de Valinhos, região metropolitana de Campinas, em São Paulo, reuniam-se para o ‘Amanhecer por Marielle’.

Hoje, dia 14, um ano depois do assassinato da vereadora e de seu motorista Anderson Gomes, atos e mobilizações que exigem justiça para o caso, acontecem em diversas cidades do país e do mundo.

Marielle e Anderson viraram sinônimo de luta e resistência em um Brasil de justiça ausente.  Assim, diante do peso dos dias, não basta fazer justiça é preciso ser a justiça. E Marielle – que antes tinha uma vida – agora tem milhares.

No acampamento, as faces de cada uma das mulheres era prova disso. Mulheres políticas, de múltiplas identidades, encarnação de um movimento que luta diariamente pelo desejo da terra.

Mulheres como Flavia, que com seu companheiro e filha, busca por uma nova oportunidade do lado de dentro das cercas. “Aqui a gente é uma família, um tenta suprir a necessidade do outro. Juntos produzimos, estudamos e nos cuidamos. O que conta aqui é o nosso tempo, nossa disponibilidade para o trabalho e para a luta”, diz.

Luta de Marielle, que como lembrou a acampada Mara, “era plural e não sucumbiu com a morte, ao contrário, brotou em cada mulher do campo e da cidade que segue lutando por democracia, por terra, trabalhos e pão”.

“Eu sou porque somos”, assim Maria, coordenadora do acampamento, falou sobre o consciência do abandonado povo sem terra, que ocupa a terra sem gente.

Assim são as nossas Marias, assim é a força de um acampamento que nasce da insurreição diante de tantas igualdades e injustiças.

Marielle resiste

Desde a fundação, acampamento – que foi construído um mês depois do assassinato de Marielle e Anderson – resiste à especulação imobiliária e as ofensivas judiciais. Hoje no local, os Sem Terra dão vida à área propondo um assentamento agroecológico para geração de trabalho, renda e alimentos saudáveis.

Além da produção de alimentos, as famílias possuem cozinha coletiva, realizam atividades para as crianças através da Ciranda Infantil e têm aulas de alfabetização para jovens e adultos.

Toda essa iniciativa está mais uma vez ameaçada. Está marcada para o próximo mês uma audiência para discutir a posse da área.

Mobilizações

Flavia, Mara e Maria já estão nas ruas acompanhadas pelo coro que grita contra a violência, a desigualdade, a retirada de direitos e toda e qualquer forma de opressão.

Atos acontecem durante todo dia nas principais capitais e cidades do país. Em São Paulo a manifestação marcada para às 17h na Praça Oswaldo Cruz, pretende reunir milhares de pessoas. 

Mais do que um dia de tristeza, hoje é dia de exigir justiça e perguntar quem mandou matar Anderson e Marielle. A resposta dessa pergunta nos dirá também sobre nós, sobre quem também nos mata para nos impedir de lutar.

Foto: José Eduardo Bernardes / Brasil de Fato

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