A organização popular é a “nossa fortaleza”, diz líder do MST

João Paulo Rodrigues, líder do MST, e Flávia Rios, professora de História da UFF, participaram de análise de conjuntura ao lado de lideranças do movimento negro

Por Pedro Borges, do Alma Preta em MST

Lideranças do movimento negro organizaram para o dia 23 de Março, sábado, na Biblioteca Mário de Andrade, um debate sobre análise de conjuntura com a participação da historiadora Flávia Rios (UFF) e de João Paulo Rodrigues, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).

A atividade, chamada pelo coletivo “Faremos Palmares de Novo”, composto por diversas entidades do movimento negro, como a Uneafro e o Núcleo de Consciência Negra na USP, pretende articular um debate de conjuntura por mês com diferentes convidados. Em Fevereiro, no dia 23, participaram Edson Cardoso, jornal Irohin, e Regina Lucia, MNU. Para o mês de Abril, no dia 27, as convidadas são Cida Bento, CEERT, e Flávia Oliveira, jornalista da Globonews.

Os encontros são gratuitos e acontecem no último sábado de cada mês.

O debate

Cerca de 100 pessoas participaram da discussão afim de entender os possíveis mecanismos de enfrentamento ao avanço do conservadorismo e o modelo econômico neoliberal. Para João Paulo Rodrigues, é preciso fortalecer a luta política de base.

“De um modo geral a possibilidade de nós pobres, negros, quilombolas, camponeses conseguir ter um lugar ao sol na política, na luta de classes, é pela quantidade de gente que nós organizarmos”, disse.

Ele acredita ser um equívoco a construção de grupos políticos de classe média que constroem um círculo de discussão fechado sobre o país e não mantém diálogo com o povo.

“O equívoco que os coletivos que tem surgido na esquerda hora feminista, hora de agrários, estudantes, é esse desvio pequeno burguês, que monta um grupo de iluminados, que quer dizer o que os outros têm que fazer. Isso não vai dar certo”.

O momento único na história brasileira de discussão da questão racial em nível nacional cria outras possibilidades, segundo Flávia Rios. Além de permitir maior capilaridade e o fortalecimento de um movimento de base, provoca o movimento negro a ocupar espaços institucionais de poder.

“Eu acho que falta expansão desse debate, do ponto de vista da organização dos grupos políticos que disputam uma agenda negra no campo institucional, tem que haver um esforço para estudos de formação e de estratégia que visem os mecanismos de poder, os espaços de poder, partidários, não partidários para garantir de fato uma representação negra complexa, que envolva não só a representatividade dos corpos, mas das ideias”.

Para ela, esse desafio é fundamental na medida em que o novo governo conseguiu alcançar o poder executivo fundamentado em um discurso de ódio contra esses segmentos sociais.

“Se antes as pessoas tinham medo das milicias, dos grupos criminosos organizados nas periferias, agora elas também vivem um enfrentamento de um outro ódio de civis, pessoas cidadãs que não necessariamente são forças militares”.

Flávia Rios, historiadora, e Maria José Menezes, Núcleo de Consciência Negra na USP (Foto: Pedro Borges/Alma Preta)

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