ENSP: Especialização em Saúde Pública inicia ano letivo discutindo resistências e saúde

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Partindo do ideário de que a Reforma Sanitária Brasileira representa um projeto em busca de uma sociedade inclusiva, a qual se indigna diante das desigualdades, respeita os direitos humanos e sabe reconhecer as diferenças num contexto de igualdade de direitos, a ENSP trará, para a aula inaugural do Curso de Especialização em Saúde Pública, Joênia Wapichana – primeira mulher indígena eleita deputada federal no Brasil. A palestra Resistências e saúde: a voz de uma mulher indígena no Congresso Nacional, acontecerá em 1º de abril, às 13h30, no auditório do Museu da Vida.

A coordenadora-geral do Curso de Especialização em Saúde Pública, Tatiana Wargas, lembrou que, há mais de cinco décadas, essa especialização vem contribuindo com a formação de sanitaristas, os quais fortalecem a defesa de um sistema público universal de saúde.

“A ancestralidade dos povos indígenas foi reconhecida na Constituição de 1988. Porém, no momento atual, estamos enfrentando um dos piores cenários de violação dos direitos indígenas no país. Ao considerar que a primeira unidade desse curso aborda o tema Nascer, viver e morrer no Brasil, será de extrema valia as contribuições de Joênia relacionadas à perspectiva dos povos indígenas do nosso país”, disse Tatiana, ressaltando, ainda, que trazer a fala dos povos originários é também recuperar o que almejamos como saúde e vida no território brasileiro.

“Nosso compromisso é com a formação de sanitaristas, na intenção de que sejam capazes de reconhecer e analisar criticamente as desigualdades sociais e de saúde que atravessam nossa realidade e se expressam nas diferenciadas inserções sociais de mulheres, índios, negros, LGBTQ+ e outros; compreender nossas trajetórias e desafios e engajar-se na construção de novos cenários para uma vida melhor; além de atuar na construção de práticas de saúde mais humanas e dignas, com respeito e reconhecimento ao outro”. Queremos um sanitarista que se oriente pelos princípios da justiça social e justiça histórica. Trazer a voz de uma mulher indígena para a aula inaugural é um posicionamento político pedagógico de nosso curso!”, assegurou Tatiana.

Além de deputada federal, Joênia Wapichana também foi a primeira mulher indígena a se formar em Direito no Brasil pela Universidade Federal de Roraima. Em 2004, a primeira mulher a ir até a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, em Washington, com o objetivo de denunciar violações do Estado brasileiro. Já em 2008, a primeira a defender um caso no Supremo Tribunal Federal e, três anos depois, novamente a primeira mulher a se tornar mestre em Direito pela Universidade do Arizona, nos Estados Unidos.

Primeira advogada indígena a comparecer perante a Suprema Corte do Brasil, Joênia, em 2010, foi condecorada com a Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura. Já em 2018, se juntou a Nelson Mandela e Malala Yousafzai ao recebeu o principal prêmio de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU).

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