Manifestantes protestam em Brasília (DF) contra desmonte da política ambiental

Ato integra programação da Semana do Meio Ambiente, que terá ações na capital federal até a próxima sexta (7)

Cristiane Sampaio, Brasil de Fato 

Em ato realizado nesta terça-feira (4), em Brasília (DF), servidores públicos, ambientalistas, indígenas, parlamentares e outros atores protestaram contra a política de desmonte da pauta ambiental no país, que vive um aprofundamento sob o governo de Jair Bolsonaro (PSL). A manifestação integra a programação da Semana do Meio Ambiente, que terá ações na capital federal até a próxima sexta-feira (7).  

A servidora pública aposentada Elisabeth Uema, presidente da Associação Nacional dos Servidores Ambientais (Ascema) e militante do movimento Maré Socioambiental, disse que o protesto busca chamar a atenção da sociedade para a importância de defender as medidas em prol do meio ambiente. Ela sublinha que a agenda do setor precisa ser socialmente percebida como aspecto de destaque no debate público por conta das necessidades de preservação dos recursos naturais para a própria sobrevivência humana.

“A questão ambiental tem que estar na pauta exatamente por isso, a sociedade tem que ver o meio ambiente como um conjunto de coisas que interferem diretamente na vida dela. A questão da água, do ar, das florestas, tudo isso interfere na vida de cada cidadão. Então, a importância do meio ambiente está exatamente na defesa desses recursos”, reforça.

Na ocasião, os manifestantes deram um abraço simbólico no prédio do Ministério do Meio Ambiente (MMA). A pasta figura entre os destaques nas críticas que circundam o governo. Entre as medidas promovidas pela gestão Bolsonaro, estão a extinção da Secretaria de Mudança do Clima e Florestas e a perda, por parte do MMA, da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Serviço Florestal Brasileiro. Este último foi removido para o Ministério da Agricultura, tradicionalmente dominado pelos interesses da bancada ruralista. Com isso, o MMA perdeu força política.

O governo também busca rever as 334 Unidades de Conservação do país e mira o Fundo Amazônia, que corre risco de extinção. Paralelamente, aliados do governo tentam, no Poder Legislativo, flexibilizar as regras para o licenciamento ambiental e o Código Florestal, entre outras coisas.

Diante desse cenário, Alexandre Gontijo, presidente da Asibama, associação que reúne servidores públicos do Ministério do Meio Ambiente (MMA), do Ibama, do ICMBio e do serviço florestal, afirma que o ato desta terça-feira busca também chamar a atenção para a centralidade que o Brasil tem na questão ambiental no mundo.

Ele acrescenta que o desmantelamento da máquina pública no que se refere aos órgãos responsáveis pelo tema preocupa os profissionais da área porque interrompe o ciclo das políticas públicas, prejudicando as ações de proteção ao meio ambiente.

“Nós temos uma política ambiental que vem sendo construída a duras penas nas ultimas três décadas, e essa posição é fundamental internacional e nacionalmente. Temos a maior biodiversidade do mundo, a maior floresta tropical e dependemos diretamente do meio ambiente, como qualquer ser vivo neste planeta. Então, diante dessa desconstrução e dessa perspectiva que o governo tem com o meio ambiente, estamos preocupados com o que pode ser perdido nesse processo”, desabafa Gontijo.  

O dirigente lembrou ainda o contexto de ataques ao trabalho dos fiscais e outros profissionais da área ambiental.

“É preciso destacar que nós servidores não trabalhamos com ideologia, como muitos insistem em falar. A gente trabalha com a política ambiental existente, com a Constituição Federal e com os dados científicos, que são inúmeros, sobre a importância dessas questões. É isso que nos pauta, e não uma ideologia. É a ciência e a lei”, finalizou.

Edição: Aline Carrijo

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