Caminhada em Pernambuco rechaça energia nuclear

Zoraide Vilasboas, Movimento Paulo Jackson – Ética, Justiça, Cidadania / Articulação Antinuclear Brasileira

A pretensão do governo federal de impor a construção de quatro a oito usinas nucleares no Brasil, como indica o Plano Nacional de Energia 2030, esbarra na forte convicção dos pernambucanos contrários à implantação de usina atômica em Itacuruba, às margens do “Velho Chico”, no sertão nordestino.

Desde que esta hipótese surgiu, há cerca de 10 anos, o povo da região vem construindo uma resistência ao lobby nuclear, inspirada na valorização de uma cultura de paz. Os pernambucanos querem viver livres do perigo que a energia atômica representa para o meio ambiente, para a segurança hídrica do vale do São Francisco, para a Vida na Terra.

Em defesa da vida…

Em reunião com o Arcebispo de Olinda e Recife, D. Fernando Saburido (28/05), o Governador de Pernambuco, Paulo Câmara reafirmou sua oposição a instalação de um reator nuclear no Estado, como planeja o Ministério das Minas e Energia. Na oportunidade, DFernando entregou ao Governador uma “Carta em defesa da vida e em repúdio à implantação de novas usinas nucleares no Brasil, em especial no município de Itacuruba”. 

A carta, que tinha sido entregue ao Arcebispo pela Articulação Sertão Antinuclear, é assinada por mais de 100 entidades de vários estados, comunidades tradicionais, sindicatos, associações, intelectuais, pastorais e organismos ligados à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. O documento explica os motivos da critica à fonte atômica de energia e descartam “qualquer possibilidade de instalação de uma usina nuclear ou qualquer projeto de mineração que envolva extração/beneficiamento de combustível nuclear.”

…Caminhada agita o sertão

A retomada dessa movimentação antinuclear começou em final do ano passado, quando o atual governo federal anunciou uma guinada na politica nuclear, ventilando aumentar essa fonte na matriz energética brasileira e privatizar a atividade nuclear, hoje monopólio da União. A carta teve origem na crescente organização popular, articulada pelo Sertão Antinuclear, que é composto por comunidades e povos tradicionais, comissões antinucleares municipais, organizações e movimentos sociais que lutam pela implantação de uma política energética que valorize a vida!

Um dos momentos de destaque desta movimentação foi a audiência com D. Fernando Saburido (22/05), na Cúria Metropolitana, em Recife, quando o Sertão Antinuclear, apoiado pela Diocese de Floresta, entregou ao arcebispo a carta que expõe  preocupação com os impactos socioambientais que serão gerados pela eventual instalação de uma usina nuclear em Itacuruba.

Na oportunidade, D. Fernando disse que buscaria promover o diálogo entre representantes do Sertão Antinuclear, do empreendimento e do Governo do Estado para que os detalhes do projeto sejam conhecidos, pois “a Igreja é contra o que fere a vida e a dignidade humana e precisa participar das discussões que envolvem os direitos do povo de Deus, especialmente da parte mais sofrida e necessitada”.

É importante ressaltar que as ações do Sertão Antinuclear estão respaldadas na opinião da grande maioria dos brasileiros que, em pesquisas diversas, já se manifestou contra o uso dessa fonte, como aliás ocorre pelo mundo afora. Por um motivo muito simples. Abastado de fontes renováveis, o Brasil não precisa desta energia cara, poluente e perigosa.

Programação

A caminhada começa sábado próximo (15/06/19), às 5h,  com Concentração no  município de Mirandiba. Às 9h, haverá um ato contra a instalação da usina, em frente à Igreja Matriz, em Carnaubeira da Penha. Em seguida, vai de Carnaubeira para  Floresta. No domingo (16/06/19), a concentração começa 3h em Floresta rumo a Itacuruba, onde haverá um ato antinuclear em frente à Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó. 

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