Coletivos debatem atuação de mulheres na política da Baixada

Por Thábara Garcia, no Rio On Watch

No último sábado, 13 de julho, aconteceu em Duque de Caxias, na sede do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (SEPE) a Roda de Conversa: A Mulher na Política da Baixada com a participação de coletivos feministas de Magé e Caxias. A atividade, organizada pelo Núcleo de Mulheres Jovens da Casa da Mulher Trabalhadora (CAMTRA), foi espaço para o debate sobre acesso aos direitos, a participação de mulheres periféricas na política e relatos de experiências de mulheres que atuam politicamente de diversas formas na Baixada Fluminense. O evento é um esforço do núcleo para descentralizar as atividades feministas da instituição.

Para Larissa Urbano, psicóloga, moradora de Duque de Caxias e integrante do núcleo de mulheres jovens da CAMTRA, as pessoas sabem muito pouco sobre o que acontece na Baixada Fluminense, para além dos já conhecidos problemas estruturais, como a falta de segurança pública, especialmente em lugares como Belford Roxo, e as barreiras em termos de mobilidade urbana.

Para a pesquisadora do Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul (Instituto PACS), Yasmim Bitencourt, as mulheres de Duque de Caxias fazem política através da histórica luta das educadoras da cidade. Como sua mãe é professora do município, a jovem que também compõem o núcleo da CAMTRA, afirma que “a educação é um espaço onde as mulheres têm liberdade para construir o que acreditam”. 

Também foram levantadas as conquistas que as mulheres da região alcançaram ao longo da história, principalmente através do Fórum de Mulheres da Baixada Fluminense, que conta com a participação de profissionais da educação e militantes feministas da região. Dentre as vitórias do Fórum, está a construção do Plano Municipal de Política para as Mulheres de Duque de Caxias, que apontou, dentre outras demandas, a falta de maternidades na cidade. Hoje, o município está construindo uma maternidade em Santa Cruz da Serra.

Para Rose Cipriano, professora e integrante do Fórum de Mulheres da Baixada e do Coletivo Minas da Baixada, a organização do feminismo na periferia tem que ser feita de forma diferenciada. A professora aponta que muitas de suas alunas têm atitudes feministas, mas que as mesmas não se reivindicam como tal. Afinal, “a frase ‘meu corpo, minhas regras’ numa favela como o Parque das Missões, por exemplo, é impossível, porque andar de shortinho é correr um risco grande de ser estuprada”, aponta.

O debate sobre infraestrutura e mobilidade foi o principal ponto da jovem Júlia Azevedo, de 22 anos, moradora de Magé e integrante do coletivo Roda de Mulheres da Baixada. Para ela, o custo do transporte público é a maior barreira para que as mulheres da Baixada possam circular entre os espaços, tanto para lazer e cultura, quanto para participar ativamente de espaços de militância política. “Para eu chegar no Rio, eu preciso de R$20. Nenhuma exposição no CCBB é de graça pra mim. Não pude estar nas manifestações contra os cortes na educação porque eu não tinha o dinheiro da passagem”, lamenta.

Já Bia Carvalho, jornalista e empreendedora, falou sobre sua profissão e o uso político que faz dela. Bia apontou que os cursos de jornalismo formam profissionais para trabalhar exclusivamente na grande mídia. Quando ela se deu conta disso, resolveu que era preciso fazer algo diferente, pois a mídia tradicional privilegia certa ótica, invisibilizando sujeitos e narrativas da periferia, principalmente as das mulheres. Pensando nisso, criou o Mulheres de Frente, que é um empreendimento que presta consultoria em mídias digitais para mulheres periféricas. “Vou empreender. Vou usar essa comunicação para politizar outras mulheres”, afirma ela.

O bate-papo terminou com indagações sobre o processo eleitoral e a participação das mulheres, principalmente sobre a situação de candidaturas feministas na Baixada Fluminense. Para Rose Cipriano, que foi candidata à deputada estadual na última eleição e conseguiu alcançar mais de 17.000 votos. “A política institucional é um desafio para toda mulher. Ser candidata num partido de esquerda na Baixada Fluminense é desconstruir o machismo presente nas instituições mas, sobretudo enfrentar a tríade: patriarcado, coronelismo e conservadorismo”, finaliza Rose.

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