Zema, FIEMG e SAM declaram guerra contra os povos dos gerais e do semiárido mineiro

No Mab

Nesta semana, em Montes Claros, durante a FENICS – Feira Nacional da Indústria Comércio e Serviços – no dia 12 de setembro, ocorrerá um seminário intitulado Seminário de Inovação China-Brasil. O evento é financiado pela mineradora Sul Americana de Metais – SAM, empresa de controle Chinês, que quer explorar o minério de ferro no município de Grão Mogol-MG e exportá-lo sem agregação de valor para a China.

Exploração de matéria prima e mão de obra barata, deixando toda a destruição para a população que ali vive, mas também impactando severamente toda a região semiárida de Minas Gerais. Um verdadeiro projeto de MORTE! A mineradora vai utilizar 54 milhões de m³ de água por ano numa região semiárida, isso equivale ao dobro do consumo de toda a cidade de Montes Claros-MG em um ano. Pra levar a matéria prima bruta para a China, querem construir um mineroduto que leve o minério e também a nossa água até o porto de Ilhéus, na Bahia. Além disso, o projeto prevê a construção de duas barragens de rejeitos que somam 1,118 bilhões de m³ – a maior do Brasil!

A barragem de Fundão, em Mariana, continha 54 milhões de m³ e matou 21 pessoas e todo o Rio Doce, chegando até o mar. A SAM tentou licenciar o projeto no IBAMA e teve dois indeferimentos, pois o projeto é altamente insustentável. Agora a SAM fragmentou o projeto e quer licenciar a mina através do Governo de Minas, pela SUPPRI/SEMAD, a mesma que deu parecer favorável para a mina do Córrego do Feijão operar, que causou o crime da Vale em Brumadinho, deixando quase 300 mortos. A SAM tenta licenciar o mineroduto, que já teve licenciamento barrado, pelo IBAMA através da empresa Lotus, também controlada pela SAM.

Caso o projeto seja aprovado, serão totalmente destruídas pelo menos 11 comunidades tradicionais Geraizeiras em Grão Mogol, mas os impactos serão sentidos ao longo de toda bacia do Rio Jequitinhonha e do Rio Pardo, caso consigam aprovar a operação da mina e do mineroduto.  Cidades e municípios da região já convivem com o racionamento de água nos períodos de seca, vamos entregar a água, a nossa maior riqueza, nas mãos de quem só visa o lucro e deixa a destruição?

A nossa Casa Comum, está sendo destruído colocando em risco toda a sociedade. A Floresta Amazônica está em chamas. O Rio Doce já está morto. O Rio Paraopeba agoniza também. Agora querem matar o nosso Rio Jequitinhonha. Os movimentos sociais, pastorais e sindicais na região e as comunidades geraizeiras de Grão Mogol resistem a este projeto de destruição, em defesa do seu território tradicional, do Cerrado, das nossas águas e das nossas vidas!

FIEMG, ZEMA e deputados que apoiam essa insanidade são responsáveis por mais essa catástrofe anunciada!

Assinam esta carta:

Comunidades do Território Tradicional Geraizeiro de Vale das Cancelas
Comissão Pastoral da Terra (CPT)
Conselho Pastoral de Pescadores e Pescadoras (CPP)
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)
Cáritas Arquidiocesana de Montes Claros
Centro de Referência em Direitos Humanos – CRDH Norte
Frente Brasil Popular Norte de Minas
Movimento das Trabalhadoras e Trabalhores por Direitos – MTD
Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação – SindUTE
Levante Popular da Juventude de Montes Claros
Sindicato dos Eletricitários de Minas Gerais – Sindieletro
Sindicato dos Metalúrgicos de Montes Claros
Sindicato dos Tecelões de Montes Claros
Sindicato dos Servidores Municipais de Montes Claros
União da Juventude Socialista de Montes Claros – UJS
Sindicato dos Trabalhadores Rurais Assalariados e Agricultores Familiares de Montes Claros
Movimento dos Trabalhadores Sem Terra
Ong Ecos do Gorutuba
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Porteirinha
Mandato Popular da Deputada Estadual Leninha
Mandato Popular da Deputada Estadual Beatriz Cerqueira
Articulação das CPTs do Cerrado

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