Pela segunda vez, famílias ribeirinhas da comunidade Ilha Verde são despejadas em Babaçulândia (TO)

No Dia do Cerrado, 36 famílias ribeirinhas da comunidade Ilha Verde são despejadas no Tocantins

por Débora Lima e Valéria Santos – Articulação do Cerrado / CPT

Neste 11 de setembro, Dia do Cerrado, mais uma comunidade Cerradeira é expulsa do seu território, em Babaçulândia (TO). Cerca de 36 famílias ribeirinhas da comunidade Ilha Verde vêm lutando para restabelecerem suas vidas depois da formação do reservatório da Hidrelétrica de Estreito, mas o Consórcio CESTE formado pelas empresas Engie (40%), Vale (30%), Alcoa (25,49%) e InterCement (4,44%) insiste em afasta-los do seu território as margens do Rio Tocantins.

Mesmo após tentativas de diálogo do Movimento de Atingidos por Barragem (MAB) com a Polícia Militar e com a Defensoria Pública, o advogado da empresa CESTE, o oficial de justiça, representantes da empresa Lago Azul e o prefeito de Babaçulândia a comunidade da Ilha Verde está sendo despejada desde a terça-feira (10).

O megaprojeto transformou a vida do rio Tocantins, de reservatório a fio d’água de 555 km2 em 2010. Apesar da morte parcial do rio, as famílias seguem plantando e pescando desde 2012. Dentre as culturas, estão laranja, mandioca, arroz, mamão, açaí, feijão, hortaliças, além da pesca do Tucunaré, Pacu, Caranha, Curimatá, Jaraqui. Produtos esses que abastecem a feira municipal de Babaçulândia (TO).

O argumento do despejo é que as famílias estão em uma Área de Proteção Ambiental (APA). Tal argumento vale para as famílias que tiram seu sustento da terra nos aproximados 80 hectares que ocupam, mas não das casas de luxo que querem se aproveitar das riquezas do entorno do lago.

Com o despejo, foram desmontadas as estruturas produtivas e as placas eólicas que a comunidade construiu a partir dos recursos do projeto “Uso de tecnologias sociais para redução do desmatamento”, custeado pelo Fundo Amazônia/BNDES.

Vale lembrar que o laudo do despejo apresentado pela empresa não foi assistido por órgãos públicos e não há ciência detalhada sobre as famílias impactadas. Além disso, as empresas se eximiram de qualquer responsabilidade de reassentar as famílias. Como diz uma das mulheres da comunidade, muitos não tem para onde ir.

Foi feito um acordo verbal para garantir que as famílias possam entrar na área para colher as mandiocas que já foram plantadas. Com o despejo, é possível que muitas famílias estejam ainda sem um local no período de chuvas da região, que começa no final de outubro.

Considerado o Berço das Águas, o Cerrado é uma rica fonte hidrográfica que, principalmente, abriga povos diversos. As famílias da comunidade Ilha Verde são algumas dessas vidas que ocupam e preservam esse importante território. Por isso, expressamos total solidariedade ao grupo e exigimos que sua história seja respeitada e seus direitos sejam resguardados. Que as famílias da Ilha Verde tenham vida, e vida em abundância!

Foto: Débora Lima

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