TSE tem coragem para lutar contra quem não acredita na democracia, afirma Moraes

Ministro que vai comandar as eleições em outubro rebate novos ataques de Bolsonaro, ressalta defesa das urnas eletrônicas e reafirma que a Justiça Eleitoral atua pelos valores democráticos e republicanos

Por Tiago Pereira, da RBA

O vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, disse nesta quinta-feira (19) que a Justiça Eleitoral tem “coragem republicana” para enfrentar os que não acreditam no Estado democrático de direito. Ao participar de sessão em homenagem aos 90 anos da Justiça Eleitoral no Brasil, ele voltou a defender a segurança das urnas eletrônicas e destacou que o Brasil é a “única democracia” que apura os resultados das eleições no mesmo dia.

“Esse foi o surgimento da Justiça Eleitoral: vontade de concretizar a democracia e coragem para lutar contra aqueles que não acreditam no Estado Democrático de Direito. Esta mesma vontade democrática e esta coragem republicana nós temos hoje na Justiça Eleitoral brasileira”, afirmou Moraes.

“A vontade de democracia e a coragem de combater aqueles que são contrários aos ideais constitucionais e republicanos permanece”, acrescentou.

Reação

O discurso ocorre um dia após o presidente Jair Bolsonaro (PL) protocolar uma notícia-crime por abuso de autoridade contra Moraes. O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que os fatos narrados na ação “não constituem crime” e barrou o seu prosseguimento. Bolsonaro, então, acionou a Procuradoria-Geral da República contra o ministro.

Mas o procurador-geral da República, Augusto Aras, deve seguir o entendimento do STF e não deve abrir investigação contra o ministro. A informação é do jornalista Guilherme Amado, colunista do portal Metrópoles. O objetivo de Bolsonaro é colocar Moraes sob suspeição, já que ele vai comandar o TSE durante as eleições em outubro.

Sem citar Bolsonaro, no entanto, Moraes disse que os brasileiros “só têm do que se orgulhar” da Justiça Eleitoral. “É um trabalho sério, exemplar, duro, de organização, de fiscalização. Mais do que isso, trabalho de afirmação dos valores democráticos, dos valores republicanos, de conquista do Estado democrático de direito “.

Por outro lado, o vice-presidente do TSE salientou que a história brasileira tem vários exemplos de “abruptas interrupções da democracia”. Nesse sentido, ele afirmou que cabe ao tribunal dar transparência e segurança às eleições.

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