“Não toleramos assédio e discurso de ódio”, diz CEO da Bluesky

Em entrevista ao Correio, Jay Graber revela planos para o Brasil, anuncia o lançamento de trend topics na plataforma, destaca que o governo Lula “foi eleito democraticamente” e defende respeito as leis do país

Por Renato Souza, no Correio Braziliense

Há pouco mais de uma semana, o bilionário Elon Musk iniciou uma série de ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao governo brasileiro. Sem apresentar provas, ele alega que a Justiça do país determinou ilegalmente que o X(Twitter), rede social na qual ele é dono, remova perfis de personalidades. Os ataques fizeram com que milhares de brasileiros deixassem a plataforma, inclusive autoridades federais.

No entanto, ao mesmo tempo, os brasileiros começaram a migrar para a Bluesky, plataforma fundada por Jack Dorsey, antigo dono do X, que vendeu o microblog para Elon Musk. Antes acessada apenas por convite, a Bluesky liberou para que qualquer pessoa possa se cadastrar na plataforma. Com isso, o número de usuários do Brasil já supera os 100 mil, totalizando 5,5 milhões de internautas na nova plataforma.

Em entrevista ao Correio, Jay Graber, de apenas 32 anos, CEO da Bluesky, que está no comando da plataforma desde o início, defende que o governo Lula foi eleito democraticamente, afirma que a Bluesky pretende cumprir as leis e respeitar as autoridades do país, diz que não tolera discurso de ódio e anuncia novidades na plataforma, como a criação de trend topics, ou seja, lista com os assuntos mais comentados da plataforma, ainda neste ano, e a intenção de remunerar criadores de conteúdo em algum momento.

A mãe de Jay cresceu na China durante a Revolução Industrial, época em que o partido comunista restringia severamente livros e programas que a população poderia ter acesso. Por isso, ela recebeu o apelido de Lantian, que significa céu azul em mandariam. O nome seria para dizer a filha que ela deveria ter acesso a informações e liberdades que a matriarca não teve. Confira a entrevista completa:

Quais são os planos da Bluesky para o Brasil?

Estamos entusiasmados com a adesão dos usuários brasileiros! O Bluesky permite criar feeds personalizados, por isso criamos um feed do Brasil Supercluster que mostra postagens de usuários brasileiros. Qualquer pessoa pode criar um desses feeds personalizados e permitir que outras pessoas o assinem, como um subreddit.

Nossa missão é criar uma rede social aberta para conversas globais que seja divertida, saudável e que ofereça aos usuários mais opções do que plataformas onde as decisões são tomadas por um pequeno grupo de pessoas.

Como você vê essa migração dos brasileiros do X (Twitter) para o Bluesky? Quantos brasileiros já estão na plataforma?

Bluesky recebeu cerca de 100 mil novos usuários brasileiros nos últimos dias, elevando nosso total de usuários para cerca de 5,5 milhões de pessoas, e adoraríamos que mais pessoas participassem!

Os usuários brasileiros sempre foram uma parte importante do Bluesky. Os brasileiros foram uma das primeiras comunidades a aderir ao Bluesky em 2023, quando toda a comunidade tinha menos de 20 mil usuários. Como a rede era pequena e aconchegante naquela época, a equipe Bluesky fez amizade com muitos usuários brasileiros. Muitos desses primeiros usuários permaneceram no Bluesky, ajudando a desenvolver a cultura de piadas e memes do Bluesky, e esperamos que mais brasileiros venham e participem da conversa.

Como a senhora avalia as acusações de Elon Musk contra o Supremo Tribunal Federal e o governo brasileiro de que o país vive uma ditadura?

Reconhecemos o governo brasileiro como um governo eleito democraticamente pelo seu povo.

A Bluesky possui escritório no Brasil ou pretende abrir nos próximos meses?

A Bluesky é uma empresa remota e atualmente não temos escritórios em nenhum lugar do mundo.

A Bluesky pretende cooperar com as autoridades brasileiras, tanto na Justiça Eleitoral quanto na Justiça Comum?

Pretendemos respeitar totalmente as leis e autoridades locais do Brasil e tomar decisões de moderação de conteúdo caso a caso, de acordo com nossas Diretrizes da Comunidade.

Existe algum plano da Bluesky para compensar os criadores de conteúdo?

Ainda não temos um programa em vigor, mas teremos em algum momento! Agora é um ótimo momento para os criadores terem relacionamentos mais próximos e íntimos com seu público no Bluesky, assim como nos primeiros dias da web.

A plataforma pretende incentivar o trabalho jornalístico, de profissionais independentes ou de veículos de comunicação?

Sim, uma imprensa livre e independente é essencial para uma democracia saudável, que a Bluesky foi construída para defender. Muitos jornalistas e meios de comunicação, como The Washington Post, NPR e Techcrunch, foram os primeiros usuários do Bluesky e estamos gratos por seu voto inicial de confiança. Temos o prazer de receber o Brasil 247 e outros meios de comunicação e jornalistas brasileiros!

A Bluesky terá um programa de verificação para autoridades, governos, influenciadores e outras personalidades?

No Bluesky, você pode usar domínios como identificadores como forma de autoverificação. Por exemplo, uma redação como a NPR definiu seu identificador como @npr.org . Qualquer jornalista que a NPR queira verificar pode usar subdomínios para definir seus identificadores como @ name.npr.org .

A plataforma pretende adotar o formato de tendências, que traz os assuntos mais comentados da rede?

Bluesky adicionará recursos como tópicos de tendência ainda este ano.

Existem mecanismos de denúncia e combate ao discurso de ódio, racismo, homofobia, fake news, nazismo, pedofilia e outros crimes na rede Bluesky?

A moderação é a espinha dorsal de espaços sociais saudáveis online. Não toleramos assédio ou discurso de ódio, como você pode ler em nossas Diretrizes da Comunidade. Além dessa base sólida, os usuários podem criar e assinar camadas adicionais de moderação empilháveis. Isso permite que as comunidades tenham mais controle sobre seus espaços online. Mais abaixo:

    • Bluesky é construído sobre uma estrutura de moderação empilhável. Fornecemos uma base de cobertura em áreas políticas como spam, assédio, discurso de ódio e desinformação eleitoral. Nossa equipe de moderadores está localizada globalmente, com moderadores locais revisando o conteúdo brasileiro. Qualquer usuário pode denunciar conteúdo ou contas por meio do aplicativo, e isso é revisado em menos de 24 horas.
    • Além disso, as comunidades também podem automoderar e rotular conteúdos que consideram prejudiciais ou indesejáveis. Os usuários podem criar suas próprias etiquetas usando uma versão aberta do Ozone, nossa ferramenta interna de moderação, e qualquer pessoa pode assinar esses serviços de etiquetagem independentes. Essas ferramentas estão sendo rapidamente adotadas por usuários que desejam construir sua própria experiência na plataforma Bluesky, seja ela livre de capturas de tela de outras plataformas, ou para manter suas comunidades online mais seguras.

Que mensagem você deixa para os internautas brasileiros?

Olá, amigos brasileiros! Junte-se a nós para fazer parte de uma comunidade vibrante e inclusiva, onde suas ideias e opiniões são valorizadas. Vai ser incrível ter você no Bluesky!

CEO da Bluesky, Jay Graber. Foto: arquivo pessoal /Jay Graber

 

 

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