Desmatamento caiu em todos os biomas brasileiros em 2024, aponta MapBiomas

Mesmo com queda expressiva no desmatamento, o Cerrado segue como o bioma mais atingido, representando mais da metade do total nacional

ClimaInfo

Pela primeira vez desde 2019, todos os biomas brasileiros apresentaram redução ou estabilidade no desmatamento em um mesmo ano, revelou o Relatório Anual do Desmatamento (RAD) divulgado nesta 5a feira (15/5) pelo MapBiomas.

Os dados de 2024 mostram um recuo de 32,4% na área total desmatada em relação a 2023, consolidando uma tendência de queda após o declínio de 11% registrado no ano anterior. No total, 1,24 milhão de hectares de vegetação nativa foram suprimidos, distribuídos em 60.983 alertas validados.

O Cerrado segue como o bioma mais atingido, com 652 mil hectares desmatados (52,5% do total nacional), mas registrou queda expressiva de 40%. Como destacou Carlos Madeiro no UOL, a região do MATOPIBA, (territórios de intersecções entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), palco de avanço agressivo da fronteira agrícola, concentrou 75% dessa perda.

Enquanto isso, a Amazônia atingiu seu menor índice na série histórica: 377.708 hectares devastados, com destaque para a redução na região da AMACRO (nas intersecções entre Amazonas, Acre e Rondônia), embora o estado do Acre tenha apresentado um aumento de 30%.

Apesar da queda, como o g1 lembrou, a área degradada na Amazônia entre 2022 e 2024 cresceu 163% devido principalmente aos incêndios florestais e queimadas durante a seca extrema do ano passado. Em 2024, foram degradados 25 mil km² de floresta, com o desmatamento caindo 54% no mesmo intervalo.

Entre as quedas mais significativas, o Pantanal surpreendeu com redução de 58,6%, seguido por Pampa (-42,1%) e Cerrado (-41,2%). A Caatinga, porém, viveu um paradoxo. Mesmo com recuo geral, ela abrigou o maior alerta individual já registrado pelo MapBiomas – 13.628 hectares devastados em uma única propriedade no Piauí em três meses. Já a Mata Atlântica manteve-se estável após queda de 60% em 2023, mas eventos climáticos no Rio Grande do Sul elevaram as perdas locais em 70%.

Maranhão (pelo segundo ano consecutivo) e Pará lideram o ranking dos estados, somando 65% da destruição nacional. Porém, como ressaltado pela Exame, o estado sede da COP30 foi o que mais acumulou desmatamento entre 2019 e 2024, um total aproximado de 2 milhões de hectares, enquanto municípios piauienses como Canto do Buriti e Jerumenha viraram epicentros de crescimentos proporcionais alarmantes.

O relatório traz nuances esperançosas para as Unidades de Conservação, que tiveram queda de 42,5% no desmatamento, e Terras Indígenas, que registraram alertas em apenas 33% de seus territórios. Em relação aos tipos de vegetação mais atingidos, as formações savânicas lideraram a perda, com 52,4%, seguidas pelas formações florestais, com 43,7%.

Como Giovana Girardi destacou na newsletter da Agência Pública, o coordenador do MapBiomas, Tasso Azevedo, indica que os bons números podem ser resultado de uma combinação de pelo menos três fatores: a retomada, por parte do governo federal, do programa de combate ao desmatamento na Amazônia e a elaboração de planos similares para todos os biomas do país; um aumento da participação dos estados nessas ações, se somando ao aumento dos embargos e autuações feitos pelo IBAMA; e uma atenção maior dos bancos para dados sobre desmatamento na hora de decidir sobre a concessão de crédito rural.

Agência BrasilBrasil de FatoCNN BrasilDeutsche WelleFolhaUOL e VEJA,  entre outros, noticiaram os números do MapBiomas.

Vista aérea do Parque Nacional do Juruena, na Amazônia – Foto: Adriano Gambarini/Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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