Evento gratuito em SP discute as contradições da transição energética a partir de mini documentário sobre mineração 

Sessão gratuita no Memorial da Resistência de São Paulo terá debate com pesquisadoras sobre os impactos da expansão da mineração associada à produção de tecnologias sustentáveis

Por Fundação Rosa Luxemburgo

No dia 15 de agosto, das 15h às 17h, o Memorial da Resistência de São Paulo recebe a exibição do mini documentário “Mineração, Lucro e Devastação – A farsa da transição energética”, iniciativa da Fundação Rosa Luxemburgo e do Brasil de Fato, que propõe uma reflexão crítica sobre o papel da mineração na chamada transição energética. Após a sessão, o público poderá acompanhar um debate com pesquisadoras que investigam os impactos políticos, sociais e ambientais da expansão da atividade mineral associada à produção de tecnologias voltadas à redução das emissões de carbono.

O documentário, que teve pré-estreia na COP30, em Belém, examina uma das principais tensões da agenda climática contemporânea. Enquanto governos e empresas apresentam a transição energética como resposta à crise climática, cresce a demanda por minerais estratégicos — como lítio, cobre e níquel — para abastecer tecnologias de baixo carbono. Esse movimento amplia a fronteira mineral no Sul Global e intensifica conflitos territoriais, ambientais e sociais.

A partir de relatos de comunidades atingidas e de análises de pesquisadoras e militantes, a produção evidencia os efeitos da expansão minerária, como a financeirização da natureza, a contaminação das águas, o adoecimento das populações e o enfraquecimento das economias locais.

“Os territórios atingidos pela mineração continuam pagando a conta de um modelo que se apresenta como solução climática, mas que reproduz as mesmas violências de sempre”, afirma Elisangela Soldateli Paim, coordenadora do Programa Latino-Americano de Clima e Energia da Fundação Rosa Luxemburgo.

Monyse Ravena, Coordenadora de Jornalismo do Brasil de Fato, comenta a relevância da temática: “O tema da exploração capitalista do meio ambiente e os impactos para a sociedade brasileira são pautas prioritárias no Brasil de Fato, em diversas linguagens. Esse documentário é uma expressão importante dessa prioridade e materializa a visão popular dos fatos que praticamos.”.

Para a diretora e produtora do documentário, Katarine Flor, a produção busca ampliar o debate público sobre os custos humanos e ambientais do atual modelo de transição energética. “O documentário conecta histórias de pessoas diretamente afetadas pela mineração às discussões sobre clima, desenvolvimento e justiça ambiental. Mais do que apresentar um diagnóstico, ele convida o público a refletir sobre quem suporta os custos dessa transformação e quais caminhos podem garantir uma transição energética verdadeiramente justa.”

Nina Fideles, diretora executiva do Brasil de Fato, ressalta a importância de ampliar a visibilidade de temas frequentemente negligenciados ou abordados de forma superficial pela mídia tradicional. “O Brasil de Fato tem como um dos seus nortes a produção de reportagens que consigam aprofundar temas sobre os quais poucas pessoas falam. Por isso, é fundamental ter parceiros como a Fundação Rosa Luxemburgo que possam compartilhar dessa responsabilidade e somar esforços nessa nossa luta de ser didático com nossa audiência e de repercutir temas que ficam muito às margens da mídia comercial”. 

Após a exibição, haverá uma conversa aberta com Elisangela Soldateli Paim, coordenadora do Programa Latino-Americano de Clima e Energia da Fundação Rosa Luxemburgo; Litz Gouvea, militante e ativista socioambiental integrante do coletivo Clima Ácido; e Esther Fróes, militante do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM-MG) e doutoranda em Economia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O debate discutirá os desafios da chamada transição energética diante da expansão da mineração, os impactos sobre comunidades e territórios, a disputa por minerais estratégicos e as possibilidades de construção de modelos energéticos comprometidos com a justiça climática, os direitos humanos e a soberania dos povos.

A atividade é gratuita e aberta ao público. A proposta é aproximar pesquisadores, movimentos sociais, estudantes, jornalistas e demais interessados de um debate urgente sobre os caminhos da política climática e os desafios para construir uma transição energética baseada na justiça social e ambiental.

FICHA TÉCNICA

Direção e Produção: Elisangela Soldateli Paim e Katarine Flor
Reportagem: Igor Carvalho
Fotografia: Ana Carolina Haddad, Iolanda Depizzol e Marcelo Cruz
Roteiro: Afonso Bezerra e Vitor Shimomura
Edição: Marcelo Cruz
Identidade Visual: Marco Vieira
Produção Executiva: Katarine Flor
Coordenação de Projeto Editorial: Monyse Ravena
Coordenação de Comunicação: Caroline Apple
Revisão de Conteúdo: Caroline Boletta

SERVIÇO

Mineração, Lucro e Devastação – A farsa da transição energética”: exibição do minidocumentário e debate

Data: 15 de agosto de 2026 (sábado)
Horário: 15h às 17h
Local: Memorial da Resistência de São Paulo
Endereço: Largo General Osório, 66 – Santa Ifigênia, São Paulo/SP

Participam do debate:

– Elisangela Soldateli Paim, coordenadora do Programa Latino-Americano de Clima e Energia da Fundação Rosa Luxemburgo;

– Litz Gouvea, militante e ativista socioambiental integrante do coletivo Clima Ácido; 

– Esther Fróes, militante do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM-MG) e doutoranda em Economia pela UFMG.

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