ONU lança portal em português sobre escravidão e comércio transatlântico de pessoas escravizadas

Novo portal reúne conteúdos sobre memória, resistência e justiça histórica, com foco no impacto da escravidão e no combate ao racismo

Por Giovanne Ramos, Alma Preta

O Departamento de Comunicação Global das Nações Unidas lançou uma versão em português da página do Programa de Divulgação sobre o Comércio Transatlântico de Escravos e a Escravidão. A iniciativa amplia o acesso a informações sobre a história da escravidão, a resistência das populações africanas e afrodescendentes e os impactos nas sociedades contemporâneas.

O novo portal reúne materiais educativos, conteúdos multimídia e informações sobre ações das Nações Unidas voltadas à promoção da igualdade racial, dos direitos humanos e da justiça histórica. 

O objetivo é fortalecer a preservação da memória, ampliar o conhecimento sobre a escravidão e incentivar o debate sobre os legados do racismo.

Criado em 2007 pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da Resolução 62/122, o Programa Global de Divulgação sobre o Comércio Transatlântico de Escravos e a Escravidão busca difundir informações sobre as consequências históricas da escravidão e reconhecer as contribuições sociais, culturais e históricas das populações africanas e afrodescendentes.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) destacados pela iniciativa, cerca de 12,5 milhões de africanos e africanas foram deportados à força entre os séculos XVI e XIX por meio do comércio transatlântico de pessoas escravizadas. Desse total, aproximadamente 5 milhões foram levados para o Brasil, o maior destino desse sistema nas Américas.

Memória, educação e enfrentamento ao racismo

Além de apresentar dados históricos, o programa promove pesquisas, ações educativas e iniciativas voltadas ao reconhecimento das consequências da escravidão e do racismo. 

A proposta também destaca histórias de resistência, luta por liberdade e trajetórias das pessoas escravizadas e de seus descendentes.

Entre os marcos da iniciativa está a Arca do Retorno, memorial permanente instalado na sede das Nações Unidas, em Nova York. O monumento homenageia as vítimas da escravidão e do comércio transatlântico de pessoas escravizadas e convida o público a refletir sobre os efeitos desse passado nas desigualdades e na discriminação racial.

O portal também dedica espaço ao Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Comércio Transatlântico de Pessoas Escravizadas, celebrado anualmente em 25 de março. 

A data busca lembrar as vítimas, reconhecer a resistência das pessoas escravizadas e incentivar ações globais de enfrentamento ao racismo e às desigualdades.

Na mensagem divulgada por ocasião da data, o secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o comércio transatlântico de pessoas escravizadas como “um crime contra a humanidade que atingiu o cerne da dignidade humana, separou famílias e devastou comunidades”.

Guterres também afirmou que “o antigo veneno do racismo está vivo e ativo em todas as comunidades, sociedades, países e regiões do mundo”. 

Segundo ele, o legado da colonização, da escravidão e da opressão continua presente em desigualdades econômicas, sociais e políticas, além de alimentar práticas discriminatórias e conflitos.

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