MAB fortalece organização popular e a luta das comunidades atingidas no Baixo Tocantins

Atividades em comunidades do Pará debateram direitos, regularização fundiária e desafios dos povos do campo, das águas e das florestas

por Maria Elen Lopes, MAB

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) realizou, na última quinta-feira (30/07), uma agenda de mobilização e formação política no Baixo Tocantins, fortalecendo o diálogo com as comunidades de Mocajuba e Cametá, no Pará. As atividades reuniram agricultores, ribeirinhos e lideranças para debater direitos, fortalecer a organização popular e construir coletivamente os próximos passos da luta dos atingidos.

A programação teve início pela manhã na comunidade Campinho do Icatu, em Mocajuba, com a entrega de um tratorito destinado à agricultura familiar. O equipamento foi viabilizado pelos mandatos da deputada estadual Maria do Carmo (PT) e do deputado federal Airton Faleiro (PT), para fortalecer a produção das famílias da comunidade, contribuir para melhorar as condições de trabalho, ampliar a produção de alimentos e garantir mais dignidade para quem vive da agricultura.

A entrega reforça a importância do investimento na agricultura familiar como instrumento de fortalecimento da permanência das famílias no campo, da soberania alimentar e da organização dos territórios. Os moradores expressaram sua gratidão com a chegada do tratorito, destacando a importância do equipamento para fortalecer a produção agrícola da comunidade.

“Quero agradecer ao MAB por destinar esse tratorito para a nossa comunidade. Esse equipamento vai ajudar muito as famílias agricultoras, melhorar as condições de trabalho e fortalecer a nossa produção. É um incentivo importante para quem vive da agricultura e luta todos os dias para produzir alimento e permanecer aqui nesse território”, destacou Odercio Monteiro, liderança do MAB em Mocajuba.

A agenda seguiu para a comunidade Paruru do Meio, em Cametá, onde o MAB promoveu um encontro de formação política e de escuta com moradores das ilhas da região. O espaço foi marcado pelo diálogo sobre os direitos das populações atingidas, a regularização de áreas junto ao Incra e outras demandas apresentadas pelas comunidades.

Durante a atividade, Maria Dias, da coordenação do MAB em Cametá, conduziu uma formação sobre a história do Movimento, resgatando a trajetória de organização construída pelos atingidos e destacando a importância da luta coletiva para a conquista de direitos e a defesa dos territórios amazônicos.

“Conhecer a história do MAB é entender que os direitos que temos hoje não surgiram do nada. Eles são frutos de muita luta, organização e participação popular. Quando conhecemos essa trajetória, percebemos que os problemas enfrentados nos territórios fazem parte de uma luta maior em defesa dos rios, dos territórios e do nosso modo de vida”, afirmou Maria.

Outro tema debatido foi a atuação das Brigadas de Agitação e Propaganda para o processo eleitoral de 2026. O encontro destacou a importância da organização de base, da formação política e do diálogo permanente com as comunidades para fortalecer a participação popular e ampliar o debate sobre os direitos da classe trabalhadora. A atividade abriu espaço para que moradores das ilhas compartilhassem suas principais demandas, fortalecendo a escuta do Movimento e a construção coletiva das ações que serão desenvolvidas na região.

Para a coordenação do Movimento, fortalecer a presença nos territórios significa construir organização popular a partir da realidade vivida pelas comunidades, ouvindo suas necessidades e fortalecendo a luta coletiva em defesa dos direitos dos povos do campo, das águas e das florestas.

Ao percorrer Mocajuba e Cametá, o MAB reafirma seu compromisso com a construção de uma Amazônia onde os direitos das populações atingidas sejam respeitados. Entre formação política, escuta das comunidades e fortalecimento da agricultura familiar, o Movimento segue organizando os territórios e fortalecendo a luta coletiva no Baixo Tocantins e na Amazônia.

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