AAB debate expansão nuclear no Brasil em Encontro Nacional

Programa Nuclear Brasileiro é alvo de críticas de especialistas, que questionam o discurso de “soberania e defesa nacional”, como justificativa para investir gigantescos recursos públicos em negócios nucleares.

por Articulação Antinuclear Brasileira

O Encontro Nacional da Articulação Antinuclear Brasileira (AAB) será aberto com um painel sobre Ciência, Justiça Climática, Direitos Humanos e da Natureza sábado próximo (12/09), às 8 horas, marcando os 15 anos de existência, resistência e mobilização popular contra a eletricidade nuclear e em defesa das fontes renováveis de energia. No painel, especialistas multidisciplinares farão uma conexão entre suas temáticas de atuação e os conflitos socioambientais associados à implantação e manutenção do Programa Nuclear Brasileiro, em especial nos estados-sede das atividades atômicas (Bahia, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo).

O debate ocorre em meio ao impacto do discurso defendido por lobistas nucleares, de forte atuação no Congresso e no Palácio do Planalto, de que o domínio pleno do ciclo nuclear – incluindo a produção de bombas atômicas – fortaleceria a soberania nacional e a defesa do país, diante das disputas geopolíticas internacionais. Mas, para os organizadores do encontro, o domínio do ciclo nuclear e o desenvolvimento da indústria nuclear militar, não representam garantia de segurança nacional. A realidade demonstra que a posse de armas nucleares não elimina guerras. Ao contrário, a expansão da capacidade armamentista pode contribuir para aprofundar tensões e conflitos geopolíticos, hoje em escalada global. E mais: a soberania de um país não pode ser construída à custa da insegurança de suas próprias populações.

CONTAMINAÇÃO E AMEAÇA À VIDA

Um dos participantes do painel de abertura, o educador popular, formado em Filosofia, Teologia e Ciências Sociais, Ivo Poletto, do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental, sustenta que não existe uso “seguro” da energia nuclear “pois ela sempre ameaça a vida. Não há como extrair do solo o urânio sem provocar rastros de contaminação de tudo: solo, água, seres vivos. Não há como usar esta fonte de energia para fins pacíficos, sem gerar lixo perene, que ninguém e nada pode tocar sem ser contaminado mortalmente.” 

Mediada pelo antropólogo Whodson Silva, do Projeto Nova Cartografia Social, a mesa reúne ainda:

– Maria Vera Castellano, médica pneumologista e cofundadora da Associação Nacional dos Trabalhadores da Produção de Energia Nuclear (ANTPEN), apresentará os riscos ambientais de empreendimentos atômicos, os efeitos da radiação ionizante sobre trabalhadores do setor e as lacunas da legislação de proteção.

– Heitor Scalambrini, físico nuclear com doutorado pela Universidade de Marselha, que apresentará dados mostrando que o Brasil não precisa da energia atômica para atender suas necessidades de energia elétrica e gera mais eletricidade do que consome – argumento central contra a necessidade de novas usinas nucleares;

– José Edilberto da Silva Resende, advogado, atuante em recursos hídricos e meio ambiente, analisará os impactos da mineração no Planalto de Poços de Caldas (MG), incluindo os novos projetos de exploração de terras raras;

AMPLIAR A RESISTÊNCIA ANTINUCLEAR

Após o painel, serão realizados trabalhos em grupos, que abordarão questões fundamentais para compreensão das implicações do avanço das perigosas ameaças de expansão da indústria nuclear, civil e militar, que estão sendo propostas para o Brasil. Em plenária final, os participantes vão compartilhar o balanço da atuação do movimento antinuclear e estratégias de reorganização da AAB, a fim de fortalecer sua incidência em redes que atuam em escala nacional.

Realizado em parceria com o Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental e o Projeto Nova Cartografia Social, com apoio do Fundo CASA, o encontro coroa um processo de construção coletiva – que reuniu ativistas, comunidades atingidas, pesquisadores e estudantes em reuniões e oficinas ao longo dos últimos meses – e será certificado como atividade de extensão pela UFRB.

Não é necessário inscrição para ter acesso ao painel, a ser transmitido na plataforma Zoom, pelo link:  https://us06web.zoom.us/j/81858058862

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