Pesquisadores refletem sobre possíveis riscos e efeitos do El Niño em 2026 à luz das enchentes de 2024 e das ações realizadas pelo poder público nos últimos dois anos
Por Patricia Fachin, IHU
Dois anos depois da maior enchente registrada no Rio Grande do Sul, a previsão de novas cheias por causa do El Niño está causando apreensão na população gaúcha. Qual será a magnitude de um possível evento extremo e se o estado está preparado para enfrentar os efeitos desse fenômeno climático neste ano são duas das perguntas que inquietam as pessoas, particularmente aquelas que foram amplamente atingidas em 2023 e 2024.
Para responder a essas questões, o Instituto Humanitas Unisinos – IHU promoveu a mesa redonda “El Niño 2026. O Rio Grande do Sul está preparado?”. Participaram do evento Alexania Rossato, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que acompanhou de perto a realidade das famílias atingidas, Guilherme Marques e Rodrigo Paiva, professores do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que realizam pesquisas na área de hidrologia e gestão dos recursos hídricos. A seguir, publicamos, no formato de entrevista, os principais pontos abordados pelos participantes.
Segundo Paiva, atualmente o Pacífico já está 0,9 graus mais aquecido, o que caracteriza ocorrência de El Niño. De acordo com projeções climáticas, explica, a probabilidade é que o fenômeno se intensifique no segundo semestre, a partir de setembro, aumentando as chuvas na região Sul. Apesar das estimativas, assegura, “não é possível prever detalhadamente onde esses eventos vão acontecer, em quais rios, e em que magnitude, nem exatamente quando”.
Guilherme Marques reflete sobre o significado de estarmos preparados num contexto de mudança climática e questiona quais riscos serão aceitáveis pela sociedade. “Preparo a eventos extremos vai além do preparo contra desastres. Se preparar contra eventos extremos implica conseguirmos avaliar diferentes trajetórias e soluções integradas, especialmente considerando a existência de eventos que não conseguimos modelar probabilisticamente. É o que chamamos, na literatura, de deep uncertainties, isto é, incertezas profundas”.
Alexania Rossato chama a atenção para a situação das famílias dois anos após as enchentes de 2024. Relata a falta de assistência das prefeituras e a inexistência de programas específicos para atender às demandas dos atingidos. “O que se viu e se vê ainda é um despreparo das prefeituras no cadastramento e reconhecimento das famílias. Em Arroio do Meio há um alto número de subnotificações de famílias atingidas depois de dois anos da enchente”.
Alexania Rossato é graduada em Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, e mestre em Comunicação Midiática pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), e especialista em Energia e Sociedade no Capitalismo Contemporâneo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Integra o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que atuou nas cozinhas solidárias organizadas para atender as comunidades atingidas pelas enchentes de 2023 e 2024 no Rio Grande do Sul.
Guilherme Marques é doutor em Engenharia de Recursos Hídricos e Ambiental pela Universidade da Califórnia, Davis. Leciona no IPH/UFRGS e coordena o Núcleo de Pesquisa em Planejamento e Gestão de Recursos Hídricos (GESPLA). Atua como representante no Comitê de Bacias do Rio Gravataí, como presidente do Conselho Superior de Regulação da Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento do Rio Grande do Sul (AGESAN-RS) e consultor do Banco Mundial em projetos sobre segurança hídrica, gestão de recursos hídricos e preparo e adaptação às mudanças climáticas. É editor associado da revista Sustainable Water Resources Management (Springer Nature).
Rodrigo Paiva é professor do IPH, onde desenvolve ensino e pesquisa em hidrologia, modelos hidrodinâmicos e observações de satélite no contexto de mudanças ambientais e gestão dos recursos hídricos. Coordena o projeto Tecnologias para Análises Hidrológicas em Escala Nacional, financiado pela Agência Nacional das Águas e Saneamento Básico (ANA). Seus estudos recentes incluem a análise da sensibilidade e impactos de variabilidade e mudanças climáticas sobre vazões de cheias e secas e na segurança hídrica na América do Sul, processos hidrodinâmicos de cheias naturais e de rompimentos de barragens, previsão e hidrologia da bacia Amazônica.
Confira a entrevista.
IHU – O Rio Grande do Sul está preparado para lidar com os possíveis efeitos do El Niño previsto para este ano?
Alexania Rossato – Não estamos preparados para um novo El Niño ou uma nova enchente no estado, assim como não estávamos preparados de 2023 para 2024. Claro que aquele foi um período mais curto, de oito meses de diferença entre a enchente de setembro de 2023 para a de maio de 2024, mas não estamos preparados.
Eu estava em Cruzeiro do Sul no dia antes da devastadora enchente de 2024 e vi o desespero nas comunidades: famílias atacavam caminhões para levarem suas mudanças. Não existia um preparo dos municípios para salvar as pessoas, carregar as mudanças ou retirar as populações das áreas atingidas.
A população, de certa forma, é muito sábia. A enchente de 2023 ensinou os moradores do Vale do Taquari a se salvar, porque se a enchente de 2024 tivesse acontecido no ano anterior, mais pessoas teriam falecido. Em 2023 muitos se salvaram nos telhados das casas que, em 2024, foram levados pela enchente.
Guilherme Marques – O que significa estar preparado? Se buscamos responder a essa pergunta, precisamos definir muito bem o que significa estar preparado. Isso pode significar coisas diferentes para pessoas diferentes, dependendo de qual lado você está: se está cuidando da preparação ou se está ao lado de quem foi atingido. Algumas pessoas estão dos dois lados.
Previsões para o segundo semestre
Alguns órgãos já fizeram previsões para o contexto em que estamos em relação ao El Niño. A percepção mais convergente é que aumentou consideravelmente o risco, com probabilidade altíssima de cheias para o segundo semestre, se estendendo até 2027. Há um aumento da possibilidade de risco, com chuvas intensas no Sul, deslizamentos e eventos de seca em outras regiões do país, incluindo a Amazônia. Porém, existe uma incerteza sobre a intensidade máxima e qual será, de fato, a magnitude do El Niño.
Para analisarmos o conjunto de previsões para o fim deste ano e para o próximo, tracei uma linha vertical mostrando o início de setembro, que foi quando aconteceu a cheia na bacia do Taquari em 2023. As previsões para setembro marcam um aumento da temperatura acima de dois graus, que é considerado muito forte.
Falar em super El Niño é uma classificação informal. Nenhum órgão fala nisso. Essas classificações informais são apresentadas pela mídia. Pelos métodos científicos, não há uma classificação, há uma avaliação de probabilidades. Porém, o NOAA (sigla em inglês para Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) tem uma classificação informal segundo a qual o aquecimento do Pacífico acima de dois graus caracteriza um El Niño muito forte. Estamos trabalhando com uma previsão de dois graus, porém, várias previsões estão considerando um aquecimento acima de três graus.
Incertezas profundas
Falamos em preparo contra desastres, só que preparo para lidar com eventos extremos vai além do preparo contra desastres. Se preparar contra eventos extremos implica conseguirmos avaliar diferentes trajetórias e soluções integradas, seja de uso da água, de ordenamento do território ou de planejamento da infraestrutura, especialmente considerando a existência de eventos que não conseguimos modelar probabilisticamente. É o que chamamos, na literatura, de deep uncertainties, isto é, incertezas profundas. Esses são aqueles eventos em que não há um acordo ou um consenso na comunidade técnico-científica sobre qual é a probabilidade de sua ocorrência, quais modelos usar para modelá-los probabilisticamente – se é que existe algum – e, especialmente, qual é o impacto, a gravidade e o valor desses eventos. Não existe concordância sobre isso.
A possibilidade desse tipo de evento coloca as soluções em xeque, especialmente quando falamos em infraestrutura, que é uma coisa rígida. Uma vez que se projeta um dique, ele tem uma certa altura e vamos conviver com essa obra pelos próximos anos ou décadas. E aí surge a questão: será que aquele dique, de fato, vai nos proteger?
Risco futuro aceitável
Nesse sentido, nos preparar exige, num primeiro momento, olhar com mais cautela para soluções estruturais e incluir estratégias para alinhar e direcionar ações e investimentos na direção de um objetivo comum. Podemos dizer que vamos fazer várias coisas: zoneamentos, diques etc. Tudo isso vai ajudar a reduzir o risco, mas a questão é: qual é o nosso objetivo? Qual é o nível de risco futuro que vamos considerar aceitável?
Falamos pouco disso durante e após as enchentes, mas não existe risco zero; existem trade-offs, ou seja, sacrifícios e custos para redução do risco. Esses sacrifícios e custos impactam a sociedade de forma diferente. Precisamos ter uma discussão social um pouco mais aberta e transparente em relação a isso.
Finalmente, estarmos preparados para eventos extremos pede uma estrutura de governança multinível, ou seja, que envolva os municípios, as bacias hidrográficas e a União para nos dar a capacidade de implementar as estratégias. Ou seja, precisamos de uma estratégia, mas também de capacidade para implementá-la. Do contrário, vamos continuar sofrendo com perdas e danos.
Isso tudo ocorre num contexto de falência hídrica. Nós estamos numa trajetória insustentável. Não existe um normal ao qual retornar. Nós precisamos mudar a trajetória e a forma como tomamos decisões. Nesse contexto, quando olhamos para a água e para o território, ambos precisam ser geridos como elementos conectados por processos e não simplesmente como recursos hidrológicos, climáticos e ecossistêmicos.
Gestão
Falamos de gestão de recursos e de ordenamento do território, mas essas duas coisas estão conectadas por processos, enquanto nosso planejamento está fragmentado. Fazemos o ordenamento do solo, de um lado, e a gestão de recursos hídricos, do outro lado, mas essas duas esferas não conversam.
Além disso, não podemos ignorar os trade-offs e os custos de adaptação para a sociedade, porque cada município tem seus objetivos. Todo município quer usar o seu território, produzir, construir habitação, ter uma economia vibrante, gerar empregos e arrecadação. Então, quando começarmos a sacrificar alguns usos, a adaptação trará custos. Ou seja, mudar de trajetória trará custos. Temos que olhar para a forma como vamos distribuir esses custos para a sociedade.
Há pelo menos 60 anos estamos falando sobre zoneamento. Toda vez que acontece uma cheia, falamos sobre a necessidade de fazer zoneamento. Por que esses planos não saíram do papel? Por que falamos sobre zoneamento, mas não conseguimos implementá-lo? Porque existem trade-offs, existem custos, existe uma série de aspectos que não foram considerados nas estratégias.
IHU – O atual sistema de governança é apropriado para o novo contexto de mudança climática?
Guilherme Marques – Segundo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), infelizmente, não. Nós temos uma estrutura de governança e tomada de decisão que foi feita para resolução de problemas de 40 anos atrás. Infelizmente, ela não está adequada ao contexto de risco que nós temos hoje e isso precisa mudar.
Temos uma estrutura de governança e tomada de decisão que foi feita para resolução de problemas de 40 anos atrás. Ela não está adequada ao contexto de risco que nós temos hoje — Guilherme Marques Tweet.
Precisamos aumentar a nossa capacidade de executar e tomar decisões. Precisamos planejar, operar e manter a infraestrutura. Isso depende de instrumentos e os instrumentos dependem da governança. Medidas estruturais dependem de medidas não estruturais. Não tem como implementar uma medida estrutural sem ter uma medida não estrutural porque uma infraestrutura precisa de um modelo de gerenciamento para dar sustentabilidade financeira para aquela infraestrutura. Aí surgem outras questões: quem vai ser beneficiado? Quem paga? Como paga?
Modelo de gerenciamento
Tivemos a oportunidade, em alguns trabalhos, de percorrer o sistema de diques em São Leopoldo. Salta aos olhos o nível de deficiência existente. São problemas de toda a natureza, desde deficiências em manutenção até ocupação irregular das áreas do dique. Ou seja, há uma infraestrutura que foi calculada, mas não se trata apenas de fazer infraestruturas. Trata-se de fazer infraestruturas, definir e ajustar suas cotas, mas ter um modelo de gerenciamento por trás da infraestrutura. Do contrário, a infraestrutura vai funcionar até certo ponto e depois vai falhar. A infraestrutura é tão boa quanto o sistema que está por trás dela. Mas isso tudo custa dinheiro. Até agora, preferiu-se investir na infraestrutura, naquilo que dá visibilidade.
Há um problema com a infraestrutura hídrica em todo o país. Temos um passivo de infraestrutura gigantesco, sem sustentabilidade financeira e sem recursos definidos para poder garantir a segurança.
Outra questão necessária é a articulação entre ordenamento do território, uso de planícies e várzeas e proteção das áreas úmidas. Isso depende do ordenamento do território. Como é essa articulação? Ela precisa existir para estarmos preparados.
Também é importante uma gestão adaptativa. É preciso fazer com que o aprendizado com os efeitos de cada evento sirva para melhorar a gestão no futuro. Depois da ocorrência de cada evento é preciso saber o que falhou, por que falhou e qual é o ajuste necessário a ser feito. É preciso de uma estrutura para fazer com que esse aprendizado seja incorporado nos próximos ciclos de gestão.
IHU – De 2024 para cá ocorreram avanços nesses processos?
Guilherme Marques – Um dos principais pontos para o qual podemos chamar a atenção é o aprendizado e a percepção. Aprendemos muito com essa cheia e tivemos uma melhoria na percepção do risco. Hoje, por exemplo, sabemos melhor o número de pessoas que estão em áreas de risco do que se sabia antes de 2024. A possibilidade de conhecermos melhor o nível de vulnerabilidade e os impactos do evento permitiram colocar em curso algumas mudanças.
Entre os eixos apresentados pelo Estado para preparação e redução de risco, destacam-se os seguintes:
Reconstrução e modernização do sistema de proteção contra cheias: critérios de projeto, cotas de proteção e procedimentos operacionais;
Ampliação do monitoramento hidrometeorológico: novas estações, sistemas de previsão hidrológica em tempo real;
Fortalecimento da Defesa Civil e dos sistemas de alerta: centros de operação e monitoramento; protocolos de evacuação; capacitação de municípios;
Planejamento territorial e redução da exposição: medidas de adaptação territorial (revisão de mapas de inundação, atualização de planos diretores municipais);
Desenvolvimento do Plano Rio Grande e adaptação climática: integrar, reconstruir, resiliência climática e gestão de riscos (infraestrutura resiliente, proteção contra enchentes; sistemas de alerta; recuperação ambiental).
Não consigo avaliar em que ponto todas essas propostas estão avançando. Não é meu objetivo fazer um balanço do que o governo do Estado está fazendo, mas sabemos que isso foi proposto e que algumas dessas medidas estão sendo implementadas e outras ainda não foram feitas. Então, nós temos, sim, avanços. É importante reconhecer que pesquisadores competentes na academia, na sociedade e no governo estão trabalhando duro.
Há também um avanço em termos de aprendizado, mas diria que nós não estamos preparados para um novo evento extremo porque temos um passivo de várias décadas de decisões tomadas sem considerar seu impacto a longo prazo ou condições de incerteza. Não vamos resolver isso em um período de dois ou três anos. Precisamos mudar toda uma trajetória de falência hídrica e isso não é feito em dois, três ou quatro anos. Ainda existe um enfoque excessivo em infraestrutura sem atacar de forma estruturada a deficiência de governança e os instrumentos de gestão.
Desconexão
Tenho escutado muitos discursos sobre infraestrutura e diques. Fico com a pulga atrás da orelha, perguntando onde está o sistema de governança para dar segurança para aquela infraestrutura. Existe uma desconexão entre planejamento, infraestrutura, ordenamento territorial, gestão de recursos hídricos e saneamento. Tudo está fragmentado. Nossa estrutura de governança não consegue juntar esses elementos.
As ações que reforçam conhecimento sobre a água, serviço de saneamento e capacidade de gestão acabam sendo incluídas de forma acessória, sem ter uma relação clara com a infraestrutura e o impacto esperado na infraestrutura hídrica. O que acontece é que as ações de planejamento acabam não conseguindo produzir resultados porque temos baixa capacidade de implementar coisas, justamente pela falta da estrutura de governança.
Plano integrado de gestão de risco
Nós temos muitas ideias, muitos planos, porém, na hora de implementá-los, demora fazer a licitação, demora escrever o termo de referência, o termo de referência fica falho e a proposta não é implementada. Se levarmos isso para a gestão de recursos hídricos, aproximadamente 1 ou 2% das ações dos planos conseguiram ser implementadas. É uma deficiência muito grande. A questão do planejamento está sendo discutida através dos planos de contingência nos municípios, mas onde está o plano integrado de gestão de risco no contexto da bacia hidrográfica? As coisas acontecem no contexto da bacia. Nós precisamos de planos de gestão de risco no contexto das bacias. Não é suficiente olhar apenas para o contexto dos municípios.
Temos exemplos interessantes disso no Brasil. Bacias PCJ (território formado pelas bacias hidrográficas dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí), por exemplo, em São Paulo, elaboraram um plano de gestão de risco para a bacia e, durante a elaboração desse plano, a agência que o elaborou discutiu a proposta com cada município, mostrando em que ponto da bacia cada cidade está, quais são os riscos e o que cada município tem que fazer como dever de casa. A proposta é que, a partir disso, cada município discuta esses pontos com os vereadores e atualize e ajuste o seu plano diretor. Não vamos conseguir ajustar os planos diretores dos municípios de forma individual, sem conhecer o panorama de riscos no contexto da bacia hidrográfica.
IHU – Quais são as lacunas que evidencia nesses processos?
Guilherme Marques – Existem várias lacunas de governança. Não vou entrar em detalhe, mas temos alguns pontos que podem ser atacados como recomendações. Temos lacunas de informação, nas políticas, lacunas de objetivos. Ainda não temos uma visão muito clara sobre onde queremos chegar. Lacunas de escala, de decisões que precisam ser tomadas em escalas diferentes, ou seja, municipal, estadual e federal. Lacunas de confiança. Tudo isso precisa ser atacado para avançar.
No grupo de pesquisa em planejamento e gestão de recursos hídricos do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS, estamos desenvolvendo alguns trabalhos e metodologias, combinando vários aspectos de economia, de recursos hídricos, hidrologia, biologia, análise, sistemas e gestão. A gestão está na ponta, mas para chegar na gestão, temos que percorrer todo esse caminho de análise de diferentes possibilidades, porque para sair da trajetória de falência hídrica, precisamos encontrar caminhos e esses caminhos envolvem combinações e análises de diferentes possibilidades. Saber quanto isso vai custar, quem vai ser afetado e como vamos distribuir esses custos para a sociedade é fundamental.
IHU – Quais podem ser os efeitos do El Niño no Rio Grande do Sul este ano?
Rodrigo Paiva – Quando analisamos dados históricos dos níveis d’água em rios nas inúmeras estações fluviométricas e a quantidade de cheias importantes que ocorreram em cada ano, conseguimos aprender algumas coisas. Primeiro, que acontecem cheias em qualquer ano, ou seja, elas podem ocorrer tanto em anos neutros quanto em períodos de El Niño e de La Niña. Nos anos em que ocorrem El Niño, a frequência de cheias aumenta. A frequência observada no passado foi o dobro nos anos de El Niño em relação aos anos de La Niña ou anos neutros. Então, poderia dizer que a probabilidade de acontecer um evento extremo de cheia neste ano é dobrada.
Um estudo recente desenvolvido no IPH e outro estudo nacional, ao analisarem o Brasil e a América do Sul e dados em centenas ou milhares de estações fluviométricas, chegaram à mesma conclusão. Nesse sentido, podemos esperar mais chuvas e cheias na região sul, mas não é possível prever detalhadamente onde esses eventos vão acontecer, em quais rios, e em que magnitude, nem exatamente quando. A previsão meteorológica e hidrológica mais detalhada só permite fazer análises para um horizonte mais curto, de alguns dias ou, no máximo, uma ou duas semanas.
Aquecimento global
Outra coisa que nos preocupa é o aquecimento global. Ao mesmo tempo em que observamos cheias, observa-se um aumento na temperatura média global. Ao analisar o monitoramento da temperatura ao longo das últimas décadas, observamos uma tendência clara de aquecimento. O ano de 2024, em que ocorreu o maior desastre no Rio Grande do Sul e muitos desastres em várias partes do mundo, foi o mais quente de toda a história recente. Pela primeira vez, a temperatura média global excedeu 1,5 graus aos níveis pré-industriais. O ano de 2023 já tinha sido muito quente também e o de 2025 foi o terceiro mais quente.
Existe um consenso científico de que o aquecimento global é causado pela ação do homem, através da emissão de gases de efeito estufa. Isso poderia causar uma intensificação do ciclo hidrológico, fazendo com que uma atmosfera mais quente retenha mais água, de forma que, em locais úmidos, uma atmosfera com mais água pode gerar chuvas mais intensas e, em locais mais áridos, uma atmosfera com maior demanda por água causa mais secas.
Nós realizamos um estudo recente em cooperação com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), que buscou fazer projeções do impacto da mudança climática nos extremos hidrológicos do Brasil. Em 2025, publicamos o livro Impacto da Mudança Climática nos Recursos Hídricos do Brasil. Volume 2 – Extremos Hidrológicos, disponível na biblioteca da ANA e no IPH.
IHU – Quais são os resultados?
Rodrigo Paiva – Vou mencionar dois. O primeiro deles mostra que existe uma expectativa de aumento de chuvas intensas em todo o Brasil. Isso já causaria preocupação em função de um aumento dos alagamentos nas cidades, deslizamentos e cheias em pequenas bacias hidrográficas.
Quando analisamos inundações em rios de médio e grande porte, que foram os causadores dos desastres no Rio Grande do Sul, observamos que é justamente no Sul do país em que há maior projeção de aumento das cheias por causa das mudanças climáticas. O fluxo de água nos rios durante as cheias pode aumentar 20%. Isso pode fazer com que os níveis dos rios – em rios da Serra, por exemplo – fiquem três metros acima em relação ao que já observamos, e as cheias poderiam ser de três a cinco vezes mais frequentes. Ou seja, um evento que acontecia uma vez a cada 50 anos, de repente, passa a acontecer uma vez a cada dez anos. Existem muitos motivos para desejarmos estar mais preparados para enfrentar os eventos extremos.
IHU – O que mais lhe chamou atenção em todo o processo envolvendo as enchentes de 2024?
Rodrigo Paiva – Em 2024 o Rio Grande do Sul sofreu com o maior desastre da história do estado. Ocorreram mais de 180 mortes, em torno de 800 mil pessoas ficaram desalojadas, houve grandes perdas econômicas, centenas de milhares de casas foram danificadas, serviços básicos como água e energia foram interrompidos e estradas destruídas. Enfim, um desastre muito grande foi causado por um evento hidrológico extremo.
Esse evento hidrológico foi causado por uma precipitação nacional recorde que causou elevação dos níveis dos rios a níveis recordes em várias regiões da bacia do Guaíba, no Vale do Taquari e na região metropolitana de Porto Alegre, causando uma grande inundação e destruição.
O que mais chamou atenção durante esse evento foi a baixa percepção de risco da população e a pouca preparação que tínhamos para enfrentar o evento. Era como se uma cheia desse tamanho fosse impossível e inimaginável. Pouco antes das águas alcançarem Porto Alegre, as pessoas não tinham ideia de que estavam em áreas de risco. Chamou atenção também que a cidade se desenvolveu sobre essas áreas, assumindo um risco zero. Instituições estratégicas, como prédios de governo e da Justiça, estão localizadas em áreas que foram inundadas.
Série histórica das cheias
Esse tipo de evento já tinha acontecido no passado, na cheia de 1941, mas, de alguma forma, o esquecemos e estávamos despreparados. Quando olhamos para a série histórica dos níveis máximos de cheia do Guaíba, que é o corpo d’água que banha Porto Alegre e as cidades vizinhas, observamos uma variabilidade ao longo dos anos. Essa série começa em 1900. Em destaque aparece o ano de 1941, quando ocorre uma grande cheia. Nas décadas seguintes, 1970, 1980, 1990, os níveis máximos de cheias foram um pouco menores. Nos anos 1960 ocorreram grandes investimentos na construção de sistemas de proteção contra as cheias, motivados pela cheia que aconteceu em 1941. Depois disso seguiu-se um período com eventos menores, que motivaram um esquecimento em relação a esse tipo de problema.
Na última década, contudo, ocorreram vários eventos extremos, começando em 2015, depois em 2023, em 2024, com o recorde dos recordes, e em 2025 novamente. Aprendemos muitas coisas com essa série histórica. Primeiro, que os eventos mais extremos ocorrem de décadas em décadas — de repente a cada 50 anos —, mas, talvez, na última década, eles estejam aumentando. Essas variabilidades são naturais. Poderia dividir o problema em variabilidade natural e mudança climática. É natural que num ano ocorram cheias maiores e seja mais úmido em relação ao anterior. Mas, ao mesmo tempo, se essas mudanças têm uma certa tendência de aumento, poderíamos estar associando isso a uma possível mudança climática.
IHU – O que causa a variabilidade natural?
Rodrigo Paiva – O El Niño, por exemplo. Existe uma grande preocupação com o El Niño, que é o aquecimento das águas do Pacífico, e que, de alguma forma, altera os padrões climáticos globais, trazendo mais chuvas em algumas regiões e secas em outras. Cerca de 1/4 dos anos foram marcados por El Niño.
Existe uma previsão de que os próximos meses sejam marcados por um forte El Niño, mas as análises atuais já apontam para um estado de El Niño neste momento. A temperatura do Pacífico está na ordem de 0,9 graus acima da referência e isso já caracteriza um El Niño. Quando observamos projeções climáticas de inúmeros centros internacionais, todos apontam para probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte nos próximos meses, no segundo semestre de 2026 até o início do ano que vem.
IHU – Como podemos buscar uma adaptação adequada às mudanças climáticas e uma maior resiliência diante das cheias extremas? O que está sendo feito no RS nesse sentido?
Rodrigo Paiva – Existem várias alternativas. Nenhuma dessas alternativas vai resolver o problema sozinha. Temos que usar um conjunto de alternativas. Existem, por exemplo, as medidas estruturais, que são basicamente obras que buscam modificar o comportamento da natureza e conter as cheias. Ou seja, visam eliminar ou minimizar a cheia através de reservatórios de controle que vão acumular a água das chuvas e soltá-la mais lentamente, como diques, muros ou aterros que previnem que a água do rio avance sobre as cidades.
Já tentamos esse caminho. Depois das cheias de 1941 e outras que ocorreram nas décadas de 1950 e 1960, nossa região decidiu desenvolver um sistema de proteção contra cheias formado por inúmeros diques que protegiam as cidades de Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo e Novo Hamburgo. Esses sistemas não foram suficientes para nos proteger. Durante a cheia de 2024, observamos inúmeras falhas que permitiram que a água entrasse nas cidades: comportas romperam ou não estavam bem vedadas e diques estavam abaixo da cota dos projetos.
Agora, o que nos resta é reformar esse sistema e buscar que ele esteja robusto para dar conta de um próximo evento. Isso já está acontecendo. Os tomadores de decisão de diferentes cidades, em conjunto com o Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE), estão trabalhando para recompor o sistema e muitas fragilidades já foram consertadas. Esse é um trabalho que ainda está em andamento.
Medidas não estruturais
Também estão acontecendo inúmeros projetos e estudos avaliando a potencialidade de outros tipos de obras em outras regiões para minimizar o efeito das cheias, mas ainda não se encontrou nenhum tipo de obra que pudesse resolver o problema por completo. Justamente por isso, entendemos que outro tipo de solução seria mais adequado, como as medidas não estruturais. Essas medidas buscam se adaptar à natureza. Ou seja, adaptar o nosso modo de vida e a nossa convivência às cheias extremas para assim minimizar os seus impactos.
Mapeamento das áreas de risco
Existem algumas possibilidades: forte investimento em mapeamento das áreas de risco através de estudos técnicos, identificação das áreas de maior perigo e dos tipos de profundidade d’água e velocidade que poderiam acontecer. A maioria dos municípios gaúchos ainda não tem mapas detalhados de áreas de risco. Alguns já foram desenvolvidos pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), mas ainda é necessário melhorar muito esse trabalho nos municípios e aplicar esses mapeamentos para definir melhor as regras de ocupação do espaço nas áreas que ainda estão em crescimento. Essa informação deveria estar sendo considerada nos Planos Diretores Municipais. O que observamos, contudo, é que hoje poucos municípios implementam, de forma efetiva, a informação das áreas de risco nos seus planos diretores.
Fortalecimento das instituições
Além disso, deveríamos fortalecer as instituições responsáveis por proteger as pessoas durante a ocorrência de eventos extremos, como a Defesa Civil. É preciso investir cada vez mais nessa instituição para que ela possa atuar com planos de contingência, que são planos e ações que indicam o que fazer durante um desastre para salvar vidas, como evacuação, ações de resgate, ações para minimizar perdas de patrimônio, garantia do abastecimento de água etc. Isso envolve bastante treinamento, capacitação, simulados e deve ser feito todos os anos e não só quando tem El Niño. Grande parte dos municípios não têm planos de contingência amadurecidos. Eles até melhoraram depois de 2024, incorporando a experiência passada, mas ainda há bastante a fazer.
Investimento em monitoramento, previsão e alerta
Para que isso seja efetivo, precisamos de um grande investimento em monitoramento, previsão e alerta. Ou seja, sistemas que permitam o monitoramento das chuvas e dos níveis dos rios em tempo real para, a partir disso, fazer previsões antecipadas do que pode acontecer nas próximas horas e dias. Existem tecnologias bem amadurecidas que podem ser utilizadas. O que precisamos é operacionalizar isso.
Tivemos uma experiência durante as cheias de 2024 e 2025 no IPH, desenvolvendo previsões de forma voluntária e emergencial para a região metropolitana. Essas previsões foram divulgadas por WhatsApp, mídias da universidade, rádio e televisão. Recebemos inúmeros relatos de como elas foram importantes para tomada de decisão de pessoas e instituições, minimizando prejuízos.
Serviço de previsão hidrológica
Alguns municípios estão investindo na contratação de serviços de previsão hidrológica e meteorológica. Isso é um grande avanço que precisa ser consolidado para os anos seguintes. Também estamos trabalhando com o Serviço Geológico do Brasil, transferindo para essa instituição as tecnologias desenvolvidas na universidade.
Desafio da reconstrução
O desafio é como reconstruir melhor a infraestrutura destruída: estradas, pontes, casas, bairros. No IPH, desenvolvemos critérios objetivos para ajudar os tomadores de decisão, engenheiros e projetistas a incorporar projeções do impacto das mudanças climáticas nos seus projetos. Os projetos poderiam ser construídos de forma mais resiliente, capazes de resistir a eventos maiores no futuro. Isso foi incorporado, por exemplo, em projeto de novas pontes e outros tipos de infraestrutura. Um exemplo é a ponte construída no rio Forqueta, na bacia do Taquari. Ela é três metros mais alta, considerando as projeções de impacto das mudanças climáticas.
IHU – Como o MAB atuou nas enchentes de 2024?
Alexania Rossato – O MAB é uma organização nacional e internacional. Nasceu 35 anos atrás na organização dos atingidos pelas usinas hidroelétricas e, com o tempo, também foi atuando com os atingidos pelos rompimentos das barragens, como no caso de Mariana e Brumadinho, e, mais recentemente, com os atingidos pelos eventos extremos da crise climática.
Temos clareza de que a origem da crise climática é o modo de produção capitalista. O que vemos é cada vez mais o acirramento da condição de crise climática com as guerras, como a guerra no Irã e o ataque ao presidente Maduro na Venezuela para ter o acesso ao petróleo. O petróleo, que é um dos principais causadores das mudanças no regime de chuvas, está muito associado ao momento geopolítico que vivemos.
Em 2023 e em 2024, o MAB atuou nas cozinhas solidárias, juntamente com outros movimentos, igrejas e condomínios. Organizamos quatro cozinhas solidárias em 2024. Em 2023, nós já havíamos organizado uma cozinha solidária no Seminário de Arroio do Meio, que atuou naquele período mais crítico e, em 2024, já tendo a experiência do ano anterior, organizamos cozinhas solidárias em Porto Alegre, Canoas, Estrela e Arroio do Meio.
IHU – Como avalia o papel do Estado no processo de reconstrução dos municípios e da vida das famílias atingidas?
Alexania Rossato – Não basta que o Estado reconheça a existência do desastre. É necessário que reconheça os atingidos como sujeitos de direito e lhes assegure que seus direitos sejam garantidos. A enchente chega para todos, mas chega para alguns de uma forma mais dolorosa. Seus efeitos são muito mais graves para os mais empobrecidos que vivem em áreas de risco: mulheres, crianças, povos indígenas, afrodescendentes, comunidades rurais.
Em 2024, a Corte Interamericana de Direitos Humanos esteve no Rio Grande do Sul e apontou justamente isto: as comunidades mais vulneráveis, indígenas, afrodescendentes, moradores de periferias urbanas são as principais vítimas das enchentes. Os dados do governo do Estado apontam que 87% das famílias atingidas antes da enchente recebiam até dois salários mínimos e 65% das famílias atingidas recebiam até um salário mínimo.
Esses números revelam a condição empobrecida das populações. A enchente os coloca em uma situação de maior vulnerabilidade. As pessoas moram em áreas de risco não porque escolheram morar nesses locais, mas porque foram essas áreas que lhes sobraram. É importante dizer que esses desastres não são apenas naturais; são resultado de processos históricos, culturais e políticos que produzem e distribuem desigualmente os riscos. As condições sociais tornam o desastre ainda mais desastroso e dramático.
Atingidos invisíveis ao Estado
A categoria de atingidos está em permanente disputa, porque essa definição não implica apenas o reconhecimento, mas a negação dos direitos das pessoas. O que se viu e se vê ainda é um despreparo das prefeituras no cadastramento e reconhecimento das famílias atingidas. Em Arroio do Meio há um alto número de subnotificações de famílias atingidas depois de dois anos da enchente. Ser reconhecido como atingido significa ter acesso às políticas de reparação, indenização e reassentamento. Não ser reconhecido como atingido significa permanecer invisível ao Estado.
Uma necessidade urgente é qualificar e melhorar os processos de cadastramento das famílias atingidas. Esse cadastro deveria obedecer a um padrão nacional. O que aconteceu em 2024 é que uma prefeitura determinou um parâmetro para reconhecer alguém como atingido, enquanto outra prefeitura identificou os atingidos a partir de outros critérios. Algumas famílias que foram atingidas três ou quatro vezes pelas cheias não foram reconhecidas como atingidas.
Subnotificação
Algumas moradias também não foram consideradas como perda total pelo laudo da Defesa Civil. Essas famílias não tiveram acesso ao Compra Assistida, que foi o programa mais exitoso do governo federal. O não reconhecimento gera uma exclusão silenciosa e agrava ainda mais a vulnerabilidade das famílias. Existiram programas para quem recebeu laudo de perda total das suas residências, mas não existiram programas de reforma de casas, por exemplo. Hoje, nos bairros de Canoas e Eldorado do Sul, ainda nos deparamos com casas parcialmente reformadas, com casas que têm cortina nas paredes porque não têm janelas, e tetos cheios de goteiras. As famílias empobrecidas não conseguem, por condições próprias, fazer as reformas das casas. Quando conseguem empréstimos, os juros são altíssimos e as famílias se endividam nos bancos. Trata-se de uma situação muito grave, que deixa as famílias ainda mais empobrecidas.
Distribuição dos recursos
Em situações futuras, o Estado precisa criar mecanismos para a distribuição dos recursos. Não houve falta de recursos para a reconstrução do Rio Grande do Sul. Foram destinados 112 bilhões de reais para o estado. Mas esse valor deve, necessariamente, ser destinado para a reconstrução da vida das pessoas. Claro que é preciso de investimento para estradas, empresas, mas, fundamentalmente, para a condição de vida das pessoas.
Até janeiro deste ano, o Fundo do Rio Grande do Sul (FUNRIGS) havia provisionado, dos 14,9 bilhões, 7,4 bilhões para infraestrutura de transporte. Desse valor, 3 bilhões foram destinados para pedagiar estradas do estado e passá-las para as concessionárias. Por outro lado, menos de 1 bilhão dos 14 bilhões foram destinados à moradia das famílias. Dois anos depois da enchente, o governo do Estado entregou 196 casas. Muitas famílias continuam morando em casas provisórias de 27 metros. Isso não é aceitável para o futuro.
Menos de 1 bilhão dos 14 bilhões foram destinados à moradia das famílias. Dois anos depois da enchente, o governo do Estado entregou 196 casas — Alexania Rossato Tweet.
Estado forte
Por melhor que os movimentos e as organizações da sociedade civil sejam, ainda são pequenos frente à necessidade de calamidade em situações de enchentes. É necessário que tenhamos um Estado forte, com serviços públicos, com um sistema público de abastecimento e energia. Quando o Estado está privatizado é muito mais difícil se recolocar na reconstrução.
Nossa luta, enquanto movimento popular, é pelo reconhecimento das famílias, para que recebam reparação dos danos de forma integral. É responsabilidade do Estado brasileiro a implementação de políticas de ação e prevenção permanentes diante da crise climática.
Vale lembrar que o El Niño que vamos enfrentar vai atravessar um processo eleitoral. É importante que estejamos atentos a candidaturas que tenham planos para enfrentar a questão climática com seriedade e responsabilidade.




