Durante todo o mês de setembro, a Articulação das CPT’s da Amazônia promove ações de divulgação em celebração à maior floresta tropical do mundo. Longe de ser compreendida somente por imagens aéreas de um deserto verde, a Amazônia tem cheiro, cor, umidade, água, calor e refrigério. A floresta é morada de populações extrativistas, agricultoras, pescadoras, com sotaques, cores e culturas diversas.
A proposta da campanha “Celebrar a Amazônia, Nossa Morada” é dar visibilidade para as pautas da Amazônia e a atuação da CPT junto aos povos que habitam o nosso maior bioma, repercutindo as vozes das comunidades e compartilhando ações de resistência, mobilização, iniciativas comunitárias, agricultura familiar e agroecologia, ancestralidade, defesa dos rios, mostrando que, mesmo em meio às violências sofridas, nosso povo tem resistência.
Em meio ao período das Eleições, a iniciativa também é um clamor pelo voto consciente em candidaturas que defendem a Amazônia e os povos que habitam nela, enfrentando qualquer projeto que atente contra a soberania e a vida.
Um contexto de desafios
Dados do Atlas dos Conflitos no Campo Brasileiro mostram uma violenta expansão de frentes econômicas na região amazônica, ignorando todas as formas de vida que encontram no caminho. Na região que inclui, além dos sete estados da região Norte, grande parte das áreas do Maranhão e de Mato Grosso, foram registrados 21.608 conflitos agrários no período de 1985 a 2023, o que corresponde a quase metade dos 50.950 registros totais do país.
Já no relatório Conflitos no Campo 2025 e nos dados parciais do 1º semestre de 2026, a Amazônia Legal concentra mais da metade dos conflitos registrados. Predominam as violências contra a ocupação e a posse da terra, como as invasões, desmatamento ilegal, contaminação por agrotóxicos, ameaças de despejo e de expulsão, e infelizmente a maioria dos assassinatos em todo o país ligados aos conflitos agrários. São violências em sua maioria relacionadas ao avanço do agronegócio pela expansão da monocultura e dos projetos de fronteira agrícola, devido à insegurança jurídica nas terras públicas, que favorece a grilagem.
Articulação – Criada em 2009, a Articulação reúne regionais e equipes da CPT que atuam nos nove estados da Amazônia Legal: Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Juntas, estas Regionais desenvolvem projetos e iniciativas de forma coletiva, com o objetivo de somar forças no acompanhamento das realidades desta região tão ampla e diversa, dialogando com outras pastorais, redes, organizações, fóruns e articulações inclusive em âmbito internacional, nos países amazônicos vizinhos.




