Flagrante do ataque de agrotóxicos como armas químicas: comunidade registra contaminação de veneno em chácara em Porto Velho (RO)

Por Josep Iborra Plans (Zezinho) / CPT Rondônia e Carlos Henrique Silva (Comunicação CPT Nacional), em CPT

Famílias agricultoras do Assentamento Varões de Deus, em Porto Velho (RO), registraram o exato momento em que uma máquina pulverizadora passa despejando veneno nas plantações de soja, a poucos metros das plantações e das pessoas da comunidade, ignorando a presença das famílias, com crianças e pessoas idosas, além de galinhas e outros animais de criação.

Uma das moradoras que registrava o fato passou mal após enfrentar corajosamente e expulsar o fazendeiro que estava despejando veneno perto da casa dela, e teve que ser socorrida por uma ambulância e levada para a emergência. O despejo proposital de venenos, registrado no último domingo (27), foi denunciado pela Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Expresso Porto – Assentamento Varões de Deus.

As 168 famílias ocupam uma área comprovadamente de terra pública perto do Anel Viário, na Estrada Expresso Porto, uma obra do governo federal que pretende desviar as carretas de soja para os portos graneleiros do Rio Madeira, para não passarem pelo centro de Porto Velho. A região tem cerca de 150 chácaras de pequenos agricultores e dezenas de moradores, com crianças e também criação de animais para subsistência, que estão sendo atingidos.

O local tem enfrentado diversos episódios de violência por parte de um sojeiro que tenta expulsá-los da área. Como não tem conseguido êxito pela Justiça, ele vem tentando expulsar as famílias através do agrotóxico. Além de contar com o apoio de milícias armadas e policiais para intimidar os moradores, o pretenso proprietário esbulhou as posses sem autorização e construiu em junho uma extensa vala no meio das chácaras, por onde escoa a água e o veneno despejado na soja.

O local conta com casas, produção abundante de agricultura familiar e criação de animais, ajudando na subsistência e garantia familiar das famílias. A demanda do agronegócio é grande para produzir mais soja e tentar destruir quem quer produzir alimento de verdade, e este avanço também está pressionando o setor chacareiro. Em meio aos conflitos, os trabalhadores rurais é que são chamados de bandidos, ladrões, invasores e outras difamações.

A comunidade, marcada por uma presença marcante da fé evangélica, continua resistindo. Ao mesmo tempo em que confia no Deus que concedeu a terra, também confia no Pai que peleja ao seu lado por esta terra.

“Já tentaram tirar as famílias usando oficial de justiça, polícia paga e mandado de despejo que era de outra área. A maior parte da área é da União, e os sojeiros querem tomar de conta, expulsar as famílias. Esta é uma situação semelhante ao que aconteceu no Flor do Amazonas, onde o companheiro Sr. Amado lutou tanto com as pressões, e Deus levou ele, quando a Justiça deu causa favorável. O próprio Incra reconhece que é terra da União, e nós temos muitas famílias cuidando e trabalhando em cima da terra, para que a cidade não perca o seu alimento. É injusta essa situação. Fizemos pedido pelo Incra, e até hoje não levaram uma equipe para a área”, desabafa um dos moradores. Ele destaca que as famílias fazem o que todos sonham, que é produzir, trabalhar, dar o sustento aos filhos e não deixar faltar o pão de cada dia.

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