Extrema direita ganha a maioria no Congresso e agenda ambiental será o principal alvo

Mesmo com uma eventual vitória de Lula no segundo turno, 70 propostas no Congresso ameaçam a legislação ambiental em um Parlamento que terá forte presença ruralista

O Eco

Na Câmara, o Partido Liberal (PL), legenda do presidenciável Flávio Bolsonaro, ampliou sua bancada de 98 para 121 deputados e se tornou a maior da Casa. No Senado, o crescimento também foi expressivo: a sigla passou de 15 para 28 parlamentares. A expansão ocorre em paralelo à atuação do partido em pautar projetos classificados como retrocesso ambiental. Segundo levantamento recente da Rede Pró-UC, parlamentares do PL são os principais autores de propostas que ameaçam ou podem impactar unidades de conservação no país. 

De acordo com a organização, 13 deputados do PL estão entre os 31 autores, responsáveis por 27 das 46 propostas identificadas como nocivas às UCs. MDB, Republicanos e União aparecem na sequência, com três parlamentares cada. 

No domingo (4), a extrema direita foi a grande vitoriosa na eleição legislativa de 2026 (veja infográficos abaixo), enquanto a esquerda partidária ou aumentou pouco ou manteve as cadeiras já existentes. Para o Meio Ambiente, especialistas avaliam que o cenário é o pior possível. Isto porque, atualmente, há pelo menos 70 propostas nocivas à área ambiental tramitando no Congresso. 

“O conjunto de parlamentares eleitos para a próxima legislatura tende a piorar de forma relevante esse entendimento. A composição do Senado ficou marcadamente antiambiental. Na Câmara ainda poderemos contar com mais nomes em defesa das questões ambientais. O grupo minoritário de parlamentares que atuam com foco nesses temas na próxima legislatura, bem como as organizações da sociedade civil que acompanham a dinâmica do Congresso Nacional terão muito trabalho pela frente”, analisa Suely Araújo, coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima. 

Além das unidades de conservação, temas como fiscalização ambiental, terras indígenas e regras para atividades agropecuárias devem permanecer no centro das disputas legislativas nos próximos anos. E com mais chance do Congresso cassar qualquer tentativa de veto presidencial. 

“A legislação ambiental costuma ser encarada como um entrave a ser afastado por partidos de direita e extrema direita. São posições que vão de um negacionismo climático explícito, com recusa de fatos científicos sobre o aquecimento global, a versões mais brandas e que afastam a relevância das ações do poder público voltadas a proteger o meio ambiente e os direitos socioambientais”, diz a ex-presidente do Ibama.

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Enviada para Combate Racismo Ambiental por Manoela Ferreira.

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