Zé Celso: com o vento forte, o papagaio subiu. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

“Eu hoje vou fugir com o vento / Vou até o firmamento /  
Vou ver a Terra a brilhar, a brilhar” (Zé Celso, 1937-2923).

O papagaio empinado pelo menino Zé Celso dançava no céu de Araraquara (SP), sua terra natal, mas uma inesperada tempestade o molhou, levando-o a fugir com o vento, após agonizar sob o sol. Comovido, o menino pegou o violão, compôs uma música e depois escreveu sua primeira peça de teatro “Vento Forte para um Papagaio subir”, que inaugurou o Grupo Oficina, em 1958, e foi reencenada, em 2008, para comemorar os 50 anos do Teatro Oficina Uzyna Uzona. (mais…)

Ler Mais

O bêbado. Por Julio Pompeu

No Terapia Política

Depois de apenas alguns goles de fortes bebidas, Pedro já estava bêbado. Isto não lhe era comum. “Meu corpo é curtido em cachaça!”, dizia para os amigos já gargalhantes de bêbados. Mas, de uns tempos para cá, percebeu-se menos resistente. Com pouco, subia-lhe a embriaguez. Mais rápida, mas também diferente. Como em toda embriaguez, começava com desinibição e alguma efusividade exagerada, nas fases mais avançadas, o mundo girava e o real não parecia mais tão sólido quanto antes. Era nesta última fase que as coisas estavam diferentes para Pedro. Diferentes demais. O mundo visto pela embriaguez já não girava mais, ele agora se refazia diante de seus olhos. Tornava-se outro. Via coisas que, apesar de as ver, sabia que não estavam lá. Mas, ao mesmo tempo, estavam, entende? Pedro não entendia. Só percebia assim. (mais…)

Ler Mais

Na escola Puyanáwa, a língua sonhada. Por José Ribamar Bessa Freire

No TaquiPraTi

“Quem tem a língua cortada, não fala”
(Provérbio Mongol. Sec. XIII).

Na recente visita que fiz, em maio de 2023, às aldeias Barão do Rio Branco e Ipiranga, do povo Puyanáwa, lá no Acre, eu vi o coronel Mâncio Lima e seus capangas armados invadirem a Escola Estadual Ĩxũbãy Rabuĩ para impedir que as crianças e os professores usassem a língua Puyanáwa na sala de aula. Meninas, eu vi. Juro que vi. (mais…)

Ler Mais

O adeus de um homem minúsculo. Por Renato Essenfelder

O homem minúsculo, o homúnculo, apagou as luzes do palácio e foi dormir. Depois de tanto bradar, gritar e babar, depois de ameaçar e conspirar à luz do dia, incessantemente, calou-se. Recolheu-se à insignificância que o espera. Amém.

Como os livros de história no futuro irão se referir a esse homem tão pequeno? Terá alguma importância, o seu nome, ou irão se interessar apenas pelo surto coletivo que se apossou de milhões de brasileiros, por meia década ao menos, e que resultou na eleição de um ninguém, um nada, um palhaço macabro? Um fantasma descarnado, insepulto e obcecado pela morte, sua especialidade, no qual milhões projetaram suas próprias fantasias autoritárias. Como? Por quê? (mais…)

Ler Mais

Ao Brasil, com amor, verdade, memória e Justiça. Por Jamil Chade

Do UOL

Carta às instituições democráticas brasileiras,

No final de janeiro de 2019, eu me sentei ao lado da mesa do clã Bolsonaro, num café da manhã no luxuoso hotel no qual sua delegação se hospedou em Davos, aqui na Suíça. Entre os vários absurdos que escutei, um deles me deixou duvidando se de fato aquela era a delegação que comandava um dos maiores países do mundo.

O filho do então presidente, o deputado, perguntou a quem estava naquela mesa enquanto tentava usar as redes sociais: (mais…)

Ler Mais

Idolatrias. Por Julio Pompeu

No Terapia Política

Não há homenagem a herói, sábio ou santo que não escape à indiferença de quem passe por ela quotidianamente. As glórias são coisa do instante. Para além do seu tempo, é só esquecimento e indiferença. Quando muito, são lembrados em livros de história lidos por alunos desinteressados. Não há estátua que não acabe pontilhada de excrementos de pombos a enfeitar o vai e vem de uma multidão perdida com as mesquinharias do seu presente. Alguém distraído com uma cena assim poderia pensar que não há ídolos nesta Terra. Engana-se. Há os ídolos do presente. Por todos os lados. De todos os tipos. (mais…)

Ler Mais

Carta de Quixote a Zanin: entre Moros e Cristianos. Por José Ribamar Bessa Freire

No TaquiPraTi

La Mancha, 3 de agosto de 1605

Prezado Cristiano Zanin

Sou o fidalgo castelhano Dom Quixote, filho de Miguel de Cervantes, e te escrevo daqui do Salão dos Mortos, em Valhalla, para te  parabenizar por tua posse no próximo dia 3 de agosto como ministro do STF – Supremo Tribunal Federal. Talvez possam te servir no exercício do poder os conselhos quixotescos que dei há mais de 400 anos a meu fiel escudeiro Sancho Pança, quando foi ele nomeado governador da Ilha Barataria. (mais…)

Ler Mais