Veneno de terno, gravata e jaleco: os alvos do lobby da indústria de agrotóxicos

O lobby da indústria de agrotóxicos vão dos campos às mesas e das escolas às universidades, atingindo os poderes judiciário, legislativo e executivo

Por Susana Prizendt, da Mídia Ninja / MST

Cerca de seiscentas páginas: esse é o espaço ocupado pelos estudos científicos que compõem o Dossiê Abrasco – Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde. Trata-se de uma compilação de dimensões hercúleas, organizada pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva, com centenas de pesquisas feitas em várias regiões do país por integrantes de entidades consagradas no setor acadêmico, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Não, não estamos falando de achismos. Continue lendo “Veneno de terno, gravata e jaleco: os alvos do lobby da indústria de agrotóxicos”

Ler maisVeneno de terno, gravata e jaleco: os alvos do lobby da indústria de agrotóxicos

Invasão Zero: fazendas de família de presidente incidem em assentamentos na Bahia

Cinco imóveis ligados a Dida Souza e seus irmãos têm  irregularidades fundiárias; em um deles, Ministério Público apura desmatamento ilegal; disputa por espólio do pai deu início a guerra entre irmãos, que se acusam de invasão de terras e roubo de cacau

Por Tonsk Fialho, em De Olho nos Ruralistas

Ao lado dos irmãos, a coordenadora nacional do Movimento Invasão Zero, Renilda Maria Vitória de Souza — a Dida — é herdeira de 8.321,52 hectares em lavouras de cacau e fazendas de gado. Desse total, 88,72 hectares estão sobrepostos a assentamentos da reforma agrária. As irregularidades fundiárias foram identificadas em Wenceslau Guimarães (BA), onde a família mantém boa parte de seu patrimônio rural e onde o pai de Dida, Osvaldo José de Souza, foi prefeito. Continue lendo “Invasão Zero: fazendas de família de presidente incidem em assentamentos na Bahia”

Ler maisInvasão Zero: fazendas de família de presidente incidem em assentamentos na Bahia

“A publicação desta Lei só potencializa ainda mais esta situação de conflitos e ameaças” – Análise da Lei nº 14.757

Por Carlos Henrique Silva, em CPT

Aprovada em meio ao consenso quase total do Congresso Nacional, a Lei nº 14.757 foi sancionada com apenas dois vetos pelo presidente Lula em 19 de dezembro de 2023. A nova lei facilita a regularização de antigas ocupações, extinguindo as condições resolutivas (que permitem a rescisão do contrato se essas condições não forem cumpridas), constantes de títulos de assentamento emitidos até 25 de junho de 2009, em áreas no limite de 2.500 hectares de terra. Continue lendo ““A publicação desta Lei só potencializa ainda mais esta situação de conflitos e ameaças” – Análise da Lei nº 14.757”

Ler mais“A publicação desta Lei só potencializa ainda mais esta situação de conflitos e ameaças” – Análise da Lei nº 14.757

TRF1 decide a favor de indígenas Enawenê-Nawê que tiveram seu direito constitucional à língua negado em ação penal

Na decisão desta terça-feira (20) foi suspensa a tramitação da ação, na qual Dodowai, Walakori Atainaene e Lalokwarise Detalikwaene, do povo Enawenê-Nawê, são acusados

POR ADI SPEZIA, DA ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DO CIMI

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) concedeu nesta terça-feira (20) o habeas corpus em favor de Dodowai, Walakori Atainaene e Lalokwarise Detalikwaene, os três do povo Enawenê-Nawê, para suspender o processo em ação na qual foram notificados via mensagem de WhatsApp e sem presença de intérprete, o que impossibilitou a compreensão do teor da denúncia. Ao terem seu direito constitucional à língua negado, os indígenas não tiveram ciência dos termos da acusação que lhes havia sido dirigida, resultando em empecilho à defesa.
Continue lendo “TRF1 decide a favor de indígenas Enawenê-Nawê que tiveram seu direito constitucional à língua negado em ação penal”

Ler maisTRF1 decide a favor de indígenas Enawenê-Nawê que tiveram seu direito constitucional à língua negado em ação penal

Holocausto, genocídio ou mortandade? Por Paulo Capel Narvai 

Seja qual for o termo para definir o que acontece com o povo palestino, ele importa menos – na verdade, importa nada –, frente às vidas ceifadas diariamente, aos montes, em Gaza

No A Terra é Redonda

Muitas pessoas, aqui no Brasil, parecem mais preocupadas em como caracterizar o que acontece em Gaza, do que com o que acontece em Gaza. Corpos esmagados, estorricados, esquartejados, varados a tiros, pouco importam, ainda que sejam corpos de civis – crianças, mulheres e idosos. Mas, em todo o mundo, recusando-se à indiferença e importando-se com os fatos e o horror, levantam-se vozes pedindo que cesse o que acontece em Gaza.

Quero a minha entre essas vozes, pois quero paz. Agora. Continue lendo “Holocausto, genocídio ou mortandade? Por Paulo Capel Narvai “

Ler maisHolocausto, genocídio ou mortandade? Por Paulo Capel Narvai 

Pronunciamento do secretário-geral de MSF, Christopher Lockyear, ao Conselho de Segurança da ONU

No MSF

22 de fevereiro de 2024

Senhora presidente, excelências, colegas,

No momento em que pronuncio estas palavras, mais de 1,5 milhão de pessoas estão encurraladas em Rafah. Pessoas que foram violentamente forçadas a irem para esta faixa de terra no sul de Gaza estão arcando com as consequências da campanha militar de Israel.

Vivemos sob o medo de uma invasão terrestre.

Nossos temores são baseados na nossa própria experiência. Há apenas 48 horas, quando uma família estava ao redor de uma mesa de cozinha em uma casa que abrigava funcionários de MSF e suas famílias em Khan Younis, um projétil de 120mm disparado por um tanque rompeu as paredes do local e explodiu, iniciando um incêndio, matando duas pessoas e deixando outras seis com queimaduras severas. Cinco dos seis feridos são mulheres e crianças. Continue lendo “Pronunciamento do secretário-geral de MSF, Christopher Lockyear, ao Conselho de Segurança da ONU”

Ler maisPronunciamento do secretário-geral de MSF, Christopher Lockyear, ao Conselho de Segurança da ONU

‘Se o povo pobre não planta e não colhe, ninguém come’, diz padre Júlio em inauguração do Sacolão Popular do MST

Parceiro do movimento na iniciativa, o padre esteve ao lado do ministro Paulo Teixeira no lançamento do novo espaço

Por Lucas Weber, no Brasil de Fato

“São Pedro de Betancur caminhava com uma sacolinha, onde ele levava pão e alimentos. E também um sininho, que ia tocando pela estrada para que o povo fosse até ele encontrar alimento.” Na inauguração do Sacolão Popular Irmão Pedro Betancur, resultado de uma união do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) com a Pastoral do Povo de Rua, o padre Júlio Lancellotti fez questão de explicar a referência da homenagem no nome.

Ao lado do ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, o religioso lembrou que Pedro Betancur “foi um santo leigo, terciário franciscano latino-americano, de um povo sofrido”. Continue lendo “‘Se o povo pobre não planta e não colhe, ninguém come’, diz padre Júlio em inauguração do Sacolão Popular do MST”

Ler mais‘Se o povo pobre não planta e não colhe, ninguém come’, diz padre Júlio em inauguração do Sacolão Popular do MST

Fiocruz: taxa de suicídio e autolesões entre crianças e jovens vêm aumentando 6% e 29% ao ano no Brasil

Por Mariana Sebastião (Cidacs/Fiocruz Bahia)

A taxa de suicídio entre jovens cresceu 6% ao ano no Brasil entre os anos de 2011 e 2022. Já as taxas de notificações por autolesões na faixa etária de 10 a 24 aumentaram 29% a cada ano nesse mesmo período. O número foi maior que na população em geral, cuja taxa de suicídio teve crescimento médio de 3,7% ao ano e a de autolesão 21% ao ano, neste mesmo período. Esses resultados foram encontrados na análise de um conjunto de quase 1 milhão de dados, divulgados em um estudo recém-publicado na The Lancet Regional Health – Americas, desenvolvido pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), em colaboração com pesquisadores de Harvard. Continue lendo “Fiocruz: taxa de suicídio e autolesões entre crianças e jovens vêm aumentando 6% e 29% ao ano no Brasil”

Ler maisFiocruz: taxa de suicídio e autolesões entre crianças e jovens vêm aumentando 6% e 29% ao ano no Brasil

País Do Sol. Por Julio Pompeu

No Terapia Política

Há muitos e muitos séculos, existiu um curioso país chamado Do Sol. Era uma sociedade muito primitiva, ainda do tempo em que a humanidade se dividia em países. Mas como toda sociedade daquele tempo, achava-se muito desenvolvida e esclarecida. Mas havia uma diferença do país Do Sol para os outros.

O povo de todo país daquele tempo se achava melhor e mais sábio que os demais, especialmente os de sua elite, que se achava não apenas superior em ideias e pensamentos aos de outros países, mas também superior aos de sua própria gente. Mas a elite do país Do Sol era diferente. Continue lendo “País Do Sol. Por Julio Pompeu”

Ler maisPaís Do Sol. Por Julio Pompeu

Carta aos que não sepultei. Por Berenice Bento

Não sairemos iguais após o horror em Gaza. Seremos assombrados pelos rostos palestinos que vimos sucumbir e pelo gozo perverso dos sionistas. E se alguém não está cheio de hematomas internos, é porque não olhou nos olhos das crianças palestinas

Na Cult / Outras Palavras

Em uma sala iluminada precariamente, um palestino dava uma entrevista. A calvície, os óculos, a barba por fazer revelam uma pessoa cansada, de noites insones. Enquanto durava a entrevista, o som das bombas lá fora não arrefecia. Ele olhava para a câmera e dizia: Não sei se vou sobreviver. Não gritava. Não pedia socorro. Não, ele não olhava para a câmera. Olhava diretamente nos meus olhos. E me perguntava: você pode me salvar? Eu o escutava em desespero. Eu não podia acreditar. Ele vai sobreviver, desejava. Ele sabia que não. Foi a última vez que o vi. Foi daquela casa que, minutos depois, seria seu túmulo e de sua família, que o poeta palestino expôs uma nova forma de denunciar o genocídio em curso. Logo depois da entrevista, Refaat al-Areer, de 44 anos, professor de literatura, tradutor e poeta, sucumbia vítima de um bombardeio de Israel. Ele morreu no dia 7 de dezembro de 2023. Continue lendo “Carta aos que não sepultei. Por Berenice Bento”

Ler maisCarta aos que não sepultei. Por Berenice Bento