Finalista do Troféu Mulher Imprensa pelo podcast na Rádio SUMAÚMA, Elizângela Baré é a primeira indígena a fazer mestrado em Saúde Pública na Universidade de São Paulo, com bolsa da Fapesp, e quer provar que a ciência milenar dos povos originários pode ser usada no SUS
por ELIZÂNGELA BARÉ, em Sumaúma
Uma horta pode curar as feridas da solidão?
Por Malu Delgado*
Existe um ritual que precede a fala. Elizângela Baré pega em sua mochila a tinta vermelha feita com folhas de carajuru, pede licença e se dirige ao banheiro, no segundo andar da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), para se preparar. Sai de lá minutos depois com três pinturas no rosto: no queixo, o Aru, sapo criador do mundo e o dono do frio – “a pintura dos Baré”; nas duas bochechas, as flores – o símbolo das mulheres do rio Negro e que “chamam a beleza”; na testa, a marca da tradição, da resistência, da força e da guerra do povo Baré. “Nós, os povos do rio Negro, somos guerreiros. Essa é a pintura da peneira que a gente usa para fazer beiju; é a pintura do cumatá, que a gente usa para tirar goma [da mandioca]”, explica Elizângela. Continue lendo “Diário de uma mulher indígena na USP”










