O acadêmico brasileiro argumenta que o progressismo atual fracassou porque se limitou a ser um “humanizador do inevitável”, carecendo de uma proposta criativa que atraia a maioria.
A entrevista é de Boris Muñoz, publicada por El País
Quem conhece Roberto Mangabeira Unger (Rio de Janeiro, 1947) apenas por reputação perdeu a oportunidade de conhecer um dos pensadores mais poderosos e originais de nosso tempo. Mangabeira está certo há décadas, mas poucos o ouviram. Ele previu, antes de muitos, que a social-democracia havia se mostrado insuficiente diante da fragmentação social impulsionada, entre outros fatores, pela globalização e pelas ondas migratórias. Alertou que a resposta ao extrativismo latino-americano era a construção de um modelo de desenvolvimento independente, baseado na democracia e no que ele chama de capitalismo popular; uma proposta que, vinda de alguém que se identifica como marxista, foi mal recebida pela esquerda ortodoxa. E previu que o consenso liberal estava sendo minado por um movimento populista, demagógico e caudilho.
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