O projeto Lula IV em sua encruzilhada

Janela geopolítica e China abrem espaço para superar regressão de quatro décadas. Há caminhos em IA, energias limpas, cooperativismo digital, SUS e biomas. Mas diante do rentismo, campanha vacila e arrisca-se a prometer “menos do mesmo”

Por Pedro Paulo Zahluth Bastos, em Outras Palavras

Como superar os desafios estruturais que um programa desenvolvimentista enfrenta no Brasil contemporâneo? Minha contribuição aqui busca articular duas dimensões desse desafio: primeiro, as restrições domésticas impostas pelo arcabouço fiscal à execução de uma política econômica desenvolvimentista; segundo, as oportunidades abertas pela reconfiguração geopolítica global, particularmente a rivalidade sino-americana, que criam condições históricas para uma estratégia de autonomia tecnológica e reindustrialização. Meu argumento central é que essas duas dimensões estão intrinsecamente conectadas: sem reformar as amarras fiscais que inviabilizam investimentos públicos estratégicos, o Brasil permanecerá incapaz de aproveitar a janela geopolítica que se abre. Nas eleições de 2026, a esquerda não pode prometer “menos do mesmo”: precisa demonstrar sua capacidade de propor mais e melhores políticas públicas que dialoguem inclusive com os grupos sociais resistentes ao governo Lula.

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Os excluídos do Direito à Água

Cena urbana chocante (e frequente): um jovem dorme no asfalto em brasa. Por que ainda faltam banheiros públicos, bebedouros, refúgios contra o calor e lavanderia social à população em situação de rua, apesar da exigência do STF? Como o saneamento privatizado intensifica esta violação?

Por Washington Lima dos Santos, em Outras Palavras

Era uma manhã de sol inclemente. Caminhando pela região central de Belo Horizonte, eu e meu parceiro nos deparamos com uma cena que resume, de forma dolorosa, a paisagem urbana comum nas grandes cidades brasileiras: um homem jovem, descalço, deitado sobre o asfalto em ebulição, espremido entre a calçada e o fluxo violento dos carros, rodeado por lixo.

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A criminalização da misoginia e a fabricação da perseguição aos homens

Por Camila Galetti e Nathaly Royer, no blog da Boitempo

1. Da invisibilização da violência contra as mulheres à vitimização dos homens 

Os debates recentes em torno da criminalização da misoginia no Brasil emergem em um contexto marcado pela persistência e, em alguns casos, intensificação da violência de gênero. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2025) reiteram que o feminicídio permanece como um fenômeno estrutural no país, evidenciando não apenas a continuidade, mas a capilaridade da violência contra mulheres em diferentes territórios e contextos sociais. No entanto, paralelamente à produção desses diagnósticos e à formulação de instrumentos legais para seu enfrentamento, observa-se a crescente reação de setores da extrema direita que buscam deslegitimar tanto a categoria de misoginia quanto às políticas públicas associadas ao seu combate. 

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Entrevista: “Massacre de Eldorado do Carajás tinha um objetivo: impedir a territorialização do MST”

Após 30 anos de impunidade, advogado da CPT denuncia que o massacre não foi um caso isolado, mas uma tentativa de barrar a organização da luta pela terra no sul e sudeste do Pará

Por Solange Engelmann, da Página do MST

Após 30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás, no fatídico 17 de abril de 1996, em que uma tropa de 164 policiais militares do Pará preparou uma emboscada contra 1.500 famílias do MST, mobilizadas no município de Eldorado do Carajás pela desapropriação da Fazenda Macaxeira, no Pará, resultando no assassinato de 21 trabalhadores rurais, a violência contra os trabalhadores Sem Terra segue derramando sangue dos mártires da terra na região sul e sudeste do Estado.

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CPT de Alagoas e Paraíba refletem desafios e caminhos das Romarias da Terra e das Águas

Encontro reuniu agentes pastorais em Sobrado (PB) e destacou a necessidade de fortalecer o trabalho de base, preservar a identidade e renovar metodologias

Por Lara  Tapety | CPT/AL

No dia 01 de abril, as equipes da Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Alagoas e de João Pessoa (PB) se reuniram para refletir a respeito das Romaria da Terra e das Águas, que são realizadas em ambos estados em diferentes datas. Tanto a CPT de Alagoas quanto de João Pessoa, que integram a Regional Nordeste 2, realizaram em 2025 a 36ª edição da romaria e seguem para a 37ª realização neste ano de 2026.

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Sem demarcações de terras indígenas, Acampamento Terra Livre 2026 cobra respostas dos Três Poderes

Com mais de 7 mil indígenas, reafirmou luta por direitos territoriais e encerrou com cartas destinadas aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário

Cimi

Demarcação Já! A palavra de ordem marcou mais uma vez a maior mobilização indígena do país. A 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL), realizada na última semana na capital federal, reuniu mais de 7 mil indígenas de 200 povos, de todas as regiões e biomas do Brasil e cobrou, sobretudo, a demarcação de terras indígenas e a proteção dos territórios contra a exploração econômica predatória.

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MPF pede mediação em conflito fundiário para evitar despejo de 70 famílias em área do Exército em Guaratiba (RJ)

Órgão sustenta que ações individuais ignoram direitos coletivos de comunidades e propõe atuação da Comissão de Soluções Fundiárias do TRF2

Procuradoria da República no Rio de Janeiro

O Ministério Público Federal (MPF) solicitou à Justiça Federal que o conflito fundiário envolvendo o Centro Tecnológico do Exército (CTEx), em Guaratiba, zona oeste do Rio, seja tratado como uma questão coletiva e social, e não como um conjunto de disputas individuais de posse. O órgão aponta que cerca de 70 famílias de comunidades tradicionais estão sob ameaça de despejo forçado e defende a mediação como caminho para garantir os direitos de todas as partes envolvidas.

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Nosso apoio demanda compromisso: Carta aberta do ATL ao presidente Lula

Nós, povos indígenas do Brasil, por meio da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil e de nossas organizações regionais, reunidos no Acampamento Terra Livre, em Brasília, afirmamos que a eleição de 2026 coloca o país diante de uma disputa direta entre o retorno de um projeto de morte e a continuidade de um campo democrático, onde seguimos organizados para disputar os rumos da sociedade e fortalecer a vida.

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Os crimes ambientais. Por João Pedro Stédile

Em tempos de crise do sistema capitalista, há uma ofensiva do capital que corre para se apropriar dos bens da natureza, como minérios, petróleo, agua, florestas, terras, biodiversidade. Esses bens não têm valor, mas ao se transformar em mercadorias garantem uma renda extraordinária fantástica

Em A Terra é Redonda

Todos os dias a imprensa divulga os crimes ambientais que acontecem em todo Brasil, na América Latina e no mundo. Esses crimes colocam a vida humana e de milhares de seres vivos – animais, vegetais e bactérias, em risco, em todo planeta. Todos dias pessoas morrem, por seca, aquecimento global, poluição, enchentes e vendavais.

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ATL 2026: indígenas cobram proteção às suas terras e querem ampliar a “bancada do cocar”

Acampamento indígena reivindica segurança contra desmatamento e garimpo ilegal além de mais representatividade política

Por Dyepeson Martins | Edição: Ludmila Pizarro, Agência Pública

Debates simultâneos, discursos, eventos culturais e, no centro de tudo, uma palavra em comum – cobrança. O Acampamento Terra Livre (ATL) reúne, em Brasília, mais de 7 mil indígenas que, diante do ano eleitoral, cobram mais ações de proteção, demarcação e desintrusão (remoção de invasores de Terras Indígenas) nos territórios, além de maior representatividade no parlamento e em cargos estratégicos do governo federal.

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