Janela geopolítica e China abrem espaço para superar regressão de quatro décadas. Há caminhos em IA, energias limpas, cooperativismo digital, SUS e biomas. Mas diante do rentismo, campanha vacila e arrisca-se a prometer “menos do mesmo”
Por Pedro Paulo Zahluth Bastos, em Outras Palavras
Como superar os desafios estruturais que um programa desenvolvimentista enfrenta no Brasil contemporâneo? Minha contribuição aqui busca articular duas dimensões desse desafio: primeiro, as restrições domésticas impostas pelo arcabouço fiscal à execução de uma política econômica desenvolvimentista; segundo, as oportunidades abertas pela reconfiguração geopolítica global, particularmente a rivalidade sino-americana, que criam condições históricas para uma estratégia de autonomia tecnológica e reindustrialização. Meu argumento central é que essas duas dimensões estão intrinsecamente conectadas: sem reformar as amarras fiscais que inviabilizam investimentos públicos estratégicos, o Brasil permanecerá incapaz de aproveitar a janela geopolítica que se abre. Nas eleições de 2026, a esquerda não pode prometer “menos do mesmo”: precisa demonstrar sua capacidade de propor mais e melhores políticas públicas que dialoguem inclusive com os grupos sociais resistentes ao governo Lula.
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