Rio: Como grupos armados sequestram a democracia

Impactos ampliam abstenção e vão além dos currais eleitorais. Estudo mostra que territórios controlados têm 30% menos organizações sociais. Onde elas existem, ação coletiva é cerceada por ameaças, represálias e autocensura – especialmente em áreas de milícia

Por Taísa Sanches, Clara Polycarpo, Utanaan Reis, Bruno Frazão e Orlando Santos Junior, em Outras Palavras

Enquanto a segurança pública ocupa o centro do debate eleitoral no Rio de Janeiro, uma questão permanece à margem: como exercer a democracia em territórios onde o medo, a vigilância e a coerção restringem a liberdade de organização e participação política?

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Para vencer o fascínio fácil do fascismo. Por João Carlos Salles,

O que explica a adesão popular a um projeto declaradamente autoritário? Como mobiliza emoções e mitos que resistem à qualquer refutação racional? Quais as vias para escapar da retórica de beligerância permanente? Reflexões às vésperas de uma eleição decisiva

Em Outras Palavras

Para Mário Kertész,
amigo que, no ar,
me provocou o tema

O fascismo exerce um fascínio insidioso sobre as massas que vitima, mas também sobre as elites que alimenta ou constrói. Por abjeto que o seja, não é um inimigo fácil. Pensamos vê-lo derrotado, exibimos suas mazelas, e eis que ele teima em ressurgir com força como uma solução simples e falsa para problemas complexos e muito verdadeiros — problemas que ele torna ainda mais graves. É um enigma assustador e, mais uma vez, urgente, a desafiar teóricos e militantes.

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Fábio Felix: “Chega de fazer política morna”

Fenômeno nas urnas, deputado eleito crê que é possível combater “pânico moral” com propostas para os problemas reais da população. Defende: a esquerda precisa voltar a pautar o futuro do país – com as ruas mobilizadas para barrar retrocessos no Congresso

Por Glauco Faria, em Outra Saúde

Em meio a um cenário eleitoral marcado pelo avanço expressivo da extrema direita no Congresso Nacional, Fábio Felix (PSOL) emergiu das urnas como o deputado federal mais votado da história do Distrito Federal, arrebatando mais de 224 mil votos.

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O Brasil não cabe no quintal de ninguém!

A entrega de bens naturais ao governo Trump terá impacto negativo direto nos territórios indígenas. A lógica entreguista da candidatura de Flávio Bolsonaro precisa ser barrada nas urnas

Por Luís Ventura, secretário-executivo do Cimi

O atual governo dos Estados Unidos, presidido por Donald Trump, está conduzindo a geopolítica mundial para uma confrontação permanente, com gravíssimas consequências para muitos povos e países do mundo. Essa confrontação tem uma profunda e evidente motivação econômica.

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MP Eleitoral recomenda ao TSE ampla divulgação sobre as mudanças nos locais de votação

Mais de 400 seções eleitorais foram deslocadas em todo o país; segundo turno ocorre no próximo domingo (25)

Procuradoria-Geral da República

O Ministério Público (MP) Eleitoral recomendou à Justiça Eleitoral a adoção de um conjunto de oito providências para ampliar a divulgação das informações relacionadas às mudanças de endereço de locais de votação para o segundo turno das eleições. Em ofício encaminhado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa, destaca que o segundo turno ocorre já no próximo domingo (25), intervalo curto para que os eleitores afetados pelas modificações sejam informados. A circunstância justifica a adoção de providências especiais e mais intensas de divulgação, com foco em assegurar o pleno exercício do direito ao voto.

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O voto pela vida. Por Amélia Cohn

O voto pela vida opõe a continuidade de direitos sociais, SUS e educação pública a um projeto de necropolítica, violência e destruição democrática

Em A Terra é Redonda

1.

O segundo turno dessa eleição não permite meio termo. Não se trata mais de votos em nomes, mas sim de projetos de presente e futuro para o Brasil. O voto em Lula significa apostar nas gerações futuras, na possibilidade das futuras gerações de terem a chance de realizar suas plenas capacidades. O voto em Flávio Bolsonaro significa apostar no retrocesso, na violência e na volta da política dos anos 20 do século passado, quando a questão política era questão de polícia.

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Tempo livre. Por Luiz Marque

A redução da jornada e o fim da escala 6×1 abrem um tempo livre que deve ser vivido como autonomia, criatividade e laço social, não como mera reposição da força de trabalho

A Terra é Redonda

“Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação”
(Carlos Drummond de Andrade, em Os ombros suportam o mundo).

Por trás da promulgação da Emenda Constitucional, que reduziu uma jornada de trabalho de 44 horas para 40, encontra-se uma construção histórica composta por uns personagens memoráveis na luta para superar a escala semiescravista de 6 por 1. Nada caiu do céu, de repente.

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Editorial de A Terra é Redonda: “Não verás país nenhum?”

A Terra é Redonda

Neste 25 de outubro nós vamos decidir nas urnas o país em que viveremos nos próximos anos: um estado democrático ou um estado dominado pelo crime organizado, um estado-miliciano. Diante dessa encruzilhada, ecoa o alerta sombrio da distopia de Ignácio de Loyola Brandão, no livro “Não verás país nenhum”. Tal como na obra, em que a nação é engolida pelo colapso ambiental e pelo autoritarismo, o risco iminente é o de vermos nossa pátria arruinada, saqueada e irreconhecível.

Compromisso com o nosso futuro

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O debate expôs a falência da imprensa

Como é possível que um sujeito como o Flávio Bolsonaro tenha chegado até onde chegou sem ter que se explicar para o país?

Por Luis Felipe Miguel, em Amanhã não existe ainda

Foi triste assistir ao debate de ontem. Vimos um candidato a presidente, com suas qualidades e com seus defeitos, diante de um moleque, alguém que não tinha a menor condição de estar naquela posição. Flávio Bolsonaro adotou o modelo de seu coach, Pablo Marçal: foi lá para impedir qualquer discussão.

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Sem educação, clima ou fome: O dito e não dito na propaganda eleitoral de Flávio Bolsonaro

Discurso de guias que foram ao ar na TV mostra aposta em “medo” e “mulheres” e ignora temas como educação, fome e clima

Por Cecília Melo, Lucas Bezerra | Edição: Ed Wanderley, Agência Pública

“A boca fala do que o coração está cheio”, diz o versículo 31 do capítulo 12 do livro bíblico de Mateus. E apesar de a fé ter entrado em cheio na campanha presidencial, a lição não parece ter sido colocada em prática pela propaganda eleitoral do candidato de extrema direita Flávio Bolsonaro (PL). Educação, fome, moradia, mobilidade e clima foram termos que nenhum dos guias de exibição gratuita na TV mencionaram ao longo de sua corrida presidencial. A palavra “constituição”, inclusive, não foi sequer mencionada pelo candidato em 14 inserções gratuitas até o momento.  

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