Itaituba é um exemplo de duas realidades paralelas na Amazônia: a da atual ofensiva do governo federal contra o garimpo e o cotidiano das prefeituras e parlamentos municipais dominados por mineradores, madeireiros, grileiros e comerciantes que vivem à custa das atividades de destruição da floresta
Catarina Barbosa, SUMAÚMA
Itaituba, o município mais garimpeiro do Brasil, entrou em estado de alerta. Com a denúncia do genocídio Yanomami e a ofensiva do governo federal na terra indígena, narrada dia após dia pela imprensa brasileira e internacional com imagens fortes, uma parcela significativa da população da cidade do sudoeste paraense se sentiu atacada em sua identidade. Quem puxa o movimento de reação é o prefeito Valmir Climaco (MDB), conhecido por sua militância pró-garimpo. “Não é hora de parar o garimpo!”, defendeu em reunião pública convocada por ele na segunda-feira, 13 de fevereiro. Para se descolar das imagens dos indígenas morrendo por desnutrição provocada em grande parte pela mineração, Climaco tem uma estratégia que deixou explícita ao afirmar em entrevista a SUMAÚMA: “90% dos garimpos do Brasil estão em terra indígena ou parque ambiental e os outros 10% em Itaituba”. Em resumo: para o prefeito garimpeiro, todo garimpo é ilegal, menos o do seu município. Continue lendo “Prefeito garimpeiro convoca a população a resistir”










