Negar um genocídio é semear o seguinte. Por Deisy Ventura

Diante da vasta repercussão da crise mais recente da população Yanomami, parte da comunidade jurídica, de forma tardia e constrangida, começa a balbuciar: “agora sim, talvez…”. Como se indícios e até provas da destruição em curso já não fossem oferecidos pelos indígenas há tantos anos

por DEISY VENTURA, em Sumaúma

Genocídio e negacionismo andam juntos. Especialmente no século 20, as maneiras de destruir parcial ou totalmente determinados grupos humanos evoluíram tanto quanto as formas de negação da ocorrência destes crimes. É importante recordar que o negacionismo mais conhecido, o do holocausto, não foi inventado pelos líderes nazistas e colaboradores quando foram julgados logo após o final da Segunda Guerra. Nestes processos, os réus alegavam ignorar ou não ter responsabilidade pelos crimes praticados, mas não negavam a sua ocorrência. As primeiras formas de negação do holocausto surgiram numa comunidade de intelectuais que não teve implicação direta nos crimes, por razões essencialmente ideológicas e posteriores à guerra. Graças a variadas formas de resgate da memória, emergiram diante das novas gerações as atrocidades cometidas por nazistas e colaboradores contra judeus, ciganos, homossexuais e pessoas com necessidades especiais. Segundo o historiador Henry Rousso, a necessidade política de superar o holocausto surgiu para permitir o renascimento da extrema direita nos países europeus. Em outras palavras, para que colaboradores diretos ou indiretos de tamanha monstruosidade fossem aceitos no espaço público, era preciso negar ou relativizar a existência dos crimes, suscitando controvérsias onde elas não existem, ocultando ou forjando documentos, distorcendo fatos e discursos. O resgate das origens do negacionismo é fundamental para que o debate sobre genocídio que envolve ações e omissões praticadas por Jair Bolsonaro e diversos de seus colaboradores seja travado com a devida profundidade. Continue lendo “Negar um genocídio é semear o seguinte. Por Deisy Ventura”

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A meticulosa construção do brasileiro desnutrido

A América Latina tem a dieta saudável mais cara do mundo. Mas tragédia é lucrativa para redes de fast food e varejistas como as Americanas, impondo as calorias vazias dos ultraprocessados. Fraude, oportunismo e fome são a tônica dos super-ricos

Por Susana Prizendt, em Outras Palavras

Foi com lágrimas nos olhos que muitos de nós viram Lula subir a rampa do Palácio do Planalto, caminhando ao lado de um conjunto de pessoas que simbolizam a população brasileira – como o cacique Raoni e a catadora de materiais recicláveis Aline Sousa –, no dia de sua posse como presidente do país pela terceira vez. Depois de tantos anos de destruição social e ambiental, parecia que iríamos voltar a respirar e a tomar fôlego para a imensa tarefa de reconstruir nossa estrutura pública. Continue lendo “A meticulosa construção do brasileiro desnutrido”

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Precisamos falar sobre as doenças negligenciadas

Mais de 1,7 bilhões de pessoas estão ameaçadas por moléstias preveníveis e tratáveis – mas que não interessam à indústria farmacêutica. Fórum Social debruçado sobre o drama tem alternativas – e vê chance real de mudança com Nísia Trindade

Por Gabriela Leite, em Outra Saúde

Dengue, hanseníase, doença de chagas, leishmaniose, raiva, barriga d’água. Há 20 itens na lista de Doenças Tropicais Negligenciadas (DTN) elaborada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Ontem, 30 de janeiro, foi o dia escolhido para jogar um holofote sobre elas – que são comumente esquecidas por governos e pela indústria farmacêutica porque afetam sobretudo populações vulneráveis. O fato de serem ignoradas não significa que são um número pequeno: 1,7 bilhões de pessoas estão ameaçadas por Doenças Tropicais que são plenamente preveníveis e tratáveis. O alerta da OMS e de tantas outras entidades é que elas precisam deixar de ser ignoradas. Continue lendo “Precisamos falar sobre as doenças negligenciadas”

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20 pontos para vencer a tutela militar

Reconstruir a democracia exigirá passos mais arrojados. Entre eles, criar novos mecanismos de controle social. Retirar a Abin das mãos da caserna. Punir criminosos na justiça comum. E espalhar na sociedade civil o debate sobre defesa nacional

Por Observatório da Defesa e Soberania, no Instituto Tricontinental

Passado

1. A tutela militar sobre a política, as instituições e a sociedade brasileira é um componente fundante da formação social, cultural, econômica e política do Brasil. Não deve ser pensada como algo pontual do governo Bolsonaro, mas como algo permanente, tal qual o racismo. As formas como ela se expressa é que mudam. Por isso, não é algo que terminará com uma canetada ou que perdurará apenas por falta de “vontade política” ou “falta de boas ideias”. Exige muito mais: meta traçada, paciência, oportunidade e, sobretudo, perseverança cotidiana. Virtú e Fortuna. Continue lendo “20 pontos para vencer a tutela militar”

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Empresários percebem que país já não pode se submeter às forças armadas. Entrevista com Fabio Konder Comparato

IHU

Está em curso uma ligeira mudança no meio empresarial. Alguns empresários já reconhecem que o país não pode continuar a submeter-se às Forças Armadas, “pois elas são claramente incompetentes para dirigir a economia nacional”. A avaliação é do jurista Fábio Konder Comparato em entrevista ao TUTAMÉIA. Ele lembra que, em todos os regimes capitalistas, o poder econômico sempre tentou se aliar aos setores militares –uma associação que nem sempre funcionou, embora ambos os grupos busquem “subordinar o bem público aos interesses particulares”. Continue lendo “Empresários percebem que país já não pode se submeter às forças armadas. Entrevista com Fabio Konder Comparato”

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Do bolsonarismo ao neofascismo. Por Isadora de Andrade Guerreiro

“Estamos diante da formação de algo muito maior que o bolsonarismo — é a emergência de um grande movimento social de massas de corte fascista”, afirma Isadora de Andrade Guerreiro, docente e pós doutoranda na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU-USP), em artigo publicado por Passa Palavra

IHU

Com este texto, gostaria de deixar uma hipótese sobre a depredação das sedes dos três poderes em Brasília no último dia 8 de janeiro: tais eventos estariam marcando o fim de um lugar histórico do bolsonarismo, entendido como um processo de transição, para a continuidade, em outros termos, do desenvolvimento de um movimento de corte fascista mais amplo do que foi construído até aqui pelos seguidores do ex-presidente. Vou tentar falar a respeito tendo em vista vários textos que já publiquei por aqui, indicando que o terreno está movediço nos territórios populares há algum tempo – e, portanto, o bolsonarismo não é um raio em céu limpo, mas tem raízes sociais, que não desaparecem com a mudança de governo. Continue lendo “Do bolsonarismo ao neofascismo. Por Isadora de Andrade Guerreiro”

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Etnocídio Yanomami e Ecocídio Amazônico

  • Um etnocídio inenarrável, um genocídio herodiano, um imenso ecocídio amazônico e uma aporofobia mortal, imoral e insensível;
  • Documentos importantes promovidos pelo Papa Francisco e que deveriam ter sido levados a sério pelos níveis de decisão política e econômica para evitar esse desastre;
  • É tempo de chorar com os que choram, de gritar a indignação do ensurdecedor silêncio cúmplice e de visualizar o evitável horror causado por aqueles que se esconderam atrás de interesses indizíveis.

por Marcelo Figueroa, em L´Osservatore Romano / IHU

O Brasil, a América Latina e o mundo inteiro estão sabendo com horror, indignação e espanto a situação de desolação e morte do povo Yanomami na Amazônia. Esta população altamente vulnerável do Brasil profundo está de luto por quase seiscentas crianças que morreram de doenças já extintas em outras partes do planeta, situações de saúde geral deploráveis, desnutrição em todas as idades e os mais atrozes efeitos fatais decorrentes do extrativismo descontrolado. Continue lendo “Etnocídio Yanomami e Ecocídio Amazônico”

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Colégios militares do Acre não podem invadir vida privada nem atentar contra liberdades de alunos, diz MP

Recomendação foi enviada ao governador do estado e ao comandante da PMAC

O Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Acre (MP/AC) enviaram recomendação conjunta ao governador do Acre, Gladson Cameli, e ao comandante da Polícia Militar do Acre (PMAC), Luciano Dias Fonseca, com uma série de medidas para cessar a imposição de padrões estéticos e de comportamentos aos alunos dos colégios militares estaduais de ensino fundamental e médio “Dom Pedro II” e “Tiradentes”, da rede pública estadual de ensino. Continue lendo “Colégios militares do Acre não podem invadir vida privada nem atentar contra liberdades de alunos, diz MP”

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MPF instaura inquérito civil para apurar omissão do Estado brasileiro na crise humanitária da TI Yanomami

Apuração vai investigar em que medida agentes públicos atuaram no descumprimento de ordem judiciais e na desassistência à saúde dos indígenas

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou procedimento que vai apurar a responsabilidade do Estado brasileiro na crise humanitária que enfrenta o povo Yanomami em Roraima. O órgão quer analisar também como as ações e omissões de gestores e políticos podem ter contribuído para a situação atual das comunidades que vivem na Terra Indígena Yanomami. Os agentes públicos foram alvo de representações feitas por partidos políticos e entidades da sociedade civil encaminhadas à unidade de Roraima. Continue lendo “MPF instaura inquérito civil para apurar omissão do Estado brasileiro na crise humanitária da TI Yanomami”

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Equipes enviadas a território yanomami sofrem ameaças

Situação foi constatada por comitiva ministerial

Por Alex Rodrigues, em Agência Brasil

O governo federal apura supostas ameaças feitas a profissionais de saúde e servidores públicos federais enviados a Roraima para atender índios yanomami. Segundo integrantes da comitiva do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania que chegaram a Boa Vista anteontem (29), a necessidade de garantir a integridade física das equipes de saúde e de resgate é uma dificuldade a mais no enfrentamento à crise sanitária que afeta a maior reserva de usufruto exclusivo indígena do país. Continue lendo “Equipes enviadas a território yanomami sofrem ameaças”

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