O delicado caminho do jornalismo para evitar cometer violência ao denunciar as violências
em Sumaúma
Na última sexta-feira, 20 de janeiro, nossos leitores acordaram com uma frase: “Não estamos conseguindo contar os corpos”. O desabafo de um profissional de saúde que atua na Terra Indígena Yanomami, entre os estados de Roraima e Amazonas, se tornou o título da reportagem que revelou com exclusividade o número aterrador que passou a ser repetido por autoridades e imprensa brasileira e internacional: 570 crianças da etnia Yanomami morreram por causas evitáveis nos quatro anos do governo do extremista de direita Jair Bolsonaro, um aumento de 29%. Na tarde do mesmo dia, Lula anunciou que viajaria a Boa Vista, capital de Roraima. Na comitiva, a parentíssima Sonia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas, e a presidenta da Fundação dos Povos Indígenas, Joênia Wapichana, entre vários ministros e autoridades. “Recebemos informações sobre a absurda situação de desnutrição de crianças Yanomami em Roraima. Amanhã viajarei ao Estado para oferecer o suporte do governo federal e, junto com nossos ministros, atuaremos pela garantia da vida de crianças Yanomami”, afirmou o presidente no Twitter. O Ministério da Saúde decretou então estado de emergência no território Yanomami. Continue lendo “Como chegamos aos 570 pequenos indígenas mortos por negligência do governo Bolsonaro. Por Eliane Brum”