O mal das pessoas de bem. Por Fausto Salvadori

Newsletter da Ponte

Quando bolsonaristas foram presos pela tentativa de golpe de estado em 8 de janeiro, teve gente que comemorou quando começaram a pedir respeito aos direitos humanos e a falar em devido processo legal, como se tivessem “aprendido algo” com essa experiência. Mas quem comemorou não entendeu nada. Prisões nunca ensinaram nada a ninguém, e não seria agora que essa regra universal conheceria sua primeira exceção.

A prova de que a extrema-direita não havia aprendido nada com as prisões dos seus apareceu na mesma semana, quando as mesmas vozes que haviam acabado de denunciar as supostas condições “desumanas” dos prisioneiros golpistas — obrigados, coitados, a comerem macarrão com nuggets (oh, humanidade!) — passaram a denunciar um suposto aumento do auxílio-reclusão, chamado por esse povo de “bolsa bandido”. Continue lendo “O mal das pessoas de bem. Por Fausto Salvadori”

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E Janio de Freitas está de volta: “Depois das festas”

“Grande Festa da Destruição” em 8 de Janeiro foi uma despedida coerente do governo da devastação, escreve Janio de Freitas

Para refletir o sentimento do autor, este artigo de estreia deveria curvar-se, humilde, à verdade do lugar-comum tão ridicularizado. Assim: não tenho palavras para agradecer a recepção do Poder360 e dos comentários, repletos de tolerância e de generosidade, a este novo recomeço meu. Não sei mesmo como exprimir as dimensões, tantas, do sentimento e da gratidão que irão comigo daqui por diante, seja qual for esse tempo.

E assim dito, viria o ponto final. Continue lendo “E Janio de Freitas está de volta: “Depois das festas””

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‘Não estamos conseguindo contar os corpos’

Dados obtidos com exclusividade por SUMAÚMA mostram que, durante o governo do extremista de direita Jair Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami: 570 pequenos indígenas morreram nos últimos 4 anos por doenças que têm tratamento

Por Ana Maria Machado, Talita Bedinelli e Eliane Brum, na Sumaúma

A criança Yanomami já tinha vivido 1.095 dias, mas pesava o mesmo que um bebê que acabara de nascer. Três anos e 3,6 quilos. O número traduz o que uma série de fotografias recentes recebidas por SUMAÚMA mostram: corpos de crianças e velhos, com peles que recobrem apenas os ossos, tão fragilizados que mal parecem se equilibrar. Costelas que parecem perfurar os corpos minúsculos contrastam com barrigas enormes, povoadas por vermes. Dados obtidos por SUMAÚMA apontam que, nos 4 anos de governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), 570 crianças com menos de 5 anos morreram no território Yanomami pelo que as estatísticas chamam de “mortes evitáveis”. Isso significa que 570 pequenos indígenas poderiam estar correndo, rindo e inventando brincadeiras, neste momento, se houvesse atendimento adequado de saúde ou ações de prevenção. Não houve. O número oficial já é 29% maior do que nos 4 anos anteriores, dos governos de Dilma Rousseff (PT) e, após o impeachment, de Michel Temer (MDB). Como o território sofreu um apagão estatístico durante o governo de extrema direita, é provável que a realidade seja ainda mais aterradora. Este é o legado de Bolsonaro. Continue lendo “‘Não estamos conseguindo contar os corpos’”

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O bando. Por Julio Pompeu

No Terapia Política

Estão por aí. Vejo. Sinto. Ouço. Em todos os lugares. Nos bares, becos e bancos de praça. Nas casas, lares felizes para os que veem de fora – e de longe. Nas igrejas, nos trabalhos e nos vai e vens das ruas apinhadas de gente apressada com atenção dividida entre vitrines e gente com cara de ladrão. Sim, eu sei. Estão perto. Muito perto. Onde menos se espera. E mais ainda onde se espera. Continue lendo “O bando. Por Julio Pompeu”

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Decepção e frustração na Fundação Casa de Rui Barbosa

Considerações sobre a escolha pela Ministra da Cultura do presidente da instituição

Por Gabriela Faria e Fabio Jardim, no A Terra é Redonda

Desde 2017 o regimento interno da Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB) prevê, em seu artigo 3º, que o “Ministro de Estado da Cultura auscultará previamente o corpo funcional da FCRB para a escolha do Presidente da Fundação com vista à submissão à Presidência da República”. Evidentemente, durante o governo de Jair Bolsonaro esse artigo não só foi desconsiderado como o próprio Ministério da Cultura (MinC) foi desfeito, indicando o descaso daquela gestão com as questões culturais do país. Essa desconsideração foi confirmada com a escolha de Letícia Dorneles como presidente da instituição, decisão baseada puramente na negociação de cargos entre aliados políticos de um grupo que ignorava totalmente o funcionamento e a importância da Casa Rui. Continue lendo “Decepção e frustração na Fundação Casa de Rui Barbosa”

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Em Roraima, Lula faz primeira viagem de política externa. Por Jamil Chade

No UOL

Oficialmente, a primeira viagem ao exterior do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ocorrerá nos próximos dias e o destino é a América do Sul. Mas para diplomatas brasileiros e estrangeiros, a realidade é que sua “primeira visita de política externa” já está ocorrendo neste sábado em Roraima.

Ao visitar as terras Ianomâmis, o novo governo manda uma mensagem de que a questão indígenas não ficará apenas no anúncio da criação de uma nova burocracia, de imagens simbólicas ou de discursos de impacto. Não existem dúvidas de que a viagem, portanto, cumpre uma função doméstica de ruptura em relação ao governo de Jair Bolsonaro. Continue lendo “Em Roraima, Lula faz primeira viagem de política externa. Por Jamil Chade”

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Lula em Roraima: “Não vai mais existir garimpo ilegal”

Em Boa Vista, presidente visitou unidades de saúde indígena que atendem Yanomamis vítimas de tragédia humanitária

Por Nara Lacerda, no Brasil de Fato

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o governo vai atuar para acabar definitivamente com o garimpo ilegal. A afirmação foi feita após visita a um hospital indígena e à Casa de Saúde Indígena em Boa Vista, capital de Roraima, neste sábado (21). Continue lendo “Lula em Roraima: “Não vai mais existir garimpo ilegal””

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“Quando alguém fala a palavra Braskem, dá vontade de chorar”: o impacto do crime da Braskem na educação de Maceió

Por Géssika Costa e Jean Albuquerque*, no Observatório da Mineração

Se Cláudia Santos, 46, mãe de Graziele de Oliveira, 13, soubesse o que aconteceria semanas depois da filha ter iniciado o ano letivo, o álbum de fotografias da estudante guardaria as últimas memórias do colégio que a acolheu ainda nos primeiros anos de vida.

“Era uma extensão da minha casa. Foi um corte muito brutal para a minha filha. Quando soube que ia ter que sair da escola, ela chorou muito e disse que ia ficar na escola. Tivemos que explicar a ela que precisávamos tirá-la de lá e que também iríamos nos mudar. Pensei que fôssemos desabar de vez. Hoje, ela se emociona por tudo e diz estar triste. Quando alguém fala a palavra Braskem, dá vontade de chorar, eu não gosto”, desabafa Santos. Continue lendo ““Quando alguém fala a palavra Braskem, dá vontade de chorar”: o impacto do crime da Braskem na educação de Maceió”

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Justiça condena três delegados a pagarem R$ 1 milhão cada um por torturas e mortes na ditadura

TRF-3 apontou que Aparecido Calandra, David Araújo e Dirceu Gravina causaram danos à sociedade ao participar da morte e tortura de 25 pessoas, entre elas o jornalista Vladimir Herzog, no extinto DOI-Codi, em SP

Por Jeniffer Mendonça, na Ponte

O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) condenou, na quarta-feira (18/1), os delegados aposentados Aparecido Laertes Calandra, David dos Santos Araújo e Dirceu Gravina a pagarem, cada um, R$ 1 milhão em indenização por danos morais coletivos sofridos pela sociedade brasileira em razão das torturas e mortes cometidas por eles durante a ditadura civil-militar. O dinheiro deve ser destinado ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, ligado ao Ministério da Justiça e da Segurança Pública. Continue lendo “Justiça condena três delegados a pagarem R$ 1 milhão cada um por torturas e mortes na ditadura”

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Mais um camponês é assassinado em área de conflito em Rondônia

Patrick Gasparini Cardoso era morador do Acampamento Tiago Campin dos Santos e soma-se a outras sete vítimas assassinadas na área desde 2021. Em 2022, pelo segundo ano consecutivo, o maior número de assassinatos registrados pela CPT foi no estado

Setor de Comunicação da CPT Nacional

Logo entre os primeiros dias do ano, no dia 4 de janeiro, pistoleiros assassinaram Patrick Gasparini Cardoso, mais conhecido como Cacheado, morador do Acampamento Tiago Campin dos Santos, organizado pela Liga dos Camponeses Pobres (LCP) em Rondônia. O camponês foi encontrado morto na fazenda NorBrasil, entre o distrito de Nova Mutum-Paraná, área rural de Porto Velho (RO), e Nova Dimensão, no município de Nova Mamoré (RO). Continue lendo “Mais um camponês é assassinado em área de conflito em Rondônia”

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