O quase último ultimato. Por Julio Pompeu

No Terapia Política

“Senhores Generais do Alto Comando!”, disse bem alto, silabando palavra por palavra e em volume maior os últimos sons de cada uma. Como quem ordena e quer deixar claro que o sinal para obedecer vem com a última sílaba. Gosta especialmente da expressão “Alto Comando”. Pronunciou com pose de quem diz algo importante, algo sagrado. Os olhos brilharam em lágrimas e as bochechas se avolumaram para caber na boca o orgulho de dizê-la. É evocação do poder que não tem. Da destruição que deseja. Siqueira estava esperançoso e orgulhoso de sua voz ecoar pelo acampamento patriótico enquanto lia a carta. Continue lendo “O quase último ultimato. Por Julio Pompeu”

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Terra arrasada. Por Adhemar. S. Mineiro

No Terapia Política 

Na medida em que nos aproximamos do fim do ano, os sinais da destruição nacional vão ficando mais evidentes. Agora, trata-se da destruição do orçamento.

Não que não fosse possível inferir isso, a partir da administração orçamentária dos anos Bolsonaro, e em especial da gestão temerária feita no segundo semestre desse ano para tentar de toda maneira ganhar as eleições. Vale um destaque à expansão acelerada e sem critérios do chamado Auxílio Brasil e a criação de vários auxílios para categorias específicas, como taxistas e caminhoneiros. Além disso, foram dados subsídios aos preços dos derivados de petróleo de diversas maneiras (e ainda nem conhecemos direito o rombo nas contas dos estados por conta da redução dos impostos dos derivados de petróleo, mas o passivo parece ser para lá de bilionário, a ser discutido na justiça e cobrado do Executivo federal). Continue lendo “Terra arrasada. Por Adhemar. S. Mineiro”

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Organizações são convidadas para evento de criação de agenda de enfrentamento ao racismo religioso no Pará

Encontro será nesta terça-feira (13), às 14 horas, na sede do MPF em Belém

O Ministério Público Federal (MPF) e a frente Povos Tradicionais de Matrizes Africanas (Potmas) do Pará estão convidando organizações públicas e sociais para a construção de uma agenda conjunta de enfrentamento do racismo religioso no estado.

O evento de lançamento da proposta foi marcado para terça-feira (13), às 14 horas, na sede do MPF em Belém (rua Domingos Marreiros, 690, bairro do Umarizal). Continue lendo “Organizações são convidadas para evento de criação de agenda de enfrentamento ao racismo religioso no Pará”

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A hipótese do orçamento participativo nacional. Por Selvino Heck

E se, no lugar de emendas controladas pelo interesse fisiológico, destinadas a beneficiar reeleições, a decisão popular fosse priorizada? Experiência em Porto Alegre, que dá voz ao povo – e é exemplo internacional – pode inspirar Lula

No Sul21/Outras Palavras

Sábado, 03 de dezembro de 2022, tive a alegria, o privilégio, a honra de, mais uma vez, participar de uma Assembleia do Orçamento Participativo na Lomba do Pinheiro, Porto Alegre, Escola Villa Lobos, com centenas de moradores das vilas populares. Continue lendo “A hipótese do orçamento participativo nacional. Por Selvino Heck”

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A esperança dos ninguéns, bem além das eleições

Como imaginar um país transformando, num tempo de crise das velhas teorias emancipatórias e de rebaixamento das utopias? A ideia da decolonialidade e a crítica profunda ao “novo” capitalismo podem fornecer algumas pistas

Por Uribam Xavier*, em Outras Palavras

OS NINGUÉNS.
Os ninguéns: os filhos de ninguém, os donos de nada.
Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e mal pagos.
Que não são, embora sejam.
Que não falam idiomas, falam dialetos.
Que não praticam religiões, praticam superstições.
Que não fazem arte, fazem artesanato.
Que não são seres humanos, são recursos humanos.
Que não têm cultura, têm folclore.
Que não têm cara, têm braços.
Que não têm nome, têm número.
Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas policiais da imprensa local.
Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.
[Eduardo Galeano, no livro “O livro dos abraços”]

No pensamento decolonial, os componentes constitutivos do padrão mundial do poder do sistema-mundo moderno/colonial são: a colonialidade do poder, ou seja, a ideia de raça como fundamento da divisão da sociedade como elemento de dominação para o processo de acumulação de riqueza por meio das várias formas de exploração do trabalho, da natureza e dos territórios; o Estado, como forma central de controle da ação coletiva em defesa da propriedade privada e da concentração de capital; o eurocentrismo, como forma de produção e reprodução de conhecimento e subjetividade/intersubjetividade locais como universais; o capitalismo, como forma universal de exploração do trabalho e o controle da natureza como coisa a ser morta, ou seja, transformada em mercadoria. Portanto, a luta contra o padrão mundial de poder é mais do que a luta contra o capitalismo, é uma ação de interseccionalidade que abrange todos os seus componentes constitutivos. Continue lendo “A esperança dos ninguéns, bem além das eleições”

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A fome e o bife de ouro. Por Roberto Malvezzi (Gogó)

Na mídia, episódio do Catar tem mais espaço que a busca de uma saída para a crise alimentar brasileira. Mas ela existe. Inclui terra e crédito para quem precise, novo modelo agrícola, garantia dos territórios ancestrais e políticas para a produção camponesa

em Outras Palavras

Deixemos os jogadores comerem seus bifes de ouro de nove mil reais. Eles têm talentos especiais, ganham muito dinheiro, o capital ganha em cima deles, portanto, se entendem. Mas, a fome é uma realidade de 33 milhões de brasileiros, que não é apenas apetite, mas a ausência dos nutrientes básicos para sustentar a vida de um ser vivo. Foquemos no que é realmente necessário para superar a fome. Continue lendo “A fome e o bife de ouro. Por Roberto Malvezzi (Gogó)”

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Bolsonaro deixa R$ 500 bilhões a serem pagos por consumidores em contas de luz, diz Transição

Governo de transição aponta que privatização da Eletrobras e outras medidas geram custo

por Vinicius Konchinski, em Brasil de Fato

O governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) vai deixar uma conta extra de R$ 500 bilhões a serem pagos por consumidores de energia elétrica nos próximos anos. O valor foi revelado nesta quinta-feira (8) pelo grupo técnico (GT) de Minas e Energia do governo de transição. Continue lendo “Bolsonaro deixa R$ 500 bilhões a serem pagos por consumidores em contas de luz, diz Transição”

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Uma ladainha sem fim. Por José Luís Fiori*

É como se existissem no Brasil dois universos paralelos e absolutamente incomunicáveis

em A Terra é Redonda

“Agentes econômicos têm manifestado preocupação com o risco de uma onda de gastos desenfreados na nova gestão – o que poderia minar os indicadores fiscais do país e aumentar a percepção de risco, grande depreciação cambial e maior pressão inflacionária. Com um Banco Central independente, isso poderia ser traduzido em juros altos por mais tempo e mais dificuldades para crescer” (Mortari, M. “A. Fraga, E. Bacha e P. Malan enviam carta a Lula e alertam para risco fiscal”. InfoMoney, 17 de novembro de 2022).

O debate econômico sobre a questão do “equilíbrio fiscal” é tão antigo e tão repetitivo que às vezes lembra uma polifonia medieval, em que as vozes se alternam repetindo as mesmas frases e os mesmos acordes infinitas vezes, como se fosse um mantra, ou uma “ladainha sem fim”. O fraseado pode mudar através do tempo, mas a essência dos argumentos é sempre a mesma, há mais de 200 anos. Seja pelo lado dos liberais ou monetaristas, que defendem o imperativo absoluto do “equilíbrio fiscal”, seja pelo lado dos desenvolvimentistas ou keynesianos, que consideram que o crescimento econômico exige políticas fiscais menos rígidas e mais expansionistas. Continue lendo “Uma ladainha sem fim. Por José Luís Fiori*”

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Ao STF, indígenas pedem a retomada do julgamento do marco temporal e alertam para genocídio dos povos

Lideranças de 21 povos protocolaram documentos no gabinete dos ministros e realizaram audiência com a Ministra Cármen Lúcia

POR ADI SPEZIA, DA ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DO CIMI

Na semana em que marca o “Dia do Judiciário” – 8 de dezembro –, lideranças indígenas de 21 povos, presentes em Brasília, pedem ao Supremo Tribunal Federal (STF) que retome o julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 1.017.365, que trata das demarcações de terras indígenas e teve repercussão geral reconhecida pela Corte. O caso discute uma reintegração de posse movida contra o povo Xokleng, em Santa Catarina, porém a decisão desse julgamento terá consequências para todos os povos indígenas do Brasil. Continue lendo “Ao STF, indígenas pedem a retomada do julgamento do marco temporal e alertam para genocídio dos povos”

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‘Secretaria, não. Nós queremos um Ministério dos Povos Originários’, diz Sônia Guajajara

Deputa eleita reage a entrevista em que Lula diz que pasta dos Povos Originários será novidade de seu governo, mas não sabe ainda de será “de cara um ministério ou uma secretaria”

Por Paulo Donizetti de Souza, RBA

A criação de uma secretaria especial vinculada à Presidência da República, em vez de um ministério dos Povos Originários, não terá o apoio das comunidades indígenas. A afirmação é da deputada federal eleita Sônia Guajajara (Psol-SP). “Para nós, uma secretaria está fora de cogitação”, diz ela a Juca Kfouri, no programa Entre Vistas, da TVT. Continue lendo “‘Secretaria, não. Nós queremos um Ministério dos Povos Originários’, diz Sônia Guajajara”

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