Brasil, decifra-me ou te devoro

Um mesário exibe o salmo bíblico da camiseta. Uma babá é refém da boa-vontadedos patrões para votar. No domingo, contradições, esperanças e tensões escancaradas no cotidiano brasileiro — e a urgência de uma virada na Educação e Cultura

Por Marineide de Oliveira Gomes, em Outras Palavras

Domingo, 30 de outubro de 2022, segundo turno das eleições no país, um dia histórico para a nossa frágil democracia brasileira, fui votar, logo pela manhã, em meio ao contexto geral de intolerância, violência e ódio que tomou conta do país nos últimos tempos, junto à esperança de que o resultado da eleição pudesse indicar outros rumos. Continue lendo “Brasil, decifra-me ou te devoro”

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O fascismo está aqui, mas será derrotado!

Ele já é um movimento: articula-se à ultradireita global, promove o caos e vai além da liderança de Bolsonaro. Aplicar a Constituição para desmantelá-lo não é “revanchismo”, mas defender a democracia de hordas criminosas

Por Graça Druck e Luiz Filgueiras, em Outras Palavras

A diferença de 1,8 ponto percentual a favor de Lula, que lhe deu a vitória sobre Bolsonaro, embora estatisticamente pequena, expressa na verdade uma vitória gigante de Lula e da esquerda; mas, sobretudo, uma vitória extraordinária das forças democráticas do país sobre o neofascismo. Como todos sabem, essa não foi simplesmente mais uma eleição na história do Brasil. Continue lendo “O fascismo está aqui, mas será derrotado!”

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O que é isso, companheiros? Por Jean Marc von der Weid

“Os fanáticos estão organizados em círculos de zap com poder de convocatória. Se no momento da derrota eles foram capazes de fazer este auê, o futuro nos reserva dificuldades pois desarmar o monstro vai demorar. Muitas das mentiras que mobilizaram este povo serão desmentidas pelo quotidiano”, escreve Jean Marc von der Weid, ex-presidente da UNE entre 1969 e 1971, fundador da ONG Agricultura Familiar e Agroecologia (AS-PTA) em 1983, membro do CONDRAF/MDA entre 2004 e 2016 e militante do movimento Geração 68 Sempre na Luta. Segundo ele, “mais difícil vai ser desarmar a oposição das classes A e B, cujo anticomunismo se confunde com o racismo, misoginia, o ódio aos LGBTQIA+, o desprezo pelos pobres e pelos nordestinos, o moralismo de fachada”.

IHU

O que estamos assistindo, compas? É uma tentativa de golpe de Estado? Um rito de passagem de um governo que já acabou? Um chororô dos fanáticos do mito? Um ensaio geral para a oposição ao Lula? Continue lendo “O que é isso, companheiros? Por Jean Marc von der Weid”

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Remover as raízes do fascismo. Por Luiz Werneck Vianna

“O horizonte que se revela para o governo Lula-Alckmin, diante dessa cultura antidemocrática que germinou entre nós, reclama por ações ainda mais inventivas e audaciosas do que as mobilizadas na vitoriosa disputa eleitoral. Nesse objetivo, o raio de ação da frente política a dar sustentação ao governo deve sondar, sem qualquer limitação, todas as possibilidades de expandir seu âmbito no sentido de incorporar todo aquele que recuse o fascismo como ideologia política”, escreve Luiz Werneck Vianna, sociólogo, PUC-Rio.

IHU

A reconquista da democracia, processo aberto com a vitória da ampla frente política em torno da candidatura Lula-Alckmin, afirma-se a cada dia em que pese a sedição de setores da categoria dos caminhoneiros que ocuparam as estradas em rebelião ao resultado das urnas, vociferando em favor de uma intervenção militar. A essa altura, já se faz patente o caráter metodicamente concertado desse movimento sedicioso, que as hostes bolsonaristas tinham como sua bala de prata a fim de promover o tumulto e o caos com que justificariam o golpe nas instituições que urdiam. Continue lendo “Remover as raízes do fascismo. Por Luiz Werneck Vianna”

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Reforma tributária, crucial e inadiável. Desafios do novo governo Lula. Entrevista especial Ricardo Carneiro

Economista reconhece que essa é uma tarefa gigantesca não só pelas questões domésticas, mas também considerando os movimentos globais da economia

Por: João Vitor Santos, em IHU

Se as primeiras gestões de Lula na presidência ficaram marcadas pelos bons ventos da economia global, o cenário para 2023 é bem diferente. O economista Ricardo Carneiro alerta que há vários aspectos que podem não só limitar as ações do governo, mas também agir como “possíveis gatilhos de transformação na ordem internacional e nas economias e sociedades dos diversos países”. De imediato, ainda antes de começar propriamente a entrevista que concedeu por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU, Carneiro detalha esses aspectos. São detalhes a serem observados, mas que nem de perto desanimam o também professor da Unicamp. “O mais importante de tudo é que vencemos, tanto para a Presidência da República quanto em vários estados da federação”, comemora. Continue lendo “Reforma tributária, crucial e inadiável. Desafios do novo governo Lula. Entrevista especial Ricardo Carneiro”

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A turba de Porto Belo afrontou todo o Supremo e as instituições

Não há nas capas dos jornalões uma linha sobre a turba de Porto Belo, que expulsou da cidade um ministro do Supremo às 4h da madrugada de sexta-feira

por Moisés Mendes, em Folha da PB

Os jornalões, fingindo legalismos e temerosos de novas e perigosas pedaladas, mobilizaram seus comentaristas com alertas sobre a PEC da transição. Mas tente encontrar nas capas dos jornais das corporações a notícia que ajuda a resumir o Brasil do extremista alucinado grudado na dianteira de um caminhão. Continue lendo “A turba de Porto Belo afrontou todo o Supremo e as instituições”

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Bolsonaristas intimidam jornalista da DW em bloqueio

Repórter do canal em língua espanhola da DW que cobria bloqueio em rodovia no Paraná foi obrigado a apagar filmagens por grupo de apoiadores do presidente

DW

O jornalista Isaac Risco, da redação em língua espanhola da DW, foi alvo de intimidação na última quarta-feira (02/11) enquanto cobria os bloqueios em rodovias organizados por grupos de extrema direita que não aceitam a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial. Continue lendo “Bolsonaristas intimidam jornalista da DW em bloqueio”

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Bolsonarismo: investigar, julgar e punir. Por Luciana Genro

Não se pode normalizar a barbárie, o autoritarismo, o discurso de ódio, os pedidos de golpe militar e as saudações nazistas

No A Terra é Redonda

Jair Bolsonaro foi derrotado. Mesmo com toda a utilização da máquina pública a seu favor, cujo ápice foram os bloqueios da Polícia Rodoviária Federal no dia da eleição. Mesmo com boa parte da patronal chantageando seus empregados. Mesmo com a enxurrada de fake news. Mesmo com os púlpitos das igrejas virando palanques bolsonaristas. Tudo isso não foi suficiente. Jair Bolsonaro foi o primeiro presidente que concorreu à reeleição e perdeu. Continue lendo “Bolsonarismo: investigar, julgar e punir. Por Luciana Genro”

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Uma democracia refém. Por Osvaldo Coggiola

O ensaio fascista escancarou que temos não uma crise política, mas uma crise institucional, de Estado

No A Terra é Redonda

Nos últimos dias o Brasil viveu uma tentativa de golpe de Estado, destinada a mudar seu regime político. Que a tentativa não tenha sido bem-sucedida, não significa que não existisse, e menos ainda que não continue. O bloqueio ou interdição, em mais de 600 pontos, de estradas em todo o país, realizado em menos de 24 horas, esteve muito longe de ser uma reação espontânea ou um movimento improvisado. Muito pelo contrário, poucas vezes se viu tamanha organização num movimento supostamente “civil”. Os caminhões que executaram os bloqueios, em sua imensa maioria, pertenciam a grandes empresas transportistas. O movimento não foi obra de trabalhadores autônomos, assalariados do transporte ou coisa parecida. Todas as entidades de classe dos caminhoneiros rejeitaram os bloqueios “dos caminhoneiros”. Continue lendo “Uma democracia refém. Por Osvaldo Coggiola”

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Tiros no muro do Lula: a pintura irremovível. Por José Ribamar Bessa Freire

No TaquiPraTi

“Acabou chorare no meio do mundo /
respirei eu fundo, foi-se tudo pra escanteio”
(Novos Baianos. Salvador. 1972)

– “Acabou” – uivou o Coiso dentro do STF. Acabou mesmo? Acabou o quê, porra? Respirei eu fundo. Chutado pra escanteio pelas urnas, acabou a verborreia do perdedor, mas não o chororô dos seus seguidores nutridos por ódio e violência armada. No cenário das manifestações golpistas contra a vitória de Lula, balas foram disparadas na madrugada do dia de finados, em Manaus, no Bairro da Paz, contra a residência do funcionário da Caixa Econômica Federal, José Cláudio Ramos Pontes, 56 anos, artista plástico parintinense e diretor de Movimentos Sociais do PT Municipal. Continue lendo “Tiros no muro do Lula: a pintura irremovível. Por José Ribamar Bessa Freire”

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