Dowbor: o fascismo cotidiano – e como vencê-lo

Os homens e empresas que constroem o poder dos Bolsonaro não pronunciam discursos raivosos. Alimentam, silenciosos, as engrenagens que sugam as riquezas coletivas e produzem desigualdade e miséria. Ódio e rancor são consequências

em Outras Palavras

Que o fascismo seja forte no Brasil não é novidade. Podemos chamar de diversos nomes, mas ao olhar de mais perto temos segmentos diferenciados. No topo da força política temos os grandes interesses das corporações financeiras internacionais. Hoje aparece com muito mais clareza o interesse dos Estados Unidos, mas também da França (Total) e outros pelo petróleo brasileiro, inclusive o seu papel no golpe. O que servia, no quadro do regime de partilha negociado por Lula, para financiar educação, saúde, ciência e tecnologia, bem como reinvestimento na própria empresa, hoje alimenta as contas dos acionistas internacionais, e seus aliados internos. É o caso também dos grandes grupos dos traders de grãos, como o “ABCD” – ADM, Bunge, Cargill e Dreyfus – que hoje controla 80% do comércio de grãos no planeta, em particular soja, milho, arroz e trigo, ou seja, o alimento do mundo. Com a Lei Kandir, de 1996, que isenta de impostos quem produz para exportação, temos um país que na última safra de grãos colheu o equivalente a 3,7 quilos por pessoa por dia, mas que tem 33 milhões de pessoas com fome, e 125 milhões em insegurança alimentar. Continue lendo “Dowbor: o fascismo cotidiano – e como vencê-lo”

Ler maisDowbor: o fascismo cotidiano – e como vencê-lo

Chomsky: No Brasil e EUA, a hora de vencer o fascismo

Pensador analisa eleições históricas. Os impactos e limites de uma possível vitória de Lula. Os riscos de um Congresso norte-americano alinhado a Trump. Como formular, em tempos turbulentos, alternativas que desafiem o sistema

Noam Chomsky, em entrevista a José Guilherme, Vanessa Nicolav e Hugo Albuquerque, na Jacobin Brasil

O linguista norte-americano Noam Chomsky – um dos maiores intelectuais públicos mundiais do último meio século – está no Brasil. Daqui “de baixo”, e do alto de seus 93 anos de idade, ele observa atentamente os desdobramentos de duas disputas políticas globais, simultâneas e correlatas: de um lado, o segundo turno das eleições brasileiras no próximo 30 de outubro, em que Jair Bolsonaro tenta a reeleição contra o ex-presidente Lula; de outro, as eleições legislativas norte-americanas, em que os republicanos buscam retomar o controle do Congresso e travar o governo de Joe Biden. Continue lendo “Chomsky: No Brasil e EUA, a hora de vencer o fascismo”

Ler maisChomsky: No Brasil e EUA, a hora de vencer o fascismo

Com fome, Guarani Kaiowá são proibidos até de buscar comida em lixão

De Olho nos Ruralistas constatou violações de direitos em cinco municípios do Mato Grosso do Sul; aterro onde eles buscavam alimentos foi cercado e encontra-se sob vigilância para impedir acesso; governo Bolsonaro agravou problema

Por Cláudio Eugênio, em De Olho nos Ruralistas

Não ter, procurar, não encontrar, pedir, mendigar, esmolar, sofrer com a fome, e no final, a possibilidade de até morrer. Essa é a desumana rotina pelo qual passam ao menos 33 milhões de pessoas no Brasil em 2022, segundo dados do 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19, lançado pela Rede Penssan. Uma realidade acentuada em territórios que sofrem historicamente com a expulsão e a violência sistemática por atores do agronegócio. Continue lendo “Com fome, Guarani Kaiowá são proibidos até de buscar comida em lixão”

Ler maisCom fome, Guarani Kaiowá são proibidos até de buscar comida em lixão

Liberação de armas beneficiou 178 empresas do agronegócio, aponta dossiê

“Oligarquias Armadas” revela como medidas para ampliar armamento no campo beneficiaram grupos responsáveis por conflitos agrários; Cosan e frigoríficos lideram lista de autorizações para “segurança orgânica”; dossiê é o 6º de série sobre captura corporativa do Estado na era Bolsonaro

Por Bruno Stankevicius Bassi e Caio de Freitas Paes, em De Olho nos Ruralistas

Ainda no seu primeiro ano de governo, o presidente Jair Bolsonaro (PL) concedeu um afago e tanto para seus apoiadores armamentistas. Em uma dobradinha com a bancada ruralista no Congresso e com o então ministro da Justiça Sérgio Moro (União-PR), o mandatário sancionou a Lei nº 13.870/2019, permitindo a posse de armas de fogo em toda a extensão de imóveis rurais – o que antes era restrito apenas à sede das propriedades. Continue lendo “Liberação de armas beneficiou 178 empresas do agronegócio, aponta dossiê”

Ler maisLiberação de armas beneficiou 178 empresas do agronegócio, aponta dossiê

Em quatro anos, PT dobra votação para presidente na região onde Bolsonaro foi criado

Com transferência de votos do ex-governador Geraldo Alckmin, Lula se aproximou da votação do presidente no Vale do Ribeira, onde Bolsonaro viveu, onde ainda moram seus irmãos e sobrinhos e onde seu cunhado invadiu quilombo

Por Leonardo Fuhrmann, em De Olho nos Ruralistas

Nascido e criado no interior paulista, o presidente Jair Bolsonaro (PL) construiu sua carreira política no Rio de Janeiro. Apesar disso, os laços políticos com o Vale do Ribeira (SP) ainda são bastante presentes. Os irmãos e sobrinhos do presidente vivem lá até hoje. E foi lá que, em 2018, um cunhado dele foi condenado por invadir um quilombo. Continue lendo “Em quatro anos, PT dobra votação para presidente na região onde Bolsonaro foi criado”

Ler maisEm quatro anos, PT dobra votação para presidente na região onde Bolsonaro foi criado

No Tocantins, apoiadores do atual governo tentam inviabilizar participação de indígenas nas eleições deste ano

Prefeituras do estado do Tocantins negam transporte público aos indígenas no segundo turno; Regional do Cimi recorreu ao TRE-TO para garantir a ida dos indígenas aos locais de votação

POR MARINA OLIVEIRA, DA ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DO CIMI

Transporte público gratuito negado, tentativa de compra de voto e ameaças. Esse é o cenário vivido pelos povos indígenas do estado do Tocantins diante do período eleitoral. Empresários, ruralistas e, até mesmo, prefeituras se juntaram para impedir que os indígenas participem das eleições deste ano – ou, em alguns casos, para influenciá-los a não votarem em Lula, candidato à presidência da oposição. Continue lendo “No Tocantins, apoiadores do atual governo tentam inviabilizar participação de indígenas nas eleições deste ano”

Ler maisNo Tocantins, apoiadores do atual governo tentam inviabilizar participação de indígenas nas eleições deste ano

PRF parou cinco vezes mais ônibus no Nordeste que no Sul

Reportagem teve acesso a dados de fiscalização deste domingo: foram 274 ônibus fiscalizados no Nordeste contra 48 no Sul

Por Alice Maciel, Bruno Fonseca, em Agência Pública

Quase metade dos ônibus fiscalizados em operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) até as 15h deste domingo estavam em estados do Nordeste, região onde o Jair Bolsonaro perdeu para Luiz Inácio Lula da Silva em todos os estados. Segundo levantamento exclusivo da Agência Pública a partir de dados internos da PRF, foram 274 veículos fiscalizados em estados nordestinos, o que representa 48% de um total de 560 ônibus fiscalizados pela corporação em todo o país até o horário. Continue lendo “PRF parou cinco vezes mais ônibus no Nordeste que no Sul”

Ler maisPRF parou cinco vezes mais ônibus no Nordeste que no Sul

O drible da PRF à ordem de Moraes

Dois policiais rodoviários federais ouvidos contam o que aconteceu

Por Rubens Valente, em Agência Pública

O diretor-geral da PRF (Polícia Rodoviária Federal), o bolsonarista Silvinei Vasques, decidiu manter as operações da corporação no domingo (30) das eleições mesmo depois de uma decisão tomada pelo presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Alexandre de Moraes, às 23h00 do sábado (29). O ministro proibira qualquer operação contra “transporte público, gratuito ou não, disponibilizado aos eleitores” nos termos de uma resolução do STF (Supremo Tribunal Federal). Continue lendo “O drible da PRF à ordem de Moraes”

Ler maisO drible da PRF à ordem de Moraes

Os dois Brasis na eleição presidencial. Por José Ribamar Bessa Freire

“Españolito que vienes / al mundo te guarde Dios.
Una de las dos Españas / ha de helarte el corazón”.
(Antonio Machado. Proverbios y Cantares. 1924)

No TaquiPraTi

Brasil, mostra a tua cara! – clamava Cazuza. São muitos os Brasis, mas dois deles mostraram sua cara no debate entre os candidatos presidenciais nesta sexta (28), à semelhança das duas Espanhas do poema de Machado. Lá, o poeta revela os seus temores sobre o destino das crianças espanholas ainda no ventre materno e pede para elas a proteção de Deus. O seu presságio tinha razão de ser, como comprovou a história da Guerra Civil Espanhola, com a esteira de violência armada e o ódio semeado pelo fascismo.  Cabe aqui parafraseá-lo:

– Brasileirinho que vens ao mundo, Deus te proteja. Um dos dois Brasis pode aterrorizar teu coração”. Continue lendo “Os dois Brasis na eleição presidencial. Por José Ribamar Bessa Freire”

Ler maisOs dois Brasis na eleição presidencial. Por José Ribamar Bessa Freire

Que os mortos tenham direito de votar. Por Vladimir Safatle

Quando estivermos na cabine de votação, não estaremos sozinhos. Haverá 700 mil pessoas votando através de nosso gesto

No A Terra é Redonda

“Que os mortos tenham direito de votar” é uma das mais belas passagens de Jacques Lacan. Trata-se do momento em que ele descobriu haver algo pior que a morte. Pior que a morte havia a morte da morte, havia o ato de matar a morte, ou seja, impedir que a morte pudesse ocorrer, com seu luto, com seu acolhimento simbólico, com seu dolo, com seu dever de memória. Nesse caso, era como se sujeitos fossem mortos pela segunda vez. Não só a morte física, mas uma ainda pior, ainda mais brutal: a morte simbólica. Continue lendo “Que os mortos tenham direito de votar. Por Vladimir Safatle”

Ler maisQue os mortos tenham direito de votar. Por Vladimir Safatle