Caminhos para enfrentar as engrenagens do medo

Antropólogo analisa como uma tríade – clientelismo armado, milícias e captura institucional – forjou o ultradireita, contando com o “realismo político” de parte da esquerda. Diálogo e pluralidade, diz, são antídotos ao vírus impotência coletiva

Luiz Eduardo Soares em entrevista a Thiago Gama, em Outras Palavras

No ano de 2026, a restauração trumpista reconfigura mapas e desarticula a própria gramática da diplomacia liberal — e o Rio de Janeiro, neste cenário, não como um enclave de exceção, mas como um dos laboratórios biopolíticos mais avançados da necropolítica do descarte no Sul Global. O que se testemunha é uma inversão topográfica definitiva: a falência da promessa civilizatória da capital diante de uma Baixada Fluminense que, longe de ser um resíduo do passado, colonizou o centro do poder com sua lógica de mandonismo armado e clientelismo despótico. Esta metástase institucional revela que a transição democrática brasileira foi um simulacro geográfico; o “gangsterismo mafioso” das periferias não apenas infiltrou o Estado, mas converteu-se na sua própria infraestrutura logística. Continue lendo “Caminhos para enfrentar as engrenagens do medo”

Ler maisCaminhos para enfrentar as engrenagens do medo

Aborto legal e a misoginia enraizada na administração pública

Hospital Vila Nova Cachoeirinha, em São Paulo, é um exemplo de como a violência contra as mulheres não é cometida apenas em nível individual. Prefeito Ricardo Nunes desdenha e contraria a justiça, e põe a vida de centenas em risco – inclusive as vítimas de estupro

Por Sophia Vieira, em Outra Saúde

No último período, as manchetes foram marcadas por um grande aumento de denúncias de violência contra a mulher, que se dá em diversos aspectos. Os diversos crimes de feminicídio e estupro escancaram até onde vão as últimas consequências da misoginia e do conservadorismo que, no cotidiano, são normalizados e incentivados. Além de física e sexualmente, contudo, essa violência cerca as mulheres em diversos outros âmbitos de suas vidas, e se encontra profundamente enraizada nas instituições que regem o país. Continue lendo “Aborto legal e a misoginia enraizada na administração pública”

Ler maisAborto legal e a misoginia enraizada na administração pública

A identidade política de direita ainda está em construção. Entrevista especial com Jacqueline Moraes Teixeira

A direita tenta se conectar com as necessidades apresentadas pelas mulheres evangélicas, enquanto o centro e a esquerda têm dificuldade em se aproximarem dessas eleitoras, afirma a socióloga

IHU

Os posicionamentos políticos, sociais, culturais e religiosos das mulheres são multifacetados, complexos e difíceis de serem reduzidos a um único conjunto articulado de ideias e valores que moldam a compreensão delas da realidade. Essa complexidade, especialmente na inter-relação de gênero, religião e política, está sendo mapeada por diferentes pesquisas contemporâneas que buscam identificar semelhanças e assimetrias no modo como as mulheres se posicionam no campo político e religioso. Continue lendo “A identidade política de direita ainda está em construção. Entrevista especial com Jacqueline Moraes Teixeira”

Ler maisA identidade política de direita ainda está em construção. Entrevista especial com Jacqueline Moraes Teixeira

48ª Romaria da Terra reúne milhares e propõe reparação histórica em solo missioneiro

400 anos de evangelização são marcados por pedido de perdão ao povo Guarani no Santuário do Caaró, no interior do RS

por Katia Marko e Marcela Brandes, no Brasil de Fato

O pedido de perdão aos povos Guarani pelo extermínio e pelas violências cometidas ao longo do processo colonial marcou a 48ª Romaria da Terra do Rio Grande do Sul, realizada no Santuário do Caaró, em Caibaté, na região das Missões. Com o tema dos 400 anos de evangelização missioneira, a atividade reuniu romeiros, lideranças religiosas, representantes de movimentos sociais, indígenas e autoridades locais em uma jornada que combinou fé, memória histórica e reivindicação de direitos. Continue lendo “48ª Romaria da Terra reúne milhares e propõe reparação histórica em solo missioneiro”

Ler mais48ª Romaria da Terra reúne milhares e propõe reparação histórica em solo missioneiro

Da união das mulheres à Escola dos Ventos, comunidades rompem cercas e tecem teias no Nordeste*

Comunidades do Rio Grande do Norte, da Paraíba e de Pernambuco se unem na defesa da  terra e dos territórios mostrando a força da comunhão e a organização popular

Edição: Ruben Siqueira, Carlos Henrique Silva e Heloisa Sousa, em CPT

Tecer Teias –  Intercâmbio entre grupo de mulheres (RN e PB)

A iniciativa envolve 14 grupos de mulheres agricultoras familiares no sertão do Rio Grande do Norte, moradoras de assentamentos rurais organizados a partir da década de 1990. A ação ocorre em diversos municípios da região, sendo fruto da luta pela terra e da resistência das mulheres frente às dificuldades sociais, políticas e climáticas do semiárido. Em 2021, esse trabalho inspirou a ampliação do trabalho com as mulheres em Cajazeiras, Alto Sertão da Paraíba e, hoje, o trabalho está sendo realizado com 10 grupos de mulheres. A experiência desenvolvem práticas coletivas de agroecologia e convivência com o Semiárido em assentamentos da Reforma Agrária, frutos da luta pela terra. Continue lendo “Da união das mulheres à Escola dos Ventos, comunidades rompem cercas e tecem teias no Nordeste*”

Ler maisDa união das mulheres à Escola dos Ventos, comunidades rompem cercas e tecem teias no Nordeste*

Mulheres Sem Terra realizam mobilização pela Reforma Agrária e contra as violências pelo Brasil

Ações de denúncia, ocupações e protestos são realizadas em 13 estados, em todas as grandes regiões do país

Por Lays Furtado, da Página do MST

A Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra deste ano teve início no dia 8 de março e vai até a próxima quinta-feira, dia 12, com mobilizações em todas as regiões do país. Com o lema: “Reforma Agrária Popular: enfrentar as violências, ocupar e organizar!”, as camponesas se uniram às mulheres da cidade, neste no Dia Internacional das Mulheres, dia 8, fazendo ecoar a voz da luta feminista contra o patriarcado e para exigir direitos. Continue lendo “Mulheres Sem Terra realizam mobilização pela Reforma Agrária e contra as violências pelo Brasil”

Ler maisMulheres Sem Terra realizam mobilização pela Reforma Agrária e contra as violências pelo Brasil

Jaider Esbell. Por Samuel Kilsztajn

Homenagem ao escritor, artista, ativista dos direitos indígenas e arte-educador: um contraponto à loucura do progresso imposto pelo mundo da mercadoria

No A Terra é Redonda

Meu amigo Walter Gomes da Silva, da Amoa Konoya, além de ter ascendência indígena, é negro. Na primeira semana de novembro de 2021, o Walter mandou para mim o texto Pro dia da minha partida, do Jaider Esbell, que achei belíssimo. Depois mandou outro texto falando de suicídios recorrentes de indígenas por enforcamento, e eu respondi que achei comovente, mas que, para boa parte da população Bolsonaro & Cia., o suicídio era a melhor solução para a questão indígena, era a melhor saída para os “índios”. Só na sexta-feira, acidentalmente, foi que me dei conta do suicídio do Jaider na terça-feira de finados. Eu que, como sempre, estava no mundo da lua, fiquei sem rumo e, ao assistir à entrevista do Krenak de 3 de novembro, entrei em parafuso, me senti completamente sem chão, desamparado. Ainda me lembrava da gafe que havia cometido ao criticar o suicídio indígena, sem saber que o suicídio do Jaider já era um fato, já estava consumado. Continue lendo “Jaider Esbell. Por Samuel Kilsztajn”

Ler maisJaider Esbell. Por Samuel Kilsztajn

Xetá mantém resistência frente a ação de reintegração de posse no Paraná

Os Xetá reivindicam a conclusão da demarcação da Terra Indígena Herarekã Xetá, tradicionalmente ocupada por esse povo

Por Claudia Weinman do Afronte, com revisão de Clovis Brighenti, Osmarina de Oliveira e Ivan Cesar Cima, do Cimi Regional Sul

Uma ação de reintegração de posse contra a retomada da terra pelo povo Xetá, tem colocado esse povo em alerta e com muita preocupação nos últimos dias. Quarenta e duas (42) famílias Xetá retomaram um território ao norte do Paraná, no início de janeiro, no Distrito de Terra Nova, município de São Jerônimo da Serra, área essa pertencente a um particular residente em Curitiba. A terra estava improdutiva há anos e era objeto de incêndio cotidianamente. Continue lendo “Xetá mantém resistência frente a ação de reintegração de posse no Paraná”

Ler maisXetá mantém resistência frente a ação de reintegração de posse no Paraná

Terra Indígena Ventarra: violência crescente, ingerência externa e omissão do Estado colocam famílias Kaingang em grave risco

Confronto na madrugada do dia 7 de março deixou um morto, um ferido e novas casas incendiadas, ampliando o clima de medo e desespero

Por Roberto Liebgott, do Cimi Sul – Equipe Porto Alegre

É com profunda indignação e preocupação que assistimos à grave escalada de violência na Terra Indígena Ventarra, onde famílias do povo Kaingang vivem, há meses, sob um cenário de conflito armado, medo e profunda insegurança. Continue lendo “Terra Indígena Ventarra: violência crescente, ingerência externa e omissão do Estado colocam famílias Kaingang em grave risco”

Ler maisTerra Indígena Ventarra: violência crescente, ingerência externa e omissão do Estado colocam famílias Kaingang em grave risco

Amazônia em marcha: o feminicídio que o Estado não vê

Mulheres indígenas, negras e ribeirinhas tomaram as ruas de Manaus no 8 de março para denunciar o feminicídio e as violências invisibilizadas na Amazônia — onde a taxa de mortes é 69% maior que a média nacional

Por Nicoly Ambrosio da Amazônia Real

Manaus (AM) – Vanda Witoto, liderança indígena, pediu a palavra e disse um nome: Shirley Baré. Multiartista, educadora e referência entre as juventudes indígenas do rio Negro, a jovem ancestralizou em 1° de dezembro de 2025, aos 27 anos. A morte de Shirley reflete um ciclo de violências que se repetem contra as mulheres no Brasil: racismo, assédios, estupros, agressões físicas, verbais e patrimoniais. Crimes que o Estado trata como se fossem inevitáveis. Continue lendo “Amazônia em marcha: o feminicídio que o Estado não vê”

Ler maisAmazônia em marcha: o feminicídio que o Estado não vê