Ela é sinal de narcisismo, apontou Freud. O indivíduo despreza a diversidade e só aceita a própria imagem. Encontra terreno fértil nas redes sociais. É arma política do “capitão”. Mas há elixir: educação emancipadora e vida coletiva
Por Alex Hotz*, em Outras Palavras
Em meio a escalada de violência verificada na sociedade brasileira nos últimos anos, se faz necessário discutirmos a natureza histórica dessa intolerância bem como as diversas instâncias sociais nas quais elas se apresentam. Quem são os devidos responsáveis e quais ferramentas utilizadas para estimular esses atos violentos? Somente respondendo a essa questão a sociedade civil conseguirá se organizar e defender a manutenção de um estado democrático de direito, cada dia mais excepcional neste país. A marca violenta que o processo histórico colonial registrou no tecido social brasileiro é notória. Ao longo deste território, a violência foi constantemente utilizada como ferramenta política, não somente pelo permanente extermínio dos diversos povos originários, pelas insuperáveis mazelas geradas pela escravidão, mas principalmente pelo empoderamento econômico de uma pequena elite conservadora que até os dias de hoje se constitui a maior força política nacional e segue reproduzindo seus antigos métodos de coação e opressão das maiorias inferiorizadas. Compreendido esses fatores, podemos dizer que esse misto de concentração de riqueza e poder, somado com a normalização e banalização da violência sobre os corpos de seu povo, fizeram do Brasil uma terra onde a exceção tornou-se uma regra constitucionalmente aceita, desde a escravidão até a informalidade do trabalho já normatizada. Foi dessa forma que chegamos até aqui. Em poucos períodos da história foi possível que nos remendássemos, em tantos outros, e tornamos a abrir feridas.
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