Bolsonaro não tem condições de aplicar um golpe clássico, mas aposta na desordem para melar as eleições. Diante deste tabuleiro temos dois grandes desafios: não nos deixarmos levar pelo ambiente de medo fomentado pelo bolsonarismo; apostarmos na mobilização democrática
No Esquerda.net
Tese 1
Bolsonaro está desesperado. Para ele, o que está em jogo não é simplesmente perder a eleição e retirar-se como ex-presidente. Sabe perfeitamente que pode ser preso – ele, os filhos e os milicianos de seu entorno – quando deixar a Presidência. Perderá a prerrogativa de intervir em investigações pela indicação de chefes regionais da Polícia Federal, pela influência na Procuradoria-Geral da República e pelos fatídicos decretos de sigilo por cem anos. Suas condições para costurar um “grande acordo nacional” de imunidade são mínimas, dado seu desgaste permanente com o Supremo. Por isso, joga todas as fichas numa batalha de vida ou morte. Como última tentativa de ganhar no voto, o que é cada dia mais improvável, aprovou a PEC dos Auxílios. Na outra trincheira, opera desde o início do mandato no sentido golpista: inflama a retórica, trocou comandantes das Forças Armadas, reuniu embaixadores estrangeiros e seguirá nesta mesma toada. No que depender dele, irá até as últimas consequências. É inimaginável uma transição amistosa. Vai esticar a corda, movido pelo instinto de sobrevivência e pelo medo da cadeia.
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