A cabeça que falta. Por Luiz Eduardo Soares

Quem perderá tempo com a cabeça de Iago? Ela resta como a peça que falta no jogo de armar, o pedaço do corpo, da lógica e da história que ficou sobrando na política do governador. Os fascistas precisam desesperadamente de uma saída política, e eles a buscam na morte e no medo

Por Luiz Eduardo Soares, em Outras Palavras

(Complexo do Alemão e da Penha, 28 de outubro, 2025)

Uma cabeça pendurada na árvore. O corpo intacto. Só a cabeça, o fruto estranho. No Sul dos Estados Unidos, pendiam das árvores os negros enforcados pela KKK. No Alemão, só a cabeça de Iago, 19 anos, trabalhador. Ornamento preservado. Iago Rodrigues era trabalhador. Policiais mantiveram seu corpo intacto. Só queriam a cabeça. Troféu de guerra. Foram mais de 120, quem se lembrará de Iago? Era uma operação policial. Quem perderá tempo com a cabeça que faltava? Seu Robson viu outro rapaz levado ao beco, andando com dificuldade, apoiado no ombro do policial da Core. A caminhada seria curta. O policial deu alguns passos pra trás e fuzilou o número noventa e três, ou seria o oitenta e quatro? Quem vai se lembrar? Seu Robson cobrou a covardia. Pediram seus documentos, anotaram a placa e arrebentaram seu carro. O recado está escrito com spray na lataria. Alguém vai denunciar à polícia a polícia? Quem vai compilar os relatos do massacre, a memória do horror? Continue lendo “A cabeça que falta. Por Luiz Eduardo Soares”

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Massacre do Rio: o dedo da Faria Lima. Por Ricardo Queiroz Pinheiro

O “ajuste fiscal” prepara o terreno: corta futuro, elimina alternativas, cria inimigos. Polícia executa. Círculo perfeito: quem perde tudo vira ameaça e é morto como exemplo. A mão que nutre as fintechs aperta o gatilho e derruba o moleque-avião

Em Outras Palavras

Foi ontem. O Rio de Janeiro, mais uma vez, serviu de palco habitual das mazelas da República. Helicópteros rasgaram o céu da favela; rajadas, correria, corpos rolando no chão. Mães se agarraram às portas, celulares trêmulos tentando registrar o que restava de luz. Horas depois, o governador miliciano Cláudio Castro surgiu em cadeia nacional para converter o sangue em manchete: “operação concluída, a inteligência atuou”. Estava inaugurada a campanha de 2026. Continue lendo “Massacre do Rio: o dedo da Faria Lima. Por Ricardo Queiroz Pinheiro”

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Quem pagará a conta da crise climática?

Ação predatória de grandes corporações desestabiliza o clima no Sul Global. Mas quem vai responsabilizá-las? No Paquistão, surge uma notável iniciativa: camponeses afetados por enchentes processam empresas alemãs, exigindo indenização milionária

Por Karin Zennig, da medico international, em Outra Saúde

No verão de 2022, chuvas extremas sem precedentes deixaram um terço do Paquistão quase totalmente inundado por meses. Uma área equivalente a dois terços da Alemanha. Não foram destruídas apenas casas, estradas e escolas. Cerca de 1.700 pessoas perderam a vida. 33 milhões de pessoas foram deslocadas e privadas de seus meios de subsistência devido à contaminação das águas subterrâneas e do solo. Na província agrícola de Sindh, as massas de água arruinaram as colheitas de mais de um ano. O gado que não morreu nas enchentes morreu em grande parte devido à subsequente falta de alimentos e água potável. Os danos imediatos ascendem a pelo menos 30 bilhões de dólares americanos. Continue lendo “Quem pagará a conta da crise climática?”

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Justiça Federal envia ação de reintegração de posse da fazenda retomada na TI Guyraroká para Comissão de Soluções Fundiárias

Comissão de Soluções Fundiárias buscará saída conciliatória com oitivas separadas entre os Guarani e Kaiowá e os fazendeiros

A Segunda Vara da Justiça Federal de Dourados encaminhou, na tarde desta quinta-feira (30), o processo de reintegração de posse da Fazenda Ipuitã, sobreposta à Terra Indígena (TI) Guyraroká, em Caarapó (MS), à Comissão de Soluções Fundiárias. A fazenda foi retomada pelos Guarani e Kaiowá no último dia 21 de setembro. Continue lendo “Justiça Federal envia ação de reintegração de posse da fazenda retomada na TI Guyraroká para Comissão de Soluções Fundiárias”

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Sequestro e suspeita de abuso sexual: relatório revela por que indígenas foram à sede de fazenda retomada na TI Guyraroká

Relatório de escuta foi elaborado por autoridades públicas, no início desta semana, e acessado de maneira oficial pela Aty Guasu

A entrada dos Guarani e Kaiowá na sede da Fazenda Ipuitã, área sobreposta à Terra Indígena (TI) Guyraroká, em Caarapó (MS), no último sábado (25), e a subsequente escalada do conflito foram motivadas pelo sequestro de uma jovem de 17 anos e a suspeita de abuso sexual sofrido por ela. Continue lendo “Sequestro e suspeita de abuso sexual: relatório revela por que indígenas foram à sede de fazenda retomada na TI Guyraroká”

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TRF-3 volta atrás e determina que Força Nacional ou Polícia Federal substituam a PM em retomada da TI Guyraroká

Os indígenas vêm contestando a atuação da PM em seus territórios e aguardam decisão do STF no âmbito da ADPF 1059

O desembargador Cotrim Guimarães, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3a Região, determinou que a Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) ou a Polícia Federal (PF) substituam a Polícia Militar (PM) “na segurança” da Fazenda Ipuitã, sobreposta à TI Guyraroká, em Caarapó (MS), e retomada pelos Guarani e Kaiowá no último dia 21 de setembro. Continue lendo “TRF-3 volta atrás e determina que Força Nacional ou Polícia Federal substituam a PM em retomada da TI Guyraroká”

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Relatório Violência contra os Povos Indígenas é apresentado na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia

O evento reuniu estudantes, professores, missionários, lideranças indígenas e representantes institucionais; O Brasil segue sendo um dos lugares mais violentos do mundo para os povos indígenas

Durante o Simpósio Internacional de Filosofia, Teologia e Ciências da Religião – Ecologia Integral: Cuidar da Casa Comum, realizado na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), em Belo Horizonte (MG), o dia 09 de outubro foi marcado por um encontro de escuta e compromisso: a apresentação do Relatório de Violência contra os Povos Indígenas – dados 2024. Continue lendo “Relatório Violência contra os Povos Indígenas é apresentado na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia”

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A estratégia da barbárie: A chacina como contraofensiva da extrema-direita. Por José Maurício Domingues

Diante da perspectiva de derrota, a extrema-direita aciona seu projeto final: substituir a política pela barbárie, usando o cadáver do pobre como palanque para uma guerra pela alma do país

No A Terra é Redonda

A política é uma atividade humana das mais dinâmicas que se conhece. Qualquer um que dela participe com algum grau de dedicação ou ao menos de atenção sabe que os agentes não ficam parados assistindo uns aos outros se moverem, sobretudo quando se está perdendo. Já se disse inclusive como nuvem. Assim, as contraofensivas devem ser sempre esperadas quando algum agente se vê sobrepujado em algum momento. Se muitos podiam talvez imaginar que a situação política e eleitoral de 2026 estava resolvida com a condenação do golpista Jair Bolsonaro e o comportamento tresloucado de seu filho Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, com uma aproximação ao menos parcial de Donald Trump com o presidente Lula, isso se provou ledo engano. Continue lendo “A estratégia da barbárie: A chacina como contraofensiva da extrema-direita. Por José Maurício Domingues”

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Ministra quer perícia independente após reunião com famílias no Rio

Macaé Evaristo classificou a ação como um “fracasso”

Isabela Vieira – Repórter da Agência Brasil

A ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, classificou hoje (30) como “um fracasso” a operação policial nos complexos da Penha e do Alemão, no início da semana, e que deixou ao menos 121 pessoas mortas. Ela disse que está empenhada em garantir uma perícia independente para averiguar as circunstâncias dos assassinatos na ação. Continue lendo “Ministra quer perícia independente após reunião com famílias no Rio”

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A chacina fluminense e o estado permanente de guerra. Por Rachel Gouveia Passos

No Brasil não temos pena de morte como mecanismo legal, mas existe uma autorização social, política e econômica para chegar nas favelas e regiões periféricas “atirando na cabecinha”

No Le Monde Diplomatique

No dia 28 de outubro de 2025, o governo do estado do Rio de Janeiro realizou a maior operação policial da história levando a 119 mortos, dentre civis e policiais, e 113 presos. A ação nos Complexos da Penha e do Alemão teve início logo pela madrugada, atravessando a região e, posteriormente, toda a capital. Como consequência tivemos diversas ruas e avenidas com barricadas, serviços de saúde e assistência fechados, pânico e violência em todos os lugares. Cabe lembrar que a pior chacina ocorrida anteriormente foi na favela do Jacarezinho, em 2021, levando a óbito 28 pessoas. Continue lendo “A chacina fluminense e o estado permanente de guerra. Por Rachel Gouveia Passos”

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