Genocídio Guarani e Kaiowá: Um país cada vez menor

Refugiados em seu próprio território, eles resistem ao Brasil da bala, fome e indiferença. Seu simples ato de existir é acinte ao capitalismo agrário. Mas no ser e permanecer, aliando-se a outros povos ancestrais, está sua estratégia de resistência

por Antônio Augusto Rossotto Ioris, em Outras Palavras

Em meio a tanta informação que recebemos diariamente, às vezes não é fácil perceber que um dos fenômenos mais importantes e perturbadores do mundo contemporâneo segue acontecendo em pleno território nacional: o massacre contínuo e sistemático dos povos Guarani e Kaiowá em Mato Grosso do Sul. Tão séria quando as tragédias do Afeganistão, da Palestina, do México ou do Sudão, a situação dramática dos indígenas nos últimos anos parece demonstrar que este país perdeu todo senso de respeito humano, legalidade e decência. A intolerância do agronegócio e o fracasso do sistema político-judicial fazem com que os Guarani e Kaiowá não sejam apenas considerados cidadãos de segunda classe, mas também indígenas degenerados e de menor valor, desmerecedores de viver na sua própria terra. Apesar de a legislação desde o tempo colonial lhes garantir o direito líquido e certo às áreas ancestrais, confirmado e sublinhado no texto da atual Constituição, mais de 50.000 pessoas vivem uma vida de impostura, racismo e violência. Além de toda a crueldade cometida pelo roubo das suas terras por fazendeiros e pelo Estado nacional, é um genocídio diário, à luz do dia, que deixa este país cada vez menor, mais incompleto e com vergonha de si mesmo.

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Fiori: Nos bastidores de Glasgow

As disputas reais e as narrativas na COP-26. Conferência expôs mundo tensionado e sem liderança, cuja égide não é o multilateralismo, mas o estilhaçamento. Só novo cenário permitirá encarar transição energética e luta contra desastre climático

por José Luís Fiori, em Outras Palavras

Não há como negar o desencanto provocado pela Conferência Mundial do Clima (COP 26), realizada na cidade de Glasgow, na Escócia, no início deste mês de novembro. De um lado, há os que elogiam o compromisso de zerar o desmatamento, reduzir a emissão do gás metano, regulamentar o mercado mundial de carbono, e até a menção, no documento final de reunião, da necessidade de reduzir o uso do carvão e dos combustíveis fósseis, com vistas ao objetivo consensual de limitar o aumento da temperatura global em 1,5ºC até o final do século, em relação ao seu nível anterior à “era industrial”. Do outro lado, estão os que criticam a falta de avanço com relação ao tema da “justiça climática”, ou seja, a compensação financeira dos países mais pobres que já sofrem os efeitos do aquecimento global produzido pelo desenvolvimento dos países mais ricos, ou que não têm condições de abrir mão de seus produtos que contribuem para o aquecimento global, mas que são necessários – neste momento – para seu próprio desenvolvimento econômico.

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Se Palmares não existe mais, faremos Palmares de novo!

Neste 20 de novembro, entenda como a resistência negra no Brasil, e seu caráter revolucionário, está presente todos os dias no MST

Por Fernanda Alcântara, na Página do MST

Hoje [anteontem] celebramos a luta do povo preto brasileiro e as conquistas do movimento negro na história do país. O “Dia da Consciência Negra”, que existe oficialmente desde 2003 como uma celebração escolar e desde 2011 como lei, marca a morte de um dos maiores lutadores contra a escravidão no Brasil, Zumbi dos Palmares.

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MST denuncia expulsão de famílias em assentamento por Madeireira em Roraima

O Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais em Terra (MST) denuncia o despejo ilegítimo de cerca de 200 famílias no Projeto de Assentamento Jatobá, localizado no limite dos municípios de Cantá e Caracaraí.

Por CPT – Regional Roraima 

O assentamento pertence à União, onde a maioria das famílias vivem há mais de 15 anos, mas apesar de ser um assentamento consolidado há mais de 12 anos pelo INCRA, o território dessas famílias está sendo ameaçado por interesses da Madeireira Vale Verde. Essa empresa move a ação judicial na Comarca de Caracaraí desde o ano de 2006, segundo informações do MST, quando as famílias ocuparam a área.

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Nota do Cimi Regional Maranhão em repúdio à violência e criminalização do Povo Akroá Gamella

O Cimi Regional Maranhão manifesta-se após ação hostil da Polícia Militar e de jagunços contra o povo Akroá Gamella; os ataques mais recentes começaram no dia 17 de novembro

Cimi

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) – Regional Maranhão vem a público manifestar solidariedade ao Povo Akroá Gamella por mais um ato de violação a seus direitos e suas vidas cometido pelo estado do Maranhão no dia 18 de novembro de 2021 – quando a polícia, arbitrariamente, adentrou o território Taquaritiua e, sem mandado, levou lideranças do povo e seus equipamentos de comunicação. Além disso, repudia-se as práticas criminosas com que a Equatorial Energia – empresa que controla as distribuidoras de energia no país, incluindo a Equatorial Energia Maranhão – está utilizando para instalação de torres e linhões de transmissão, o que desencadeou em violência policial e criminalização do Povo Akroá Gamella, como exemplo no último dia 18.

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Munduruku na ABL: a saga do neto do Apolinário. Por José Ribamar Bessa Freire

No TaquiPraTi

“E mesmo que toda a gente / fique rindo, duvidando / destas estórias que narro /
não me importo: vou contente / toscamente improvisando / na minha frauta de barro”.
(Luiz Bacellar. 1963. Frauta de Barro)

Desculpem insistir, mas o bairro de Aparecida, em Manaus, testemunhou há mais de 60 anos eleição ocorrida nesta quinta (18) na Academia Brasileira de Letras (ABL), quando o escritor Daniel Munduruku, um dos candidatos à cadeira de número 12, ainda não era nascido. Os eleitores e os candidatos eram outros, mas o processo foi o mesmo. Por isso, a gente já previa o resultado final. O nosso bairro sabe muito bem que “Exu, o mais humano dos Orixás, matou um pássaro ontem com uma pedra que atirou hoje”.

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A Consciência Negra é nossa!

Se temos o Dia da Consciência Negra, devemos agradecer a Zumbi e outros milhares que não se curvaram aos que insistiam em enxergar um paraíso racial. Negros e negras que fizeram de suas histórias as histórias do Brasil.

Por Ynaê Lopes dos Santos, na DW

Existe um ditado que circula entre várias sociedades africanas que diz: “Até que os leões inventem as suas histórias, os caçadores sempre serão os heróis das narrativas de caça“. Gosto muito desse provérbio, pois ele conta de forma simples uma premissa que muitas vezes pode passar despercebida: a história não é uma via de mão única, uma reta que nos leva ao presente. A história é emaranhado, é trança, é trama e é tessitura. E são muitas as pontas que permitem a conexão com esse tempo que já passou.

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Inep: Governo Bolsonaro ‘censurou’ artigo científico e ‘apagou’ pareceres técnicos

O artigo científico em questão tratava da evolução positiva de políticas públicas ligadas ao governo Dilma Rousseff

Na Folha PE

A Associação dos Servidores do Inep (Assinep) acusou nesta sexta-feira o governo Bolsonaro de “censurar” a publicação de um artigo científico que mostrava a evolução nos indicadores de alfabetismo no país em função do Pnaic (Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa), um programa do primeiro mandato do governo Dilma Rousseff que custou mais de R$ 2,7 bilhões aos cofres públicos.

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Dicionário de expressões (anti) racistas é lançado pela Defensoria da BA em homenagem ao Dia Nacional da Consciência Negra

Publicação tem o objetivo de conscientizar a população a deixar de reproduzir esses termos no cotidiano

Por Lucas Cunha – DRT/BA

Sabe aquela expressão que a gente fala sem nem pensar? Quem nunca sentiu “inveja branca” ou chamou aquela pessoa metida ou grosseira de “boçal” que atire a primeira pedra. Mas, não dá para continuar falando que fulana tem um “pé na senzala” depois de aprender que este palavreado é uma infeliz recordação da escravidão no Brasil, época em que o único lugar permitido às mulheres negras era a cozinha da casa grande.

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Prefeitura de SP e Universidade Zumbi dos Palmares criam núcleo para estudar relação entre mudanças climáticas e racismo ambiental

Nesta sexta-feira (19), véspera do Dia da Consciência Negra, a Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas (SECLIMA), da Prefeitura de São Paulo, firmou protocolo de intenções com a Universidade Zumbi dos Palmares para formar um núcleo inédito de estudos sobre mudanças climáticas e racismo ambiental. O documento foi assinado às 9h pelo secretário da Seclima, Antonio Fernando Pinheiro Pedro e o reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, José Vicente, no gabinete da Secretaria.

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