A unidade nacional entre a crise ambiental, o desapossamento e os direitos dos povos originários

Existe uma ameaça no Projeto de Lei nº 191/2020 que vai além dos direitos dos povos originários e afeta a unidade da Federação. O projeto parece querer enfrentar a crise ambiental estimulando a modificação de direitos de uso dos recursos naturais nas terras “indígenas” sob usufruto, particularmente regulamentando o art. 231, §3º da Constituição Federal. A crise que o Brasil vive também é uma crise ambiental e está ligada aos processos de desapossamento do capital sobre os direitos associados à terra. Neste sentido, a regulamentação da exploração de recursos minerais e hídricos em territórios dos povos originários, proposta no projeto, parece precarizar a situação destes povos, colocando-os em desarmonia com o poder central. Na prática, aprofunda a crise e enfraquece o Estado Nacional. A se manter a direção do PL nº 191/2020, estar-se-ão criando condições para processos de desarmonia e desagregação e secção do território brasileiro, o que só permite que potências estrangeiras se aproveitem do enfraquecimento do nosso Estado. A ausência de uma perspectiva da questão nacional no enfrentamento à crise ambiental é patente no projeto, pois qualquer política para os povos originários no Brasil deve passar pela intangibilidade do usufruto da terra por estes povos e pela sua proteção contra processos de desapossamento pelo capital.

por Fernando Joaquim Ferreira Maia[1] e Maria Joaquina da Silva Cavalcanti[2], em Cimi

O artigo é sobre o Projeto de Lei nº 191/2020, de iniciativa do Presidente da República, que pretende regulamentar o § 1º do art. 176 e o § 3º do art. 231 da Constituição, que estabelece as condições específicas para a realização da pesquisa e da lavra de recursos minerais e hidrocarbonetos e para o aproveitamento de recursos hídricos na geração de energia elétrica em terras indígenas e institui a indenização pela restrição do usufruto de terras indígenas.

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Os povos indígenas e a COP26: na luta contra a crise climática

Survival International

Os povos indígenas são parte central e fundamental na luta contra a crise climática. Eles protegem 80% da biodiversidade do planeta em suas terras e sua sabedoria sobre o meio ambiente do qual todos dependemos é único. Em todo o mundo, eles estão colocando suas vidas em risco para acabar com a destruição ambiental: seja apagando incêndios em partes da Amazônia ou protestando contra a exploração de carvão na Índia.

Abaixo estão três casos que destacamos pois infelizmente não recebem a atenção que deveriam. A Survival tem trabalhado juntos desses, e de muitos outros povos indígenas, para garantir sua sobrevivência e a proteção de suas terras.

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Coletivo de Fundos e Fechos de Pasto do Oeste da Bahia realizam ato de repúdio

Trabalhadores e trabalhadoras leram carta de repúdio em evento realizado pela prefeitura de Correntina-BA nesta quarta (03).

Por CPT-BA

Na manhã desta quarta-feira (03), durante um evento da prefeitura de Correntina-BA para entrega de títulos de terra, foi realizado um ato de repúdio contra a omissão do Estado diante as ações discriminatórias para demarcação de terras para os povos tradicionais do Fundo e Fecho de Pasto da região, com cartazes e leitura de carta-repúdio.

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Mais de 13 mil pessoas: Pará é o estado que mais resgatou trabalhadores escravizados em 15 anos

Em operação realizada no fim de outubro, funcionários de fazenda foram resgatados de alojamentos junto a chiqueiros

por Catarina Barbosa, em Brasil de Fato / CPT

O trabalho em condições semelhantes à de escravidão é crime e uma grave violação aos direitos humanos, mas permanece ocorrendo corriqueiramente em todo o Brasil. E, a cada nova operação que resgata trabalhadores em fazendas, garimpos e carvoarias, aumenta a lista de calamidades conhecidas a que o homem submete o homem por meio do método milenar de exploração pelo trabalho.

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Audiência Pública no CNDH discute grilagem, desmatamento e violações de direitos no Matopiba

Composto pela região de Cerrado dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, Matopiba é marcado por conflitos por terra

Texto e imagem: AATR

O Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) promove nesta quinta-feira (4/11) a audiência pública Grilagem, desmatamento e violações de direitos humanos no Matopiba. O evento, que acontece das 10h às 12h, será transmitido ao vivo nas páginas do Facebook do CNDH e da Associação de Advogados/as de Trabalhadores/as Rurais no Estado da Bahia e no canal do Youtube do CNDH.

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Bolsonaro agride jornalistas e envergonha o país

“O melhor que Bolsonaro tem a fazer é ficar em casa para evitar mais vexames aos brasileiros e às brasileiras”, escreve Edelberto Behs, jornalista. 

IHU

A cerca de 48 horas antes do Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas, lembrado pela ONU em 2 de novembro, o presidente da República do Brasil, Jair Messias Bolsonaro e seus cães de guarda deram um show de incivilidade em ruas de Roma, em 31 de outubro, onde participou, parcialmente, do encontro do G20.

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Descolonizar escola, nova batalha de bell hooks

Sai no Brasil mais um livro de expoente do feminismo negro. Inspirada em Paulo Freire, ela propõe que educação resgate também culturas populares e articule, em luta, a alegria, amor, cumplicidade e autorrealização dos hoje subalternos

Por Ednéia Gonçalves*, em Outras Palavras**

Começar por sempre pensar no amor como
uma ação, em vez de um sentimento, é uma
forma de fazer com que qualquer um que use
a palavra dessa maneira automaticamente
assuma responsabilidade e comprometimento

bell hooks, Tudo sobre o amor

A obra de bell hooks ocupa especialíssimo espaço na formação ativista de muitas brasileiras, sobretudo as pretas, que, como eu, afetuosamente acessaram seus textos a partir das traduções e da circulação entre pares, décadas antes de sua aguardada publicação no país. Suas reflexões e seus estudos sobre raça, gênero e educação sacudiram ambientes acadêmicos e de militância negra e feminista, incitando diálogos potentes com o pensamento de intelectuais ativistas, como Lélia Gonzalez, Sueli Carneiro, Luiza Bairros, Beatriz Nascimento, entre tantas outras que, em suas trajetórias, confrontaram a especificidade das experiências de racismo e sexismo vivenciadas pelas mulheres negras brasileiras com o alcance do ideal de justiça social tão central na face pública dos movimentos feminista e negro.

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O que perdemos com Jaider Esbell

Ativista, artista, escritor e produtor cultural Makuxi era uma estrela brilhante e tinha muita pressa – além de visão profética e obras iluminadas. Podia continuar conosco para desafiar e iluminar esse país obscuro com sua tremenda sensibilidade

Por Lilia Schwartz, em sua rede social / Outras Palavras

Gostaria de fazer aqui minha profunda e sentida homenagem ao artista Jaider Esbell: um intelectual, um interlocutor, um agitador no senso mais amplo da palavra. Um amigo e uma inspiração. Jaider era ativista, artista, escritor e produtor cultural indígena da etnia Makuxi. Nasceu em Normandia, estado de Roraima, e viveu, até aos 18 anos, onde hoje é a Terra Indígena Raposa – Serra do Sol (TI Raposa – Serra do Sol). Passou a viver em Boa Vista. Trabalha na Eletrobrás ao mesmo tempo em que realiza ações de educação ambiental, atividades socioculturais, participa em pesquisas e faz contatos bilaterais empresa/comunidades indígenas.

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Missa Afro e Abraço denunciam devastação do Rodoanel, o “Rodominério”, em Santa Luzia, no Cemitério dos Escravizados, na região de Pinhões, Vale do Rio das Velhas, MG

Glaucon Durães[1]

Alenice Baeta[2]

Gilvander Moreira[3]

Henrique Lazarotti[4]

Aconteceu no dia 02 de novembro de 2021, no Dia de Finados, das 16h às 19h, a tradicional Missa Afro no “Cemitério dos Escravos”, ou melhor, no Cemitério dos Escravizados, localizado na Comunidade Rural dos Fechos, ao lado da Comunidade Quilombola dos Pinhões, município de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), MG. A missa foi organizada pela Pastoral Afro e presidida pelo padre João Lucena, da paróquia São Raimundo Nonato, distrito de São Benedito, Santa Luzia, e por Frei Gilvander Luís Moreira, da Comissão Pastoral da Terra (CPT/MG).

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Jaider Esbell: “Arte indígena desperta uma consciência que o Brasil não tem de si mesmo”

Artista plástico foi encontrado morto nesta terça-feira (2) em São Paulo. Há duas semanas, Esbell conversou com o BdF

Por Caroline Oliveira e Raquel Setz. no Brasil de Fato

O artista plástico Jaider Esbell, indígena da etnia Makuxi, de Roraima, foi encontrado morto nesta terça-feira (2), na capital paulista. O motivo da morte ainda não foi divulgado. 

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