Boaventura: A urgência e a poética do abraço

Ao retomar, após 525 dias isolado, o gesto de abraçar, sociólogo reflete sobre seu significado, em diferentes culturas e épocas. Também tenta (em vão) descrever a emoção que o tomou. E indaga: “deixar de abraçar será viver como se morre”?

por Boaventura de Sousa Santos*, em Outras Palavras

No passado dia 28 de Agosto de 2021 às 16h30 dei o primeiro abraço a alguém fora do círculo das poucas pessoas íntimas que convivem comigo diariamente, quinhentos e vinte cinco dias depois de me ter isolado na minha aldeia a 30km de Coimbra devido à pandemia. O que senti não tem descrição possível. Foi um ato incondicional, uma presença demasiado forte para poder ser objeto de planejamento ou representação. Sentir as minhas mãos deslizar e apertar outro corpo contra o meu, era algo tão familiar quanto estranho. O prazer de outro corpo contra o meu era mais que erótico. Era a verdade carnal da existência, uma prova de ser. Depois veio medo, mas seria medo ou punição pelo prazer? Terá sido um ato impensado e desnecessariamente arriscado? Seria preciso retreinar os sentidos e reaprender a lidar com as emoções do contato físico e com o conforto desafiador que delas deriva? Teria eu estado sujeito a uma prolongada privação do toque e do tato de outros seres vivos que não os estritamente familiares, entre humanos, gatos e cães? Porque não me ocorrera durante a longa privação pandêmica abraçar árvores, como fazem muitos ecologistas para sentirem a energia desses maravilhosos seres vivos que ligam de modo tão natural a profundeza da terra e a altura do céu, algo que é tão difícil para os humanos treinados na cultura ocidental? Por que é que abraçar as árvores (e tantas tenho no meu quintal), que eu poderia abraçar sem ter medo de ser por elas contaminado pelo coronavírus, não me daria a mesma indescritível emoção que me invadiu ao abraçar e sentir o corpo quente de um ser humano amigo? Por que é que esta verdade carnal da vibração incontida de um abraço escapa à reflexão e só como surpresa invade a consciência como uma avalanche solta e “irracional”, de modo menos previsível que um tsunami ou um terremoto? Sendo certo que em certas culturas há quem não possa ser tocado, quer por ser demasiado superior quer por ser demasiado inferior, como funcionará a vibração dos corpos sem toque?

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Após série de ataques em Dourados (MS), comunidades Guarani e Kaiowá recebem alimentos, mudas e sementes

Apoiadores da causa indígena fizeram mutirão de solidariedade aos Guarani e Kaiowá do entorno da reserva de Dourados; ato ocorre após série de violências sofridas recentemente pelos povos na região

POR MARINA OLIVEIRA, DA ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DO CIMI

Situada em um contexto histórico de violência, a reserva indígena de Dourados, onde cerca de 20 mil indígenas vivem confinados em apenas 3,4 mil hectares, é constantemente ameaçada por um “pacote de maldades”: desmatamento, queimadas, expropriação dos territórios tradicionais, monocultura, uso de agrotóxicos e usurpação dos bens comuns, como a água.

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Nota do Cimi sobre o pronunciamento de Jair Bolsonaro na ONU

Ao contrário da versão apresentada no discurso do presidente, a realidade vivenciada pelos povos indígenas no Brasil, sob atual governo, é de conflitos, violência e retirada de direitos

Cimi

O Conselho Indigenista Missionário – Cimi lamenta as inverdades proferidas pelo presidente Jair Bolsonaro na abertura da 76ª Assembleia Geral da ONU. Em discurso proferido neste dia 21 de setembro, afirmou uma série de políticas desenvolvidas pelo seu governo, a partir de um critério autoconcebido, baseado numa realidade paralela existente apenas na narrativa criada pelo presidente e por seu governo.

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ANPR completa 48 anos e prepara encontro em defesa da democracia

ANPR

Criada com o intuito de representar procuradores e procuradoras da República e defender a ordem jurídica, a democracia e os interesses da sociedade, a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) completa, nesta quarta-feira (22), 48 anos de atuação. Do primeiro presidente, Geraldo Andrade Fonteles, até o atual, Ubiratan Cazetta, o papel da entidade transcendeu, ao longo de quase cinco décadas, a defesa imprescindível da carreira e das prerrogativas de seus membros para colocá-la em uma posição especial no debate público e na defesa da democracia.

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Faltam imagens edificantes para escrever a história presente do Brasil. Entrevista especial com Jorge Ferreira

Diferentemente de outros momentos históricos, hoje “não há projeto econômico ou social para o país”, lamenta o historiador

Por Patricia Fachin, no IHU

Se fosse começar a reunir elementos para contar a história presente do Brasil, o historiador Jorge Ferreira confessa: “Não tenho imagens edificantes para a escrita da história de nossa época”. Segundo ele, apesar de o Brasil ter vivido momentos políticos difíceis, como o suicídio do presidente Getúlio Vargas, a renúncia de Jânio Quadros e duas décadas de ditadura militar, hoje “vivemos um momento muito difícil na história da sociedade brasileira”. Ele explica: “Pela primeira vez, a extrema direita assumiu o governo do país. Durante a ditadura militar, havia um governo autoritário, cujo poder estava com as Forças Armadas e a administração a cargo de tecnocratas civis. Atualmente vivemos um período em que se mantiveram, pelo menos formalmente, as instituições da democracia-liberal, mas conjugada a um projeto de destruição” do tecido social.

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Juíza nega aborto legal para menina vítima de estupro e teria exposto sentença no WhatsApp

Após sofrer perseguição de assistentes sociais e ter o aborto negado na Justiça, adolescente vítima de estupro precisou recorrer ao MP para acessar direito

Por Clarissa Levy, Agência Pública

Às escondidas, Gabriela* precisou viajar sete horas de sua cidade natal até a capital Belo Horizonte para ter acesso ao aborto legal. Grávida após um estupro, a adolescente de 14 anos teve o direito negado em uma sentença judicial embasada no suposto “direito do nascituro”. Três semanas após o caso da criança de 10 anos do Espírito Santo que, também grávida de seu estuprador, teve o aborto negado em seu estado, Gabriela viajava com medo. Temia que, se fosse descoberta antes de chegar ao hospital, grupos antiaborto tentariam impedi-la de realizar a interrupção da gravidez garantida por lei. De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, semanas antes, a juíza que havia analisado seu caso, teria compartilhado em um grupo de WhatsApp a sentença que negava o direito ao aborto para a adolescente. Na pequena cidade de Gabriela, a notícia de que ela estava grávida tinha se espalhado e profissionais de assistência social do município haviam aparecido dezenas de vezes na porta de sua casa, pressionando para que a menina fizesse o pré-natal.

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Chauí: No pós-Bolsonaro, enfrentar o neoliberalismo

Aos 80 anos, pensadora vê a hercúlea batalha da esquerda de reconstrução política e social. Terá de enfrentar uma sociedade hierárquica e elitista, que viu em Bolsonaro o palhaço do circo, enquanto formava o picadeiro de desmonte do Estado

por Fundação Perseu Abramo, Outras Palavras

Aos 80 anos, Marilena Chauí se mantém uma crítica feroz do neoliberalismo e da agenda imposta ao Brasil desde a derrubada de Dilma Rousseff da Presidência da República em 2016. Ela não tem papas na língua ao apontar a atuação irresponsável da burguesia nacional, carente de projetos para a Nação, e indiferente ao desmantelamento institucional que o país experimenta nos últimos cinco anos.

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Bolsonaro repete discurso para base na ONU com autoelogio para políticas que devastam a Amazônia

Presidente mentiu diante do mundo sobre corrupção, economia, geração de emprego, Amazônia e meio ambiente. Também voltou a defender o tratamento precoce (e ineficaz) contra a covid-19

Por Felipe Betim, no El País Brasil

O presidente Jair Bolsonaro prometeu levar “a verdade” para a abertura da 76ª Assembleia Geral da ONU. “Venho aqui mostrar o Brasil diferente daquilo publicado em jornais ou visto em televisões”, afirmou ao iniciar seu discurso nesta manhã. Mas, como é habitual nessas ocasiões, acabou levando nesta terça-feira para o encontro de chefes de Estado e de Governo a sua verdade. A expectativa de um discurso mais moderado não aconteceu, e o presidente mentiu diante do mundo sobre corrupção, economia, geração de emprego, Amazônia e meio ambiente. Também atacou a imprensa e as medidas de restrição à circulação contra a covid-19. Ao invés de focar na importância da vacinação em massa, preferiu atacar “o passaporte sanitário ou qualquer obrigação relacionada à vacina” e defender de novo o tratamento precoce que a ciência prova que não existe. “Eu mesmo fui um desses que fez tratamento inicial”, afirmou ele, que no dia anterior fez questão de dizer em um encontro com o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que “ainda não” se vacinou.

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Estudo apresenta dados sobre impactos da pandemia no semiárido

Fernanda Marques, Fiocruz Brasília

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) apresentam, na próxima quinta-feira (23/9), os resultados de uma pesquisa que investigou os impactos da pandemia de Covid-19 na agricultura familiar. Os resultados podem contribuir para a formulação de políticas e para o fortalecimento das organizações de agricultores familiares. Para dar visibilidade ao relatório da pesquisa e promover o diálogo sobre suas conclusões, a FAO, a ASA e a Fiocruz Brasília realizam o webinário Um olhar sobre os desafios enfrentados pela agricultura familiar do Semiárido Brasileiro no contexto da Covid-19, com transmissão ao vivo pelo canal da ASA no YouTube e pelo Twitter da FAO Brasil, às 10h. 

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Orientação a pessoas atingidas por rompimento da Vale em Brumadinho sobre documentação para participar da consulta popular

CPF de moradores dos 26 municípios atingidos devem estar estar registrados junto à Justiça Eleitoral

Ministério Público Federal em Minas Gerais

Moradores dos 26 municípios atingidos pelo rompimento das barragens da Vale em Brumadinho precisam ter o CPF registrado em seu cadastro junto à Justiça Eleitoral para participar do processo de consulta popular para fins de priorização  da reparação socioeconômica, previsto para ocorrer ainda este ano (veja ao fim do texto o material para download e para divulgação sobre esta orientação).

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