Os monstros da Paulista. Por Fausto Salvadori

Newsletter da Ponte

Debaixo do sol quente e do céu azul do Sete de Setembro, ouvindo vuvuzelas e palavras de ordem edificantes sobre Deus, pátria e família, eu contemplava multidões de pais, mães, avós, filhos, bandeiras, sorrisos e crianças, e em meio a tudo isso pensava em como monstros deveriam se parecer.

O que aquelas pessoas reunidas ali na Paulista defendiam, eu sabia, era uma monstruosidade. Não uma monstruosidade disfarçada, como nas manifestações verde e amarela de 2016, em que os defensores da intervenção militar, da ditadura e da tortura ocupavam as bordas do ato e do discurso central — ainda que convivendo tranquilamente e sem problema com os demais, é bom lembrar. No Sete de Setembro da Paulista de 2021, contudo, a mobilização foi toda construída em torno da ideia de rompimento da ordem democrática para salvar um governo de extrema-direita, responsável direto pela morte de 400 mil pessoas (segundo o cálculo do epidemiologista Pedro Hallal).

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Chile, 48 anos depois. Por José Luís Fiori

“Aprendam a lição (porque) muito mais cedo do que tarde, se abrirão novamente as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor. Tenho a certeza que meu sacrifício não será em vão”
(Salvador Allende, às 9:30 horas da manhã do dia 11 de setembro de 1973).

No A Terra é Redonda

O golpe militar, a morte de Salvador Allende e o fim do governo da Unidade Popular, na manhã nublada, fria e melancólica de Santiago do Chile, daquele 11 de setembro de 1973, foi um momento trágico da história política da esquerda latino-americana, e foi também um momento de mudança irreversível do pensamento crítico e progressista do continente.

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“Bolsonaro está fazendo com que seja aprovado um arsenal legislativo que desmantelará os direitos dos povos indígenas sobre suas terras”

A França não deve se tornar cúmplice do etnocídio e do ecocídio em curso no Brasil, afirma um grupo de antropólogos e historiadores, entres os quais Philippe Descola e Anais Fléchet. Eles defendem a aplicação de sanções por parte da União Europeia

Do Le Monde, no Carta Maior*

“Desde o dia 22 de agosto, 6000 indígenas, oriundos de 170 povos diferentes, estão acampados na Esplanada dos Ministérios em Brasília em reação à uma ameaça inédita contra seus direitos e suas terras. Atualmente está sendo julgado pelo Supremo Tribunal Federal um pedido feito pelo Estado de Santa Catarina visando a retomada de parte da terra indígena Ibirama-Laklano reivindicada pelo povo Xokleng. Trata-se de um julgamento de suma importância, já que a decisão final terá por consequência a confirmação da doutrina que vigora atualmente em relação às terras indígenas ou sua substituição por outra – muito desfavorável aos direitos dos indígenas.

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Companhia das Letras recolhe livro com crianças brincando em navio negreiro

Por Ana Maria Alcantara, colaboração para o UOL

A cientista social J.S. ficou indignada quando escolheu o livro infantil “ABECÊ da Liberdade: A história de Luiz Gama” para presentear o filho de uma amiga. Na obra sobre a infância do escritor e advogado Luiz Gama (1830-1882), figura histórica da luta abolicionista no país, leu cenas em que crianças negras no porão de um navio negreiro pulavam corda com correntes e achavam graça em brincar de escravos de Jó enquanto navegavam rumo à escravidão.

Após ser questionada pela reportagem do UOL, a Companhia das Letras, editora da publicação, resolveu bloquear a venda do livro em seu site e recolher a obra em livrarias.

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Poucos, mas furiosos

Newsletter da Marco Zero, por Sérgio Miguel Buarque*

As redes sociais são um excelente termômetro para medir a temperatura do bolsonarismo. Desde muito cedo, a extrema-direita aprendeu a usar o mundo virtual para espalhar suas ideias, semear desinformação, alimentar o discurso de ódio e intimidar adversários. Aparentemente caótica e tosca, as redes bolsonaristas são coordenadas, hierarquizadas e com forte indícios de que existe uma centralização na produção dos conteúdos. Basta um comando e a mensagem desejada se espalha de forma rápida e eficiente. Em um piscar de olhos hashtags sobem e as narrativas são amarradas. Do presidente da República aos tios do pavê (“ou pra comer?”) dos grupos de WhatsApp, os discursos são os mesmos dentro da gigantesca “bolha”. Ou eram.

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Que Casinha é essa na qual Bolsonaro pôs R$ 4,6 milhões do Fundo Nacional de Cultura?

Por Jotabê Medeiros, no Farofafá

O governo Bolsonaro destinou nesta quinta-feira R$ 4,6 milhões do Fundo Nacional de Cultura (FNC) para um projeto de cultura digital chamado Casinha Games. O dinheiro destinado para o projeto é quase igual a tudo que o Fundo Nacional de Cultura executou do seu orçamento em 2020, R$ 4,7 milhões. Detalhe: em 2020, foi para todas as áreas da cultura.

O responsável pela destinação é André Porciuncula, militante bolsonarista de extrema direita que ocupa atualmente o posto de Secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do governo federal. Na mesma decisão, o governo destinou R$ 481 mil para o Patrimônio Histórico (organização e difusão de acervos, R$ 331 mil; e produção de material audiovisual para sítios tombados, R$ 150 mil).

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Espiões australianos colaboraram com a CIA na intervenção dos EUA contra Salvador Allende

Documentos divulgados pelo Arquivo de Segurança dos Estados Unidos revelam que a Austrália abriu um escritório secreto em Santiago, no Chile, para realizar operações contra o presidente socialista

Por Rocío Montes, no El País+

Passados 48 anos do golpe militar que derrubou o Governo de Salvador Allende, no Chile, em 11 de setembro de 1973, o Arquivo de Segurança Nacional dos Estados Unidos divulgou nesta sexta-feira documentos inéditos que revelam a colaboração que a Austrália deu à CIA para apoiar a intervenção norte-americana no Chile. Em 1971, nos primeiros meses do Governo socialista, o Serviço de Inteligência Secreta Australiano (ASIS), a pedido da CIA, abriu um escritório secreto em Santiago para realizar “operações de espionagem clandestina”, em uma nova demonstração do “esforço multinacional para desestabilizar o Governo” da Unidade Popular.

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Negros, as vítimas esquecidas da era nazista

Das 75 mil pedras comemorativas dedicadas às vítimas dos nazistas, apenas quatro são em memória de negros. Indícios de uma perseguição que foi, em grande parte, apagada.

Por Harrison Mwilima, na DW

Os negros são as vítimas esquecidas da Alemanha nazista, diz Marianne Bechhaus-Gerst, professora de Estudos Africanos na Universidade de Colônia. A perseguição deles sob os nazistas definitivamente “não é enfatizada o suficiente”, acrescenta.

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Ayres Britto: “Querem fazer o Brasil voltar a ser devedor das comunidades indígenas”

Por Weslley Galzo, do Estadão Conteúdo, em Política Livre

As sessões de julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) da tese do marco temporal para ocupação de terras indígenas foram marcadas por citações recorrentes ao caso Raposa Serra do Sol, cujo acórdão foi responsável por reacender a discussão sobre a existência, ou não, de data-limite para que as comunidades indígenas reivindiquem a posse sobre terras.

Embora a decisão naquele momento, em 2009, tenha sido favorável aos povos originários, os representantes de setores agropecuaristas foram os que mais fizeram referências ao caso, com citações diretas ao voto do ministro-relator, Carlos Ayres Britto, nas sustentações orais em defesa do marco temporal.

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Arado: Prefeito de Porto Alegre diz que indígenas ‘vieram de avião’, embora estudo indique presença secular

Retomada Mbyá-Guarani tem atrapalhado o plano de projeto imobiliário em Belém Novo

Por Luciano Velleda, no Sul21

Sebastião Melo (MDB) era deputado estadual quando, no dia 6 de novembro de 2019, houve a apresentação na Assembleia Legislativa do estudo intitulado “Relatório Antropológico, Histórico e Arqueológico Circunstanciado sobre a retomada Yjerê do Arado Velho, localizada no bairro Belém Novo”.

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