Nossos comandantes militares e a oportunidade perdida. Por Álvaro Nascimento

Ou nossos comandantes militares não sabem ler (o que seria um fato grave), já que não houve nenhuma generalização na fala do Senador; ou (pior ainda) não se identificaram com a “parte boa” das forças armadas citadas por ele

No GGN

Um sargento do Exército Brasileiro é flagrado, ao pousar em um aeroporto da Europa usando um avião da comitiva presidencial, com 39 kg de cocaína nas maletas de mão. É preso e, réu confesso, condenado pela Justiça espanhola. A Polícia Federal abre uma investigação e conclui que o militar traficou cocaína em aviões da FAB ao menos sete vezes.

(Os Comandantes Militares não emitiram nota)

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Leonel Radde: esquerda precisa revisar debate sobre segurança pública

O vereador petista, integrante dos policiais antifascistas, defende que se dispute contra a direita a narrativa do combate ao crime; veja vídeo na íntegra

Por Camila Alvarenga, no Opera Mundi

No programa SUB40 desta quinta-feira (08/07), o fundador de Opera Mundi, Breno Altman, entrevistou Leonel Radde, vereador de Porto Alegre filiado ao Partido dos Trabalhadores e policial civil antifascista, sobre segurança pública. Para ele, a esquerda falha no debate sobre o setor, pois “tem sempre um discurso antagônico aos órgãos de segurança” e oferece “respostas complexas para problemas complexos”.

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A santidade profanada dos militares. Por Manuel Domingos Neto

Por décadas, Forças Armadas nutriram aura quase religiosa sobre si mesmas. Foi esta intocabilidade que estimulou, sob o esgoto do bolsonarismo, muitos militares a se corromperem. Insistência em protegê-los pode comprometer toda a instituição

No Outras Palavras

Desde a última ditadura, a representação política viveu intimidada pelos militares.

Em 1979, acatou uma anistia que preservou praticantes do terrorismo de Estado que atentaram contra a humanidade. Na Constituinte de 1988, através do Artigo 142, reconheceu os superpoderes das corporações armadas. O Ministério da Defesa, organismo essencialmente político, foi entregue ao desígnio do militar. Os negócios da Defesa foram simploriamente assimilados como assuntos militares. Com uma tuitada um general condicionou as últimas eleições presidenciais. Com o país em profunda crise multidimensional, a representação política admitiu que Bolsonaro concedesse privilégios a perder de vista à “família militar”.

Não será baixando a cabeça diante das fileiras que os brasileiros preservaremos a democracia. Agiu bem o senador que preside a CPI ao dizer que não seria intimidado por generais. Militares se envolveram em falcatruas e devem responder por isso. Outra opção seria encerrar os trabalhos da CPI e deixar o morticínio correr frouxo.

Hoje à noite eu ministrarei uma aula cujo primeiro tópico é a religiosidade dos guerreiros. Homens que se preparam para abater semelhantes, mesmo que movidos por pura cobiça, cobrem-se de razões sagradas. Suas credibilidades derivam de imagens construídas. Guerreiros precisam mostrar-se alheios aos interesses pequenos. O sentido de honra cultivado nas fileiras é estreitamente relacionado às causas elevadas que juram defender.

O guerreiro ideal é incorruptível, como Platão teorizou há mais de dois mil anos. A cristandade recheou sua hagiografia de figuras militares. São Sebastião, São Jorge, São Longuinho, Santa Joana D’Arc, São Luís… Guerreiros vivem passando a ideia de que prezam o interesse coletivo ao custo da própria vida. Demandam a divindade como parceira. Perdendo a sacralidade, o guerreiro se esfarela.

Os comandantes brasileiros sabem disso e se empenharam em destacar a diferença entre o político paisano, corrupto por índole, e o militar ilibado, íntegro por formação. Fileiras se legitimam como defensoras da pátria sacrossanta. Assim ensinam as escolas castrenses. Fora dos quartéis, a extraordinária lenda segundo a qual na ditadura não havia corrupção foi religiosamente disseminada. O povo sempre foi propenso a acreditar no extraordinário.

Eis que a imagem de alto padrão moral das instituições armadas brasileiras entra em chamas a partir dos trabalhos da CPI. Podia ser diferente? As corporações não passariam ilesas integrando o governo Bolsonaro. Os militares sempre souberam da folha-corrida do Presidente.

Se os parlamentares baixarem a cabeça, cairemos numa sinuca de bico. Aliás, os senadores fizeram de tudo para poupar os militares, adiando o que estava escrito. Demoram para colher o depoimento dos oficiais e entoaram loas às corporações.

De tão protegidos, ousaram cada vez mais. O Presidente do Superior Tribunal Militar julgou-se autorizado a delimitar o espaço da oposição e não perdeu a oportunidade. Disse que a esquerda estava esticando demasiado a corda. Não foi admoestado. Previsível, pois, que os homens de muitas estrelas continuassem o jogo das “aproximações sucessivas”, assinando uma nota contra o presidente da CPI.

A preservação da democracia passa pela contenção de tais manifestações. O senador Omar agiu de forma ponderada. Condenou a “banda podre”, não o conjunto das corporações. Como negar o fato de militares estarem envolvidos no escândalo de corrupção mais repugnante da história brasileira?

A santidade castrense está em chamas. Sem uma postura firme da consciência democrática, as labaredas podem tomar conta do país.

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Imagem: João Montonaro

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Gigante do agronegócio ocupa e viola três cemitérios quilombolas e um indígena no Pará

Pessoas foram proibidas de entrar no local para velar seus parentes; terreno apropriado hoje é ocupado por monocultura

Por Catarina Barbosa, no Brasil de Fato | Belém (PA)

“A minha avó foi enterrada mais ou menos no meio do cemitério. Agora eu não sei mais onde era a sepultura dela, porque plantaram dendê em cima”, diz Raimundo Serrão,  quilombola  da  Comunidade da Balsa, no nordeste do estado do Pará.

A família do homem viveu por muitas e muitas gerações às margens do rio Acará, tanto que seus tataravós e avós estão enterrados em dois dos quatro cemitérios que foram tomados pelo agronegócio do dendê.

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Nota da Presidência do TSE: tentativa de impedir a ocorrência de eleições configura crime de responsabilidade

Na qualidade de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro do STF Luís Roberto Barroso emitiu nota contra a escalada de ataques de Jair Bolsonaro aos ministros do Supremo e as ameaças de não realização de eleições em 2022:

Tendo em vista as declarações do Presidente da República na data de hoje, 9 de julho de 2021, lamentáveis quanto à forma e ao conteúdo, o Tribunal Superior Eleitoral esclarece que:

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Processo Condor: Justiça italiana confirma prisão perpétua para 14 torturadores de ditaduras do Cone Sul

Condenação é definitiva e execução da pena contra ex-militares chilenos e uruguaios é imediata; processo que envolve brasileiro terá sentença em outubro

Na Opera Mundi

A Corte de Cassação, terceira e última instância da Justiça italiana, confirmou nesta sexta-feira (09/07) a condenação à prisão perpetua de 14 torturadores ligados às ditaduras do Cone Sul pelo assassinato e desaparecimento de uma dezena de cidadãos italianos nas décadas de 1970 e 1980, durante a atuação da Operação Condor. Como a condenação é definitiva, não cabe mais recurso e a execução da pena é imediata.

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Comunidades Tradicionais pedem que lei sobre ensino da cultura afro-brasileira seja implementada

Pedro Calvi / CLP

A Lei nº 10.639 de 2003 incluiu no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”. A Lei acrescentou à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) dois artigos.

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Nota da CNBB: denúncias de corrupção na pandemia agravam a trágica perda de mais de meio milhão de vidas

Em nota, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil apoia e conclama as instituições da República para que “efetivem procedimentos em favor da apuração, irrestrita e imparcial” de todas as denúncias

Por  CNBB, adaptado pela assessoria de comunicação do Cimi

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu uma nota nesta sexta-feira, 9 de julho, sobre o momento atual da conjuntura brasileira. No documento, a instituição reafirma, por meio de sua presidência, a necessidade de “defender as vidas ameaçadas, os direitos respeitados e para apoiar a restauração da justiça, fazendo valer a verdade”.

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Luiz Gama, o maior advogado brasileiro

Imaginem um negro, ex-escravizado, sem diploma, apresentando diversos erros de advogados e juízes na condução dos processos em pleno século XIX? Era muita coragem, audácia e afronta para aquela época

por Thiago Silva*, especial para a Ponte

“Se algum dia, porém, os respeitáveis juízes do Brasil esquecidos do respeito que devem à lei, e dos imprescindíveis deveres, que contraíram perante a moral e a nação, corrompidos pela venalidade ou pela ação deletéria do poder, abandonando a causa sacrossanta do direito, e, por uma inexplicável aberração, faltarem com a devida justiça aos infelizes que sofrem escravidão indébita, eu, por minha própria conta, sem impetrar o auxílio de pessoa alguma, e sob minha única responsabilidade, aconselharei e promoverei, não a insurreição, que é um crime, mas a ‘resistência’, que é uma virtude cívica, como a sanção necessária para pôr preceito aos salteadores fidalgos, aos contrabandistas impuros, aos juízes prevaricadores e aos falsos impudicos detentores. Esta é a verdade que profiro sem rebuço, e que jamais incomodará aos homens de bem[1].”

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Exército: a serviço de quem?

O delírio autoritário e o “Inferno tão temido”

Por Tarso Genro, em A Terra é Redonda

A democracia liberal em crise no mundo – no Brasil que degrada de forma planejada o Estado Social – agora faz uma paródia de si mesma. Nesta degradação, a relação do fascismo societal, racista e escravocrata, com o escárnio da República promovido pelo Presidente Bolsonaro, chega ao momento da sua potência máxima. E este máximo – o inferno tão temido, como no conto de Onetti – ainda está incompleto. Não se sabe, ainda, se o nosso destino está tolhido pela última manifestação da Caserna ou se ele vai ser reaberto pelo que nos resta de vergonha republicana.

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