Sociologia da claridade e da escuridão

Opostas na aparência, mas ambíguas, elas confundem seus sentidos na História. O Ocidente se disse iluminista e clareou a noite em prol da produção e do biopoder. Mas nas sombras deslizam os amantes, os artistas e os revolucionários

Por Boaventura de Sousa Santos, em Outras Palavras

Este é o terceiro mini-ensaio sobre a luz e a sombra, a claridade e a escuridão. Nele procuro analisar o modo como a claridade e a escuridão não só afetam as relações sociais e com a natureza como as criam. Numa perspectiva sociológica, são fenômenos naturais-sociais de enorme ductilidade ou ambiguidade, o que lhes permite ter valências múltiplas e contraditórias com o poder social, político e cultural. A claridade e a escuridão e todos os graus intermédios de luminosidade condicionam o modo como vivemos, como nos movemos, como nos comunicamos, como avaliamos o que está perante nós, como criamos obras de arte, sejam elas pintura, poesia, romance, cinema, teatro ou música. Basta recordar o filme noir com os seus contrastes chiaroscuro, sob influência do expressionismo alemão, ou o novo gênero musical, surgido no século XVIII, o notturno (Nachtmusik),música instrumental para ser tocada à noite.Haydn compôs oito notturni e Mozart a Serenata notturna (k239). Neste texto, concentro-me no modo como a claridade e a escuridão do espaço e do tempo intervêm em relações de poder, seja ele de natureza capitalista, racista, sexista ou religiosa, e também em relações de resistência e de convivência.

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A “materialidade” que falta para o impeachment

por Raquel Torres, em Outra Saúde

O SUPERPEDIDO

De partidos da oposição e representantes de movimentos sociais a ex-bolsonaristas, 43 pessoas assinaram o superpedido de impeachment contra Jair Bolsonaro que foi protocolado ontem. O documento repete a argumentação de pedidos anteriores e apresenta novos elementos – o principal deles é a acusação de crime de prevaricação do presidente no caso das irregularidades na compra da Covaxin. Ao todo, são citados 23 crimes de responsabilidade.

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Lideranças indígenas do Rio Negro dizem NÃO ao PL 490 e ao Marco Temporal

FOIRN

Lideranças indígenas das cinco coordenadorias que representam as 23 etnias que convivem no território tradicional na região do Rio Negro, Amazonas, protestaram nesta quarta-feira, 30/6, em frente à sede da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), em São Gabriel da Cachoeira, contra o PL490 e o Marco Temporal.

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A ameaça de impeachment

Pior momento de Bolsonaro, janela para direita e lutas da esquerda

por Igor Felippe Santos, em A Terra é Redonda

Bolsonaro está no seu pior momento desde o começo do governo. A popularidade está no patamar mais baixo, em 23%, segundo pesquisa Ipec (ex-Ibope). Com as mobilizações das forças populares, perdeu o “monopólio das ruas”. Ao mesmo tempo, tem diminuído a intensidade da atuação das milícias bolsonaristas nas redes sociais. Mais recentemente, caiu o ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente, que integrava o núcleo mais ideológico.

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Duas denúncias e uma demissão muito suspeita

Acusado de exigir propina para comprar duas vacinas distintas, governo afasta diretor do ministério da Saúde. Exoneração relâmpago, e sem direito de defesa, sugere queima de arquivo. E mais: a proteção quase total das máscaras PFF3

por Raquel Torres, em Outra Saúde

SEM PROPINA, SEM VACINA

Uma denúncia grave eclodiu ontem à noite em reportagem publicada pela Folha: o Ministério da Saúde teria pedido propina na compra de vacinas da AstraZeneca. Foi Luiz Paulo Dominguetti Pereira, representante de uma empresa chamada Davati Medical Supply, que revelou a história à jornalista Constança Rezende.

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Por que é insano privatizar a Eletrobrás

País sofre há três décadas tarifaços e apagões desnecessários. Uma revolução tecnológica, em curso, permitiria produzir energia farta, limpa, barata e gerada em parte localmente. Em vez disso, optamos por saída preguiçosa e convencional

Roberto Pereira D’Araújo*, em entrevista a Antonio Martins, em Outras Palavras

Um novo aumento nas contas de energia elétrica estorvará os brasileiros, já às voltas com forte inflação de alimentos, a partir deste mês. Em vinte anos, desde o desmonte do antigo “sistema elétrico” público, as tarifas residenciais subiram 60% acima da inflação; as industriais, 162%. Agora ocupam, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), os segundo lugar entre as mais caras do mundo, perdendo apenas para as da Alemanha. Mas ainda assim, os riscos de racionamento não estão afastados. Nem o de se multiplicarem os apagões, que são cada vez mais frequentes desde 2008 e deixaram o Amapá às escuras por mais de uma semana, em novembro do ano passado.

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Somos todos Xokleng pelo meio ambiente e contra o “marco temporal”. Por Joenia Wapichana*

Uma Gota no Oceano

O Supremo Tribunal Federal pode definir neste dia 30 os critérios definitivos para demarcação de terras indígenas, além de exorcizar de vez uma assombração que há anos nos persegue: a tese do “marco temporal”. O espectro se materializou durante o governo Michel Temer, quando a Advocacia-Geral da União (AGU) emitiu o Parecer 001/2017, prevendo sua adoção. Bandeira criada por ruralistas, ela prega que só teriam direito à posse de suas terras os povos que nelas estivessem vivendo até o dia da promulgação da Constituição, 5 de outubro de 1988. Esse atropelo inconstitucional busca restringir o artigo 231 que trata do tema, para acabar com o reconhecimento dos “direitos originários” sobre nossos territórios. Ele está sendo usado para inviabilizar, retardar e reverter processos de demarcação, ajudando o presidente Bolsonaro a cumprir a promessa de campanha de não demarcar “nem um centímetro a mais” de terras indígenas. As conseqüências podem ser catastróficas. Há exemplos.

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Fora Bolsonaro e a emergência das mobilizações do 3J

Debate entre as organizações do campo popular levantam pontos de destaque que dão o tom da conjuntura política das manifestações deste próximo sábado (3)

Por Igor Felippe, na Página do MST

I-CONJUNTURA POLÍTICA MAIS IMEDIATA 

1- A tragédia da pandemia de coronavírus, com uma média de 2 mil mortos por dia, atravessa a conjuntura, com impacto na vida das pessoas, na intensidade da atividade econômica, nas discussões no Congresso e no Judiciário e na atuação das forças populares. 

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Bolsonaristas e grupos estrangeiros estão por trás da seca na Bacia do Rio Formoso, no Tocantins

Justiça manda suspender atividades de barragens de fazendas que tiram água dos rios para plantação de grãos; arrozeiro holandês, empresas dos Estados Unidos e líderes ruralistas são sócios das propriedades no município de Lagoa da Confusão

Por Caio de Freitas Paes, em De Olho nos Ruralistas

Nesta época do ano, com a chegada da estiagem à beira do Parque Nacional do Araguaia, uma cena impactante tem se repetido: centenas de peixes, tartarugas e outros animais aquáticos, sufocados, debatem-se nos leitos secos dos rios. A culpa não é da falta de chuvas, mas de atividades em terras agrícolas.

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Comissão da CNBB visita acampamento Levante Pela Terra e manifesta solidariedade aos povos indígenas

Representação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil prestou apoio aos povos que estão mobilizados em defesa de seus direitos originários, em pauta no STF nesta quarta (30)

Cimi

Nesta segunda-feira (28), uma comissão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) visitou o acampamento Levante pela Terra, em Brasília, que reúne cerca de 850 indígenas de mais de 50 povos de todo o país. A comissão, acompanhada por uma representação da Rede Eclesial Pan-Amazônica – Repam-Brasil, prestou solidariedade aos povos e lideranças que, acampados há três semanas na capital federal, lutam em defesa de seus direitos.

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