‘Ninguém sabe dizer onde está o corpo do meu irmão’: famílias sofrem com luto e desamparo após chacina no RJ

99 corpos foram identificados nesta sexta; famílias de pessoas consideradas desaparecidas seguem em busca de seus entes

Por Luiza Sansão, no Brasil de Fato

Misturada ao choro desesperado da certeza da morte — que fundia a dor profunda da perda com a angústia em meio à longa espera pela liberação de corpos já reconhecidos —, outra tensão se manifestava na porta do Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro, na manhã desta sexta-feira (31): a de familiares de pessoas ainda consideradas desaparecidas, que buscam pelos corpos de seus entes — uma espécie de autorização para viver o luto, que somente a certeza de “ver para crer” parece oferecer para quem, agora, já não tem mais esperança. Continue lendo “‘Ninguém sabe dizer onde está o corpo do meu irmão’: famílias sofrem com luto e desamparo após chacina no RJ”

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Entre a polícia e o tráfico, moradoras do Complexo da Penha ficam com os escombros

Operação mais letal do Brasil também atingiu a casa de moradores do Complexo da Penha que relatam terror e violações

Por Julia Sena, na Pública

Era terça-feira e o sol ainda não tinha saído quando Jéssica Pereira, 36, acordou assustada, antes do despertador tocar. Sua rotina, que começa às seis da manhã, foi interrompida pelo intenso barulho de tiros na comunidade. Rapidamente, o som estridente das balas que atravessava a rua se intensificou, fazendo com que ela e sua família corressem para outro cômodo da casa em busca de proteção. Quando estavam escondidos no banheiro, Jéssica ouviu uma conversa do lado de fora do imóvel ser interrompida por gritos que repetiam a mesma frase. “Ele levou um tiro! Ele levou um tiro!” Continue lendo “Entre a polícia e o tráfico, moradoras do Complexo da Penha ficam com os escombros”

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Jéssica Santos: “O dia que o Rio de Janeiro superou Gaza”

Newsletter da Ponte

É quinta-feira (30/10) e ainda estamos contando os corpos. Talvez, quando você estiver lendo este texto, ainda estejamos incluindo mortos no Massacre do Alemão e da Penha, como preferimos classificar a assim chamada “megaoperação” no Rio de Janeiro. Massacre, pois é necessário dar às coisas o nome que reflita a gravidade da situação. E o que aconteceu esta semana nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Estado, foi um massacre.

A tal Operação Contenção, do governo Cláudio Castro, foi tudo, menos contida. Dois mil e quinhentos homens entraram nos territórios como se invadissem um país inimigo à luz do dia. Tiros e ações violentas, tanto da polícia quanto do crime organizado com armamento pesado, marcaram uma ação que resultou em mais mortes do que o ataque israelense em Gaza, realizado no mesmo dia do massacre no Rio de Janeiro. A respeito de Gaza, o jornal britânico The Guardian classificou o episódio como “um dos mais sangrentos em dois anos de guerra”. Lá, 104 pessoas morreram e mais de 253 ficaram feridas. Aqui, nesta quinta-feira, às 12h44, já são 132 mortos contabilizados. Continue lendo “Jéssica Santos: “O dia que o Rio de Janeiro superou Gaza””

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Nota da Comissão Arns: “CNMP deve preservar investigação federal”*

“A Comissão Arns manifesta sua preocupação com a condução das investigações sobre as mortes decorrentes de operação policial nos complexos do Alemão e da Penha, dia 30 de outubro, no Rio de Janeiro.

O elevado número de vítimas impõe a necessidade de uma investigação imparcial e tecnicamente minuciosa, para que seja possível revelar as circunstâncias das mortes e permitir a responsabilização dos que eventualmente abusaram de seus poderes. Indícios de uso excessivo da força letal precisam ser rigorosamente apurados. Continue lendo “Nota da Comissão Arns: “CNMP deve preservar investigação federal”*”

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Conselho do Ministério Público impede órgão federal de fiscalizar chacina no RJ

Decisão do CNMP atende a pedido do MP-RJ e impede atuação de procuradores federais que cobravam transparência sobre operação com 121 mortos

Por Fábio Victor, da Folhapress, no ICLNotícias

A competência quanto à investigação da operação policial que deixou ao menos 121 mortos criou uma fissura entre o MPF (Ministério Público Federal), que buscou informações sobre os procedimentos adotados na ação, e Ministério Público do Rio de Janeiro, estadual, que conseguiu barrar a entrada do seu congênere federal no caso com o aval do Conselho Nacional do Ministério Público.

Em ofício expedido na terça-feira (28), dirigido ao governador Cláudio Castro (PL), o procurador regional dos Direitos do Cidadão (PRDC) adjunto, Julio José de Araujo Junior, e o defensor regional dos Direitos Humanos, Thales Arcoverde Treiger, ambos do MPF, solicitaram detalhes sobre a Operação Contenção, deflagrada naquele dia, para combater o Comando Vermelho nos complexos da Penha e do Alemão. Continue lendo “Conselho do Ministério Público impede órgão federal de fiscalizar chacina no RJ”

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‘Esses traumas não são fatos isolados’, afirma psicanalista Vera Iaconelli sobre repetição de violência nas favelas

A profissional alerta que massacres reforçam a sensação de desamparo coletivo e deixam marcas duradouras

Por Adele Robichez, José Eduardo Bernardes e Larissa Bohrer, no Brasil de Fato

A psicanalista Vera Iaconelli afirmou que a chacina nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, a mais letal da história do país, “é mais um trauma coletivo”, e que a repetição desses episódios agrava o sofrimento social e individual. “Esses traumas não são fatos isolados. Como eles vêm em uma cadeia de acontecimentos, de repetições, são mais graves porque a sensação de não haver saída e de que pode acontecer novamente a qualquer momento só se reforça”, disse em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. Continue lendo “‘Esses traumas não são fatos isolados’, afirma psicanalista Vera Iaconelli sobre repetição de violência nas favelas”

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Sob facções e operações, população de favelas vive traumas e adoece

Ações violentas têm custo alto para saúde de moradores

Por Mariana Tokarnia – Repórter da Agência Brasil*

“Uma bomba invisível”. É assim que o professor José Claudio Sousa Alves, do departamento de ciências sociais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), descreve as consequências para a população de operações policiais como a Operação Contenção, considerada a maior e mais letal dos últimos anos no Rio de Janeiro. Continue lendo “Sob facções e operações, população de favelas vive traumas e adoece”

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Senado dá sobrevida a usinas a carvão e acelera licenciamento de hidrelétricas

Em votação a jato e às vésperas da COP30, políticos aprovaram texto que dá mais benefícios para termelétricas a carvão

Por Isabel Seta | Edição: Bruno Fonseca, Agência Pública

Foram necessários menos de cinco minutos nesta quinta-feira, 30 de outubro, para o Senado Federal aprovar, em votação simbólica, a Medida Provisória (MP 1.304) que altera a legislação do setor elétrico. O texto dá novos benefícios para usinas termelétricas movidas a carvão mineral e prioriza hidrelétricas no processo de licenciamento ambiental. Agora, segue para a sanção ou veto do presidente Lula. Continue lendo “Senado dá sobrevida a usinas a carvão e acelera licenciamento de hidrelétricas”

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Nascidos no caos climático

Geração que veio ao mundo a partir de 2020 deve enfrentar níveis sem precedentes de eventos extremos ao longo da vida

Por Giovana Girardi | Edição: Marina Amaral, Agência Pública

Patricia dos Santos estava confiante que sua primeira filha, Luna, viria ao mundo pelas mãos de sua avó, parteira experiente da comunidade ribeirinha onde ela mora, no município de Alvarães, no Amazonas. Os exames pré-natais indicavam que estava tudo bem com a gestação, e o médico havia lhe dito que um parto normal poderia tranquilamente ser feito em casa. Mas gravidez tem disso. Às vezes a complicação surge no último minuto. Continue lendo “Nascidos no caos climático”

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Inteligência, participação social e coordenação: como combater o crime sem chacinas

Especialistas apontam formas mais efetivas e menos letais de combate ao crime; medidas estariam sendo ignoradas pelo RJ

Por Laura Scofield | Edição: Ludmila Pizarro, Agência Pública

Venda de gás, água, transporte e combustível. Para além do tráfico de drogas, há vários outros mercados lícitos que hoje alimentam e financiam o crime organizado. Por isso, o combate às facções, que assombram a vida de moradores e perpetuam a violência, deve passar por estratégias que vão além das incursões e operações policiais, já comprovadamente falhas. É o que três especialistas em segurança pública defenderam em entrevistas à Agência Pública. Continue lendo “Inteligência, participação social e coordenação: como combater o crime sem chacinas”

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