“Bombas e armas nucleares não vão nos proteger da crise climática”, discursou o presidente Lula na abertura da assembleia das Nações Unidas (ONU), na última terça-feira. Ainda em Nova York, disse à imprensa que o Brasil quer discutir com os Estados Unidos a necessidade de “garantirmos a paz no Planeta Terra.” As declarações do presidente parecem não combinar com as ideias belicosas do ministro das Minas e Energia Alexandre Silveira que, no dia seis deste mês, defendeu o uso da energia nuclear para produzir a bomba atômica brasileira, na posse da diretoria da Agência Nacional de Segurança Nuclear (ANSN).
O ministro revelou ser decisão do governo, “avançar com a produção de energia limpa para a transição energética, usando a energia nuclear”, porque no futuro também “vamos precisar da nuclear para a defesa nacional”. Este delírio afronta a nova visão mundial de defesa nacional, que condena o ódio e a violência entre as nações, priorizando a proteção da Vida e não as disputas entre forças militares. No Brasil, Lula não se posicionou sobre a bomba, mas declarou que “a guerra não leva a nada, a não ser à matança e ao empobrecimento. Se tem divergência entre nações o melhor é negociar.” Tal declaração combina com a imagem, nacional e internacional, de líder dedicado ao avanço da Cultura da Paz e sinalizam que o assunto não é consenso no governo. Continue lendo “Articulação Antinuclear Brasileira: Brasil num dilema atroz. Paz ou bomba atômica?”