Retomar o uso comum das coisas, do mundo e das experiências, promover uma outra relação com o tempo e o cultivo de formas-de-vida qualificadas são resistências que brotam a partir da filosofia agambeniana e que apontam para uma “democracia que vem”
Por: Márcia Junges, em IHU
“A democracia é esvaziada de sua condição de poder constituinte, de espaço privilegiado de debate, de manifestação do dissenso, da pluralidade de ideias e concepções de vida e de mundo, para se tornar o lócus de decisões tecnocráticas vinculadas às exigências da lógica de mercado e suas demandas de desregulamentação, de flexibilização, de ajuste fiscal, entre outras tantas medidas e imposições características do estado de exceção e de precarização da vida em que nos encontramos inseridos”, pondera o filósofo Sandro Luiz Bazzanella na entrevista concedida por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. E complementa: “A Modernidade, ao elevar a economia à centralidade da esfera pública (Arendt), reduz a política a um mero meio sem fim. Ou, dito de outro modo: a Modernidade captura a experiência temporal da vida e a submete à lógica da produtividade”. Continue lendo “Democracias representativas esvaziadas e o estado de exceção permanente como técnica de governo. Entrevista especial com Sandro Luiz Bazzanella”