Na sexta e última parte de nossa série sobre a reunificação, uma radiografia do país. Como foi o processo de reconstrução? O que manteve o socialismo de pé? Por que a perestroika vietanamita? Quais as novas apostas do governo para o desenvolvimento?
por Daniel M. Huertas, em Outras Palavras
Capítulo 6 – O Vietnã reunificado: entre o ajuste de contas com o passado e os ajustes para o futuro (a partir de 1976)
“O Vietnã não é uma guerra, é um país” (Lê Mai, ex-vice-ministro das Relações Exteriores, no início dos anos 1990) [1].
Nada mais óbvio do que presumir que o caminho a ser trilhado pela República Socialista do Vietnã, oficializada na IV Assembleia Nacional, de 2 de julho de 1976, seria tortuoso e complicadíssimo. Mas, apesar de toda a ordem de entraves e dificuldades, foi de fato aberto o período de reconstrução do país. No plano político interno mais imediato, o governo implantou vários campos de reeducação para cerca de 200 mil oficiais militares, policiais e funcionários da antiga República do Vietnã (o Vietnã do Sul) com o objetivo de prevenir uma contrarrevolução, além de admitir vários empresários sul-vietnamitas na nova administração. Na prática, adotou-se a estratégia de não romper de forma abrupta com a burguesia instalada no sul, optando-se pela coação administrativa em paralelo com a reeducação política. Continue lendo “50 anos: “O Vietnã não é uma guerra”. Capítulo 6”