Cobertura universal de saúde: uma má proposta

Conceito promovido pela OMS sorrateiramente substitui o acesso universal à saúde – que está na base de sistemas públicos, como o SUS. Para combater infiltração de ideias de mercado, a Assembleia Mundial da Saúde deve enfrentá-lo

Pelo WHO Watch | Tradução: Guilherme Arruda, em Outra Saúde

O mundo está cada vez mais próximo do prazo para implementar os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) – o ano de 2030 – e garantir que todos, em todos os lugares, tenham acesso a serviços essenciais de saúde. Contudo, o ritmo dessa implementação vai mal. De acordo com o último relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), pouco mais da metade da população global, ou 4,5 bilhões de pessoas, ainda não tinha acesso a serviços essenciais de saúde em 2021. Pior: uma a cada quatro pessoas enfrenta gastos pesados com saúde, que os empurram para a pobreza. Desde 2015, o progresso na Cobertura Universal de Saúde, o ODS 3.8, não apenas estagnou como regrediu, especialmente em regiões rurais e de baixa renda, o que aprofundou as desigualdades de saúde nos países. Continue lendo “Cobertura universal de saúde: uma má proposta”

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Saúde privada: muito poder na mão de poucos

Novo estudo revela as “sete irmãs” que controlam, em oligopólio, todo o setor de seguros de saúde e laboratórios farmacêuticos no Brasil. O aglomerado é o terceiro grupo mais poderoso do país. Descobertas põem em perspectiva a importância da luta pelo SUS

por Eduardo Magalhães Rodrigues, em Outra Saúde

As corporações da saúde privada são o terceiro grupo empresarial mais poderoso no Brasil. Essa é uma das constatações principais da pesquisa de pós-doutorado de Eduardo Magalhães, coordenador do Núcleo de Educação Permanente do Centro de Estudos em Saúde Coletiva (Cesco) do Centro Universitário da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC). Foi esse o tema principal de entrevista que ele concedeu ao site do Observatório de Análise Política em Saúde (OAPS), ligado ao Instituto de Saúde Coletiva da UFBA, reproduzida abaixo. Continue lendo “Saúde privada: muito poder na mão de poucos”

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Subjugada no RS, crise climática está associada a maior enchente do Estado. Entrevista especial com Francisco Eliseu Aquino

Mais de meio milhão de pessoas e 63,78% das cidades gaúchas estão sendo afetadas pelas cheias que atingiram o Estado nos últimos dias

Por: IHU e Baleia Comunicação

Em menos de um ano, o Rio Grande do Sul conseguiu bater diversos recordes trágicos e agora passa pela maior catástrofe ambiental já registrada. Conforme o boletim da Defesa Civil, do final do dia 4 de maio, são 317 municípios atingidos (mais de 63% das cidades), mais de meio milhão de pessoas diretamente afetadas, 82,5 mil pessoas fora de casa, sendo 13,3 mil em abrigos e 69,2 mil desalojados, na casa de familiares ou amigos. Até o começo do domingo eram 55 mortes confirmadas e sete em investigação e ao menos 74 desaparecidos. Mas, os números devem ser ainda piores, pois há inúmeros locais ilhados e muitos resgates a serem feitos. Continue lendo “Subjugada no RS, crise climática está associada a maior enchente do Estado. Entrevista especial com Francisco Eliseu Aquino”

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Sem negociação: mobilização e luta marcam o Abril Indígena em Brasília

No mês que celebrou a luta e a resistência dos povos indígenas do Brasil, tentativas de negociar e “conciliar” direitos estremeceram a relação com poder público

POR MAIARA DOURADO, DA ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DO CIMI

Foram vários os acontecimentos que marcaram o mês que celebra a luta e a resistência dos povos indígenas do Brasil. O período de mobilização, conhecido como Abril Indígena, foi comemorado este ano, não só pelo aniversário de duas décadas do Acampamento Terra Livre (ATL), o maior encontro do movimento indígena do país, mas também pela reconstituição do Conselho Nacional de Políticas Indigenistas (CNPI), desativado em 2016, quando foi realizada sua última reunião. Continue lendo “Sem negociação: mobilização e luta marcam o Abril Indígena em Brasília”

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Um catador de espinhas: Ailton Krenak na ABL. Por José Ribamar Bessa Freire

No TaquiPraTi

“Só aceitei aprender a ler e escrever, porque encarei a alfabetização como
se fosse um peixe com espinhas. Tirei as espinhas e escolhi o que queria”.
(Ailton Krenak. 2003)

Ele escolheu o que queria. Por isso, Ailton Krenak foi o primeiro escritor indígena eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL). Soube tirar as espinhas, o que não é tarefa fácil dependendo do tipo de peixe. Traíra e pacu têm muita espinha. Em geral, quem cata para os filhos pequenos são as mães, que os ensinam como fazer. Continue lendo “Um catador de espinhas: Ailton Krenak na ABL. Por José Ribamar Bessa Freire”

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‘Tragédia no RS é responsabilidade também de senadores e deputados que desmontam legislação ambiental’, diz Marcio Astrini, do Observatório do Clima

Por Letícia Mori, na BBC News Brasil

As fortes chuvas que atingem o Rio Grande do Sul, as mais intensas registradas em território gaúcho em décadas, já deixaram dezenas de mortos, causaram estragos em 300 municípios, romperam uma barragem e desalojaram mais de 32 mil pessoas. Há ainda mais de 60 pessoas desaparecidas enquanto o mau tempo já provoca danos em outros Estados do Sul.

Os governos federal e estadual criaram uma força-tarefa e tentam evitar mais mortes promovendo evacuações e retirando pessoas de áreas de risco. Continue lendo “‘Tragédia no RS é responsabilidade também de senadores e deputados que desmontam legislação ambiental’, diz Marcio Astrini, do Observatório do Clima”

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João Cândido Felisberto. Por Chico Alencar

Carta aberta ao comandante da Marinha sobre a Revolta da Chibata

No A Terra é Redonda

Exmo. Sr. Marcos Sampaio Olsen, Comandante da Marinha do Brasil
c/cópia para José Múcio Monteiro, Ministro da Defesa e para o deputado Aliel Machado, presidente da Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados.

Sr. Almirante: A inscrição do nome de João Cândido Felisberto, líder da Revolta contra a Chibata, em 1910, no Livro de Heróis da Pátria, já aprovada no Senado (PL 340/2018), está em análise na Câmara dos Deputados, onde tramita (PL 4046/21). Continue lendo “João Cândido Felisberto. Por Chico Alencar”

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MPF e DPU acionam Google e canais na Justiça por disseminação de discurso de ódio por policiais no YouTube

Ação civil pública busca exclusão de conteúdo e regulação de postagens para evitar abusos na liberdade de expressão

O Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) moveram uma ação civil pública contra o Google e responsáveis por canais do YouTube em que foram identificados discursos de ódio e incitação à violência. O objetivo é a exclusão de postagens específicas e a regulação do conteúdo veiculado por policiais em programas de podcast e videocast na plataforma, para prevenir abusos no direito à liberdade de expressão.

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David Harvey: sobre Socialismo e Liberdade

Quando a direita captura um conceito essencial, um projeto emancipador precisa ressignificá-lo. Não a partir do individualismo, mas da justiça social e do resgate do tempo que o capital sequestra. Pois só uma vida digna pode ser livre

No Outras Palavras

A direita sequestrou o conceito de liberdade; apropriou-se dele, como se este fosse seu, e passou a utilizá-lo como arma na luta de classes contra os socialistas, que supostamente representariam a “ausência de liberdade”. Esse fenômeno é bastante visível nos Estados Unidos, mas está longe de ser exclusivo do país. Estive há pouco tempo no Peru participando de uma série de conferências e foi levantado o tema da liberdade. Os estudantes estavam muito interessados na questão: “O socialismo exige abrir mão da liberdade individual?”. Eles traziam o discurso de que era preciso evitar a todo custo a submissão, imposta pelo socialismo/comunismo, do indivíduo ao controle estatal. Respondi que a liberdade individual não só faz parte como deve ter centralidade em qualquer projeto socialista emancipatório. Insisti que concretizar as liberdades individuais é um objetivo central dos projetos emancipatórios socialistas. Mas argumentei que para alcançar isso é preciso construir coletivamente uma sociedade na qual cada um de nós tenha oportunidades e possibilidades de vida adequadas para realizar plenamente as nossas potencialidades. Continue lendo “David Harvey: sobre Socialismo e Liberdade”

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Futebol, crise climática e distopia: o jogo já começou. Por Milly Lacombe

No UOL

Há décadas cientistas do mundo inteiro avisam sobre o que a exploração capitalista – infinita e desesperada por lucro imediato – dos recursos finitos do planeta faria com nossas vidas. Parecia sempre que esse dia seria logo mais, nunca hoje. Pois aqui estamos. Vivendo dentro de uma distopia. Blade Runner, Mad Max, Guerra Civil – chamem como quiserem desde que reconheçam que a ficção científica é agora o puro suco de realismo capitalista de nossas miseráveis vidas.

Os CTs de Grêmio e Inter foram inundados em Porto Alegre. Jogos no Rio Grande do Sul estão adiados. Desmatar e queimar a Amazônia e o Cerrado deu nisso. O agro é pop? O agro, nos termos em que é conduzido e administrado, é apenas morte.

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