Do feminismo negro à democratização da universidade, ela representou um despertar rebelde para muitos. Por isso, luto também é grito por justiça, como sugere Butler — e a indignação, um chamado para enfrentar a Política da Morte
por Jaquelina Imbrizi*, em Outras Palavras
Ato I – O meu primeiro encontro com Marielle
A primeira vez que soube da existência de Marielle Franco foi no dia posterior à sua morte. Eu recebi a notícia pelas redes sociais e verificando a página do meu Facebook. Fiquei impressionada com um corpo lindo e um rosto sorridente, que como disse o sociólogo Laymert Garcia dos Santos (Maretti, 2019), carregava na pele um feixe de lutas: mulher, negra, em união estável homoerótica, bissexual, mãe, vereadora, ativista de direitos humanos e nascida na favela, mais especificamente no Complexo da Maré, Rio de Janeiro. Como muitos brasileiros e muitas brasileiras, ela trazia na pele o fato de que morava na periferia e coabitou com pessoas em situação de vulnerabilidade social. Que assassinato horrível, que violência e covardia contra uma vereadora que encerrava seu expediente de trabalho à noite! – Ainda temos as imagens da roda de conversa da qual ela participava com um grupo de jovens feministas que discutia política. Fiquei estarrecida com o noticiário que transmitia a violência contra uma mulher que ocupava um cargo público, representante política e eleita em pleito democrático.
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